Álvaro Bila: “A grande prioridade é que não haja fome em Portimão”

A Junta de Freguesia de Portimão caracteriza-se por um serviço de proximidade que visa corresponder aos problemas de uma cidade de média dimensão.

Fernando M. Vieira

Desde que assumiu a presidência deste órgão de poder local, em finais de 2013, Álvaro Bila incutiu uma política assente na auscultação dos fregueses, indo de encontro às necessidades sinalizadas, de forma sóbria e eficaz.

Uma das principais preocupações prende-se com o elevado número de pessoas que nos últimos anos tem recorrido às ajudas sociais, conforme destaca: “Prestamos apoio ao refeitório da Quinta do Amparo, que dá de comer a mais de 70 pessoas, o mesmo sucedendo com a cantina da Cáritas, frequentada por 220 famílias. Não queremos que haja fome em Portimão – essa é a primeira grande batalha, a prioridade das prioridades.”

 PERTO DOS FREGUESES

 Ainda no âmbito social, a Junta acolhe desde maio de 2016 um gabinete de aconselhamento a famílias com problemas bancários, gerido pela DECO – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor. “Este recente fenómeno tem contornos muito graves… Nos primeiros seis meses, foram recebidas 63 famílias, na esmagadora maioria a solicitar apoio jurídico. As sessões são quinzenais e têm uma média de dez inscrições por dia, havendo sempre lista de espera”, explica Álvaro Bila.

“O melhor lugar para se ajudar a população é aqui, pois estamos perto das pessoas. Considero, até, existirem serviços de proximidade que deveríamos assumir, nomeadamente na ação social, o que constituiria uma mais-valia para todos”, defende o autarca, que aponta como outras áreas de intervenção as pequenas reparações e a manutenção de espaços públicos.

Dá como exemplos “os remendos em calçadas que temos feito e os quatro jardins e espaços verdes cuja manutenção já asseguramos através de competência dada pela Câmara de Portimão. Nestas e noutras situações, estamos em condições de intervir, mal se detete qualquer anomalia, não a deixando agravar-se.”

“Esta freguesia não é apenas urbana, possui muita área rural e faço questão de, todos os meses, visitar os meus fregueses mais distantes. Por isso, tenho clara noção das carências e problemas existentes”, sublinha.

IDOSOS REJUVENESCIDOS

 Entre a defesa das tradições e a promoção das novas tecnologias, a Junta leva a cabo diversas iniciativas de caráter popular, em simultâneo – por exemplo – com a recente instalação na Pedra Mourinha de um posto de Internet que dá cursos de informática a idosos. “Em paralelo, iniciámos um projeto no qual algumas senhoras confecionam almofadas com formato de coração, destinadas a pacientes operadas ao cancro da mama. Trata-se de uma colaboração com a Associação Oncológica do Algarve que está a ter excelente recetividade”, revela com agrado.

De resto, os idosos merecem especial atenção por parte deste órgão de poder local, conforme destaca Álvaro Bila: “Neste momento, o grupo de teatro sénior encena histórias de famílias antigas de Portimão, para o que visitámos pessoas que já não saem à rua faz anos. Depois de registadas as suas memórias, de inestimável valor, serão representadas durante a Semana Sénior, em setembro próximo. Uma das originalidades da ideia consistirá na ida dos nossos atores veteranos às casas de quem colaborou, para representarem as suas narrativas.”

FUTURA SEDE

O orçamento anual da Junta ronda os 700 mil euros, sendo de referir que para o projeto da futura sede está a ser canalizada uma verba, de forma a haver dinheiro destinado à obra. “A primeira pedra poderia ser lançada já hoje, mas é preferível aguardar pelo próximo mandato para que quem tome posse tenha todas as condições de avançar”, defende o autarca, antes de calcular que a concretização do projeto deverá custar um milhão de euros.

“As acessibilidades ao primeiro andar do atual edifício são complicadas, ao passo que as futuras instalações, onde funcionou a Casa de Nª Sr.ª da Conceição, permitirão fazer-se uma sede inclusiva”, explica. Entretanto, as intervenções já feitas no pátio interior do imóvel colocaram a nu restos de uma casa do século XVI e um poço romano. “Esta descoberta, em pleno centro da cidade, foi uma verdadeira surpresa, o que nos obriga a repensar os planos originais. Queremos, assim, proporcionar um espaço de visita nessa zona”, sustenta.

Segundo Álvaro Bila, “procuramos acompanhar tudo o que nos rodeia, dando as respostas possíveis em prol da comunidade que servimos. Estamos disponíveis a toda a hora, pois não vejo esta missão de outra forma.”

PERFIL DE ÁLVARO BILA

 Álvaro Miguel Peixinho Alambre Bila nasceu em Portimão a 19 de outubro de 1971.

Escuteiro desde os 8 anos, chegou a chefe de Agrupamento, responsabilidade de que abdicou ao ser eleito para a Junta de Freguesia de Portimão, sendo presentemente instrutor da primeira secção. Preside à direção dos Bombeiros Voluntários de Portimão e integra o conselho-geral da ANAFRE – Associação Nacional de Freguesias

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