Loulé inaugurou recuperação de Palácio Gama Lobo

A cidade de Loulé viu ser inaugurada a obra de reabilitação do emblemático Palácio Gama Lobo, conhecido pela maioria dos louletanos como “Palácio dos Espanhóis”, no sábado, 1 de junho. Uma intervenção que constitui “um trabalho notável do ponto de vista da arquitetura, respeito pelas pré-existências, mas também com a incorporação de novos materiais e de novos elementos”, como realçou o ministro-adjunto e da Economia Pedro Siza Vieira, que participou na cerimónia.

Com um investimento de 1,3 milhões de euros, apoiado por fundos comunitários, este trabalho concebido pelo arquiteto municipal Luís Guerreiro mereceu elogios da parte de todos os que estiveram no espaço que a partir de agora receberá o projeto “Loulé Criativo”, numa clara aposta em aliar a regeneração urbanística e requalificação patrimonial ao desenvolvimento das indústrias criativas e promoção das artes e ofícios tradicionais.

Sob o chapéu comum do “Loulé Criativo”, terão aqui espaço os projetos do Turismo Criativo (que conta com 17 parceiros nas áreas da gastronomia, património, design, artesanato, fotografia, entre outras), nicho considerado já como o “turismo do futuro”; o ECOA, Espaço de Conhecimento, Ofícios e Artes com as valências de residências e oficinas (Oficina do Caldeireiro, Casa da Empreita, Olaria e Oficinas do Relojoeiro e de Cordofones), numa clara aposta na promoção de oficinas criativas; e o Loulé Design Lab, que pretende apoiar a atrair a nova geração de criadores do concelho, com uma grande ligação ao território, às matérias locais e à lógica de sustentabilidade, e das quais já resultaram residências criativas (“Mesa Ajudada” e “Designers de Loulé”).

Como referiu Henrique Ralheta, coordenador do Loulé Design Lab relativamente ao novo espaço, “trata-se de um edifício que irá potenciar todas estas atividades”, com uma área de venda, espaço de workshops, desenvolvimento do “laboratório” e um auditório.

“É muito importante encontrar um destino de uso para estes edifícios antigos e a participação do Design Lab, no contexto do Loulé Criativo, é uma forma também de fazer viver um edifício pela capacidade de usar a inovação, o conhecimento, a formação qualificada de jovens designers de Loulé e de outros pontos do país, que não se limitam a produzir para si mas trabalham com artesãos que estão a recuperar os ofícios tradicionais de uma forma muito interessante”, frisou Siza Vieira. O ministro com a pasta da Economia sublinhou ainda a importância deste espaço para “a atratividade de Loulé”: “uma cidade mais agradável para as pessoas que aqui vivem e mais um motivo de atração, que não só o sol e mar”.

Esta ideia é partilhada pelo autarca louletano que acredita que este polo será, para o Município, “uma oportunidade para surgirem novas atividades e novos empreendedores nas aldeias e no interior do concelho, para que estas zonas tenham a oportunidade de incorporar a cadeia económica do turismo, contribuindo igualmente para manter e inovar as tradições, festejar a identidade e criar um ecossistema favorável à criatividade”.

O Palácio Gama Lobo é um “edifício brasonado, antiga casa nobre, um marco da arquitetura civil de Loulé e um elemento importante na sua expansão e desenvolvimento urbano na segunda metade do século XVIII”, como explicou Vítor Aleixo. Tal como o Solar da Música Nova, que se encontra a poucos metros do Gama Lobo e que também foi recentemente requalificado, acolhendo agora o Conservatório de Música de Loulé com a primeira escola pública de ensino integrado da música a Sul de Lisboa.

No que concerne à salvaguarda patrimonial, além destas duas intervenções, Vítor Aleixo falou ainda da reabilitação do Portal Gótico do Convento da Graça, dos profundos trabalhos de conservação e restauro que estão a ser desenvolvidos na emblemática Igreja Matriz de Loulé e, ainda este ano, o arranque das obras de recuperação e musealização dos Banhos Islâmicos na Zona Histórica, que constituem um dos mais importantes no contexto ibérico.

O presidente da Câmara Municipal de Loulé anunciou ainda que a autarquia contratou os serviços de Vítor Mestre, arquiteto que está incumbido de elaborar um projeto para o Quarteirão Cultural de Loulé, “que resultará numa intervenção arrojada e ambiciosa capaz de colocar a cidade de Loulé na rota nacional dos locais culturais a visitar, obrigatoriamente”.

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