Albufeira tem programa para socorrer vítimas cardíacas

O Município de Albufeira apresentou há dias ao público o Programa de Desfibrilhação Automática Externa (PDAE), com o objetivo de tornar o concelho mais seguro em situações de emergência médica relacionadas com a ocorrência de doença súbita, que entrará em funcionamento no próximo mês de outubro.

No arranque do projeto Autarquia Segura, a Câmara Municipal procedeu à entrega simbólica de um conjunto de equipamentos, que irão ser instalados na via pública, junto a edifícios municipais e em zonas chave do concelho, para que todos os agentes de proteção e socorro possam atuar imediatamente em caso de paragem cardiorrespiratória.

O projeto consiste na instalação de 11 desfibrilhadores automáticos na via pública e outros dois em veículos, bem como na formação em Suporte Básico de Vida (SBV) e Desfibrilhação Automática Externa (DAE) de 170 pessoas, entre civis, funcionários municipais e elementos da GNR e dos Bombeiros Voluntários.

“A morte súbita cardíaca representa nos países desenvolvidos, incluindo Portugal, a principal causa de mortalidade. Em Portugal estima-se que existam todos os anos 10 mil casos de morte súbita cardíaca, o que corresponde a uma média de 27 casos por dia. Nestas situações temos que ser muito rápidos a atuar porque a cada minuto que passa, a probabilidade da vítima sobreviver diminui cerca de 2 por cento, o que significa que ao fim de 10 minutos pode chegar a melhor equipa médica do mundo, que já não vai poder fazer nada pela vítima”, explicou na ocasião Marco Castro, diretor da empresa Ocean Medical, responsável pela instalação dos DAE.

Os equipamentos serão instalados em cabines especialmente preparadas para o efeito e sinalizadas, junto a edifícios âncora como são algumas das infraestruturas municipais, juntas de freguesia e outros locais de maior afluência de pessoas: Paços do Concelho, Pavilhão Desportivo Municipal, Piscinas Municipais, Av. Sá Carneiro (Oura), Av. Da Liberdade (Farmácia Alves de Sousa), Posto GNR na Av. 25 de Abril (Baixa de Albufeira), Miradouro do Pau da Bandeira, Freguesia de Ferreiras (rotunda), Freguesia da Guia (junto à Capela), Freguesia de Olhos de Água (Rua Torre da Medronheira), Freguesia de Paderne (Posto de Saúde), Bombeiros de Albufeira (DAE móvel para utilização de eventos), Polícia Municipal (DAE móvel).

GRAVE PROBLEMA DE SAÚDE

“No nosso país, as doenças cardiovasculares constituem um dos problemas de saúde mais graves para a população, representando a principal causa de morte. Em Albufeira estamos atentos a esta realidade e, por isso, decidimos promover a assistência à vítima em paragem cardíaco-respiratória, com a implementação de desfibrilhadores automáticos externos em todas as freguesias do concelho, oferecendo, deste modo, a quem reside e a quem nos visita uma segurança acrescida”, referiu o presidente da câmara local, Carlos Silva e Sousa.

O autarca explicou que em Albufeira, além dos residentes, há uma população flutuante que chega a atingir o meio milhão de pessoas. “Espero que estes equipamentos cumpram o seu propósito que é salvar vidas. Vamos trabalhar em rede com as diversas entidades policiais, proteção civil, autoridade marítima e bombeiros, desenvolvendo um programa de formação para todos os interessados. Um minuto pode salvar uma vida!”, concluiu.

“Congratulo-me por haver uma câmara a lançar este projeto, que vai ter capacidade de reanimação e desfibrilhação precoce e, assim, conseguir salvar vidas num concelho que tem uma população flutuante que, em determinados momentos do ano, ultrapassa largamente o número de residentes”, salientou o cardiologista Jorge Mimoso, membro da direção da Sociedade Portuguesa de Cardiologia.

FALTAM DAE

De acordo com os dados divulgados pela Ocean Medical, Portugal tem menos de dois DAE por 10 mil habitantes enquanto a Dinamarca tem cerca de 20 DAE e a Holanda 60 por 10 mil habitantes. Segundo dados do Instituto Nacional de Emergência Médica, em 67 por cento das paragens cardíacas presenciadas, a pessoa que assiste não faz nada até à chegada do 112, tornando-se imperativo a intervenção precoce.

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