Moradora junto à praia da D. Ana tem dúvidas sobre enchimento do areal nesta época

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Maria Trigoso, residente há cinco anos na zona da D. Ana, diz à Algarve Vivo que não lhe parece uma “intervenção prioritária face a outros problemas existentes nesta praia, como o esgoto de águas pluviais”. Mesmo assim, confia que os trabalhos a iniciar nesta segunda-feira decorram “sobretudo com a rapidez e eficácia necessárias”, a cerca de dois meses do Verão. Maquinaria e transportes das obras irão impedir o acesso do público à praia de forma temporária.

José Manuel Oliveira

“Não me parece que se trate de uma intervenção prioritária face a outros problemas existentes nesta praia como o esgoto dito de águas pluviais, mas que por vezes traz muito mais do que água da chuva, a correr a céu aberto para o areal com cheiro nauseabundo”, lamentou, em declarações à Algarve Vivo, Maria Trigoso, professora aposentada e residente há cinco anos na zona da Praia da D. Ana, em Lagos, numa primeira reacção ao anunciado início dos trabalhos de alimentação artificial do areal na segunda-feira, 13 de abril, a cargo da Agência Portuguesa do Ambiente e previtos no Plano de Ordenamento da Orla Costeira (Burgau-Vilamoura).

A presença de maquinaria e transportes das obras, além de condicionar o trânsito e a circulação de pessoas naquela área, de acordo com informações recolhidas por Algave Vivo irá contribuir para que a Praia da D. Ana fique de forma temporária completamente vedada ao público já durante esta semana.

Por outro lado, Maria Trigoso está em crer que “é a construção mesmo em cima da falésia de prédios, como o que aqui existe com seis andares ou uma enorme piscina mais à frente e piscinas e outras construções mesmo à borda da falésia, que ajuda à sua queda. Não é a água do mar que vem com grandes marés ou tempestades que chega a tocar nas arribas”. Depois de insistir que “o mar nem sequer chega às falésias à entrada da praia, mas são, isso sim, as águas pluviais que lhes provocam erosão”, Maria Trigoso mostra-se confiante que, apesar de tudo, “as obras que agora vão começar possam decorrer pelo melhor e sobretudo com a rapidez e eficácia necessárias”.

É que, acrescenta, “já ouço pessoas de restaurantes e empreendimentos turísticos dizerem que houve precipitação nesta obra de enchimento do areal da Praia D. Ana e que poderão ter o negócio do Verão estragado, devido a todos os condicionantes ao nível da circulação na zona nesta altura do ano”.

Trabalhos custam cerca de 1.8 milhões de euros e implicarão que a praia “fique condicionada até ao dia 15 de junho”

Depois de terem sido suspensas no ano de 2009 em virtude da necessidade de revisão do projeto, vão finalmente iniciar-se a partir de hoje, como Algarve Vivo já tinha noticiado, os trabalhos de alimentação artificial da Praia da D. Ana, com vista a proteger as arribas da erosão provocada pelo efeito das marés.

A obra, para a qual também só agora foi obtido o visto prévio do Tribunal de Contas relativamente ao contrato da empreitada, terá um custo de cerca de 1.8 milhões de euros e implicará que a praia “fique condicionada até ao dia 15 de junho”, segundo uma nota de imprensa emitida pela Câmara Municipal de Lagos, após encontro realizado sábado passado e onde participaram a presidente Joaquina Matos, o diretor regional da Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve, Sebastião Teixeira, e administradores e proprietários dos empreendimentos de hotelaria e de restauração da zona da D. Ana, os quais tomaram conhecimento do objetivo da intervenção no areal, assim como de eventuais impactos daí resultantes.

Além da divulgação de pormenores técnicos, a reunião, que contou também com a presença do presidente da União das Freguesias de Lagos (São Sebastião e Santa Maria), Carlos Saúde, e de responsáveis da empreitada, visou acima de tudo “evitar possíveis alarmismos” junto de empresários e operadores turísticos a poucos meses do início do Verão, como foi referido à Algarve Vivo.

Areal com mais 40 metros de extensão e criação de zona de segurança junto às arribas

De acordo com os técnicos, na sequência daqueles trabalhos a extensão do areal da Praia da D. Ana, onde é habitualmente hasteada no Verão a Bandeira Azul, distinção anual atribuída a praias pela Fundação para a Educação Ambiental, terá mais cerca de 40 metros, permitindo assim mais espaço para os turistas, bem como a criação de uma zona de segurança considerada imperativa junto às arribas e a proteção da frente de mar.

A empreitada, que dividir-se-á em duas fases, implicará também que os acessos e a circulação automóvel naquela zona fiquem, por isso, temporariamente condicionados.

“Após as ações preparatórias, os trabalhos irão iniciar-se pela construção de uma estrutura de retenção lateral entre a arriba do limite norte da praia da D. Ana e o leixão maior dos Artilheiros, seguindo-se a operação de enchimento da praia por bombagem de cerca de 140 mil metros cúbicos de areia”, refere o comunicado da autarquia. E acrescenta: “ciente de que esta obra irá provocar alguns inconvenientes, mas convicta de que é indispensável para a viabilidade e continuidade da praia da D. Ana como praia de eleição e cartaz turístico de Lagos, a Câmara apela à compreensão e colaboração de todos, no decurso da mesma, e lembra a existência, nas proximidades, de praias de semelhante beleza e que poderão servir de alternativa”.

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