Loulé quer dar continuidade ao projeto Vital Cities

As dez cidades que integram a rede europeia Vital Cities reuniram-se nos dias 19 e 20 de março em Loulé, para o encontro final deste projeto de promoção da atividade física.

Enquanto parceiro líder, Loulé foi o anfitrião deste evento de balanço, no qual os parceiros fizeram um saldo positivo, sobretudo ao nível da troca de experiências e boas práticas.

Combater a inatividade e o sedentarismo em todas as faixas etárias, criar soluções no espaço público que estimulem a população à prática desportiva e quebrar barreiras sociais através do desporto, promovendo ações junto das zonas desfavorecidas, são alguns dos compromissos assumidos pela rede que, para além de Loulé, integrou também Burgas (Bulgária), Cracóvia (Polónia), Budapeste (Hungria), Birmingham (Inglaterra), Vestfold County/Horten (Noruega), Rieti (Itália), Usti Nad Labem (República Checa), Liepaja (Letónia) e Sibenik (Croácia).

Durante esta reunião transnacional, os representantes das cidades tiveram a oportunidade de apresentar a evolução e os resultados dos projetos locais que fazem parte do planos de ação elaborados por cada participante, e que serão documentos orientadores das boas práticas a ser seguidas por todos.

Este projeto financiado pelo URBACT, um programa europeu de aprendizagem e troca de experiências na promoção do desenvolvimento urbano sustentável, teve início em novembro de 2015, aquando de uma reunião, em Loulé, com o núcleo inicial de parceiros das Vital Cities. Em julho de 2016 arrancou a fase de implementação, na cidade inglesa de Birmingham, e esta reunião em Loulé assinalou o encerramento do projeto.

Encontros em alguns dos países parceiros utilizando uma metodologia de ‘deep dives’ (mergulhos profundos) nas cidades com partilha de ideias, troca de experiências, ‘workshops’ ou visitas ao terreno em áreas a ser intervencionadas foram algumas das ações levadas a cabo, com os objetivos comuns de promover o desenvolvimento urbano sustentável, combater a exclusão social através da requalificação dos espaços em áreas residenciais, utilizando o poder e a linguagem comum do desporto por meio de ações urbanas inovadoras, equipamentos físicos diversos e prestação de serviços melhor organizados e pensados para responder às necessidades da comunidade.

Como frisou Twan de Bruijn, ‘lead expert’ das Vital Cities, apesar do encerramento do programa, todas estas ideias irão continuar na maioria das cidades, que se “comprometeram a implementar ações que, de resto, já começaram, não só organizando atividades mas também realizando investimentos, socorrendo-se dos fundos europeus”.

Não obstante as diferenças entre as dez cidades, o responsável salientou a universalidade do projeto. “Apesar de serem todas diferentes e de terem de adaptar-se ao que é exigido/preciso ao nível local, no final as metodologias e o que é aplicado é mais ou menos universal. É também universal a ideia do projeto: as pessoas terem o direito a serem fisicamente ativas e, por outro lado, as cidades oferecerem-lhes a possibilidade de serem ativas”, explicou Twan de Bruijn.

PROJETO-PILOTO EM MARCHA

Por seu turno, Tiago Guadalupe, ‘lead partner’ e coordenador do projeto, fez um balanço positivo destes dois anos e meio de trabalho em rede. “Ao longo deste tempo em que o projeto esteve em vigor conseguimos constituir uma ‘network’ bastante forte. Penso que cada uma das cidades evoluiu bastante e ficou com uma base para fazer e para produzir muito mais a nível futuro”, referiu.

Sobre o próximo passo, Tiago Guadalupe sublinhou que o trabalho é para continuar. Nesse sentido, garantiu que “estão reunidas todas as condições para que seja criado um projeto-piloto ao nível da URBACT, seguindo a filosofia das Vital Cities”. “Loulé tem interesse em perceber aquilo que é feito a nível europeu, as novas tendências etc. O mundo está em constante mudança, enquanto piscamos os olhos ele move-se debaixo dos nossos pés e essa mudança veio para ficar. Temos que tentar acompanhar essa mudança, acrescentar-lhe valor e, de certa forma, adaptá-la à nossa realidade e ao nosso contexto específico” disse o coordenador.

Pedro Pimpão, vice-presidente do Município de Loulé, também salientou a importância do trabalho em rede, particularmente em termos internacionais: “Só através das parcerias é que todos ganhamos modos de vida melhores, mais saudáveis. É aprendendo uns com os outros que evoluímos enquanto entidades públicas e enquanto cidadãos”.

Quanto ao projeto Vital Cities, considerou os resultados “bastante importantes”, nomeadamente no que diz respeito às três intervenções físicas que estão em curso no concelho – requalificação da envolvente aos bairros da Abelheira e Amendoeira e intervenção nas Ruas Stuttgard e Coppingen, em Quarteira, bem como requalificação da envolvente ao Estádio Municipal de Loulé.

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