Autarquias combatem falta de habitação a preços acessíveis

Vila do Bispo, Lagos e Olhão adquirem terrenos para construção de casas.

A Câmara de Vila do Bispo tomou, este ano, uma medida que vai em sentido contrário da generalidade das autarquias do país: o aumento da taxa do IMI.

Na altura, o presidente da autarquia, Adelino Soares, admitiu à Algarve Vivo que o aumento de taxas e impostos nunca é uma decisão popular, mas que, neste caso, se trata de “uma estratégia para dar resposta à falta de habitação no município”.

O objetivo é arrecadar uma verba suplementar de cerca de 600 mil euros para investir na compra de um terreno para habitação social.

A promessa foi cumprida e a autarquia já avançou para a aquisição de um terreno situado na freguesia de Budens, com uma área de 12.680 m2.

Vila do Bispo está longe de ser caso único no Algarve, no que diz respeito à escassez de casas que possam ser arrendadas ou adquiridas por famílias que tenham rendimentos médios ou baixos.

O concelho vizinho de Lagos é outro em que este problema se coloca com grande intensidade. Devido a isso, a presidente da autarquia, Joaquina Matos, diz ter vindo “a preparar um programa de habitação municipal”.

Nesse sentido, está em andamento o processo de construção de imóveis em dois lotes municipais existentes nas povoações do Sargaçal e de Bensafrim, a que se vai juntar a aquisição de terrenos que serão cedidos para auto

construção, na cidade de Lagos.

Também no sotavento, as campainhas de alarme já se fizeram ouvir. Por exemplo, em Olhão, ainda na última sessão da Assembleia Municipal foi aprovada uma proposta da Câmara de aquisição de um terreno para a construção de habitação a custos controlados.

O terreno em causa, situado no Gaveto da Rua Ginásio Clube Olhanense com a Rua António Henrique Cabrita, tem uma área de 2.500 m2, e será adquirido pelo valor de 670 mil euros.

Na ocasião, o presidente da Câmara, António Miguel Pina, justificou esta e outras medidas do género que, eventualmente, venham a ser tomadas, pela necessidade de “acautelar os interesses daqueles que são naturais de Olhão e aqui pretendem permanecer e não serem ‘expulsos’ da sua cidade devidos ao aumento do preço da habitação”.

Depois de, nos anos da crise, o mercado imobiliário ter estado em ‘baixa’, a atividade voltou a ter grande dinamismo, as empresas da área não têm mãos a medir, ao ponto de muitos consultores imobiliários desabafarem que o seu grande problema com que se confrontam não é arranjar compradores, mas sim angariar casas para vender.

O aumento da procura e a escassez do lado da oferta teve, como é natural, como consequência o aumento dos preços, de uma forma geral, em todo o país, mas com especial incidência no Algarve.

ACIMA DA MÉDIA NACIONAL

Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que, por exemplo, no 4º trimestre do ano passado, o preço médio de venda de alojamentos vendidos no Algarve foi de 1.383 euros por metro quadrado, um valor bem acima da média nacional, que se ficou pelos 932 euros.

De acordo com aquele organismo, a situação é, ainda, mais complicada para quem quer comprar casa nos concelhos de Loulé (1.756 €/m2), Lagos (1.624 €/m2), Albufeira (1.510 €/m2), Tavira (1.398 €/m2), Lagoa (1.379 €/m2) e Vila do Bispo (1.348 €/m2). Também no que diz respeito ao arrendamento, a situação é muito complicada para quem precisa de casa no Algarve. Há pouca oferta e, também aqui, os valores na região estão acima dos do país

Esta situação está a complicar não só a vida das famílias, mas também as das empresas. É que, com a queda da taxa de desemprego, pelo menos no decorrer da época alta, há empresas que não conseguem recrutar no Algarve os funcionários que precisam. A alternativa seria tentar atrair gente de fora da região, mas o problema da escassez de alojamento e dos altos valores do arrendamento eliminam essa possibilidade.

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