Festival de música Al-Mutamid arranca em Lagoa

A 19ª edição do Festival de Música Al-Mutamid arranca dia 25 de janeiro com o grupo de música persa Novan Ensemble (Irão) no Convento de São José, em Lagoa. Este festival irá prolongar-se até dia 23 de fevereiro, com o espetáculo de encerramento a cargo do projeto de música e dança oriental El Laff (Marrocos / Espanha), que terá como cenário o Auditório Municipal de Olhão.

A música que durante séculos inundou bazares, medinas e palácios do Gharb al-Andalus está de regresso com 5 espetáculos diferentes, repartidos por 7 cidades algarvias: Lagoa, Vila Real de Santo António, Loulé, Albufeira, Silves, Lagos e Olhão. Este festival itinerante surgiu no ano 2000, e tem vindo a resistir de forma ininterrupta aos altos e baixos que a cultura no Algarve tem vindo a atravessar, ao longo de quase duas décadas.

A longevidade deste evento, pioneiro e de características únicas na Península Ibérica, está intimamente relacionada com o suporte de um público fiel e ávido em conhecer mais profundamente músicas e danças de raiz provenientes do Médio Oriente, Magrebe e Mediterrâneo Oriental.

Este festival é também uma homenagem ao rei poeta al-Mutamid, filho e sucessor do rei de Sevilha Al-Mutadid. Muhammad Ibn Abbad (al-Mutamid) nasceu em Beja (1040) e foi nomeado governador de Silves com apenas 12 anos, tendo aí passado uma juventude refinada. Em 1069 acedeu ao trono de Sevilha, o reino mais forte entre os que surgiram em al-Andalus após a queda do Califato de Córdoba. Em 1088 foi destronado pelos almorávides e recluído em Agmat, a sul de Marrakech onde viria a falecer em 1095. O seu túmulo, conservado até hoje, tornou-se símbolo dos mais belos tempos de Al-Andalus. Excelente poeta, “al-Mutamid foi o mais liberal, magnânimo e poderoso de todos os taifas de al-Andalus. O seu palácio foi a pousada dos peregrinos, o ponto de reunião de todos os engenhosos, o centro a donde se dirigiam todas as esperanças…” (Ibn Jaqan)

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