Água ou falta d’água, eis a questão!

João Reis | Professor 

“Nunca mais chove”; “As barragens estão quase secas”; “Se não vier uma boa chuvada, a agricultura vai ser uma desgraça”; “Ainda vamos ter a água racionada…”  

Estas frases e outras, no mesmo sentido, ouvidas com frequência, demonstram que somos capazes de constatar o óbvio, mas parece difícil quando se trata de procurar soluções.                                 

Julgo que contar com a boa-vontade do S. Pedro não é adequado, como o não foram as danças e os sacrifícios aos ‘deuses da chuva’ dos ancestrais Incas, Maias ou Aztecas. E, no entanto, aqueles povos do ‘novo mundo’ souberam procurar e assinalar lençóis de água de superfície e subterrâneos e formas de armazenar as chuvas quando caiam, segundo nos informa a actual arqueologia – já, naquela altura, a água era considerada um bem precioso.

Pelas ‘nossas bandas’, o Al-Gharb de há mais de 12 séculos também passou por secas, tendo aprendido a lidar com elas – aprendeu a poupar e a recolher as escassas chuvas nas AÇOTEIAS, canalizando-as, por ALGEROZES, para ALGIBES (cisternas) ou ALBUHARIAS (albufeiras, lagos artificiais); e aprendeu a reter as águas de ribeiras, com os ASSUDA (açudes). Em artigo semelhante, de há algum tempo, já sugeria aos responsáveis das autarquias que estudassem formas de promover a construção de casas com açoteias por cobertura e uma cisterna para armazenamento das águas. Seria um considerável reforço para o abastecimento público e privado.

Além de ter em conta o que a História nos ensina, devemos atentar, igualmente, aos avanços técnicos da actualidade. Vale, pois, a pena olhar ao livro ‘FAÇA-SE A ÁGUA’, do investigador americano Seth M. Seigel, de 2016. Nele, o autor narra como um país de poucos recursos hídricos, com 60% de área desértica, tem conseguido água para abastecer as populações e providenciar rega suficiente a uma agricultura digna de nota, vindo 50% da água utilizada de tanques de reciclagem. Este país é Israel.  

De uma forma resumida, este plano assenta em 3 pilares essenciais – EDUCAÇÃO, TECNOLOGIA e POLÍTICA. Pela Educação, as populações adquirem a consciência do valor da água, devendo usá-la com parcimónia e sem desperdícios; pela Tecnologia, levando a sério e experimentando todas as ideias que surjam da sociedade civil no sentido de captar, armazenar, transformar ou reciclar aquele tão valioso líquido; pela Política, legislando e fiscalizando as medidas tomadas para sua protecção como, por exemplo, a lei que determina que o dono de um terreno não é o dono da água que, eventualmente, passe por ela  – à superfície ou no subsolo; a água PERTENCE ao país e ao governo compete coordenar o que a ela diz respeito.

Fica o recado a quem de direito e de dever.  

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