Museu Regional de Faro expõe pinturas de Carlos Porfírio

No âmbito da celebração de mais um aniversário do Museu Regional, que completou 55 anos no passado dia 15 de dezembro, será inaugurada a 5 de janeiro 2018, pelas 18h00, uma exposição em honra do pintor Carlos Porfírio.

A mostra estará patente na sala de exposições da CCDR- Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, no edifício onde se localiza também o Museu Regional do Algarve, até 30 de março próximo.

Carlos Porfírio, considerado um dos maiores pintores nascido no Algarve, esteve na criação do então Museu Etnográfico, aberto a 15 de dezembro de 1962 e rubricou um conjunto de obras representativas do património cultural dos concelhos algarvios.

São algumas dessas pinturas que regressam agora ao seu espaço original e que voltam a integrar o discurso museológico que Porfírio tinha pensado para cada uma daquelas salas.

Vão estar em exibição na sala de exposições da CCDR quadros de temas paisagísticos, temas da arquitetura tradicional e da festividade religiosa.

A iniciativa é organizada pelo Município de Faro e pela CCDR Algarve, com o apoio das autarquias de São Brás de Alportel, Silves, Loulé e Olhão.

QUEM FOI CARLOS PORFÍRIO

Nascido em Faro a 29 de março de 1895 e falecido na mesma cidade, a 25 de novembro de 1970, Carlos Porfírio foi um artista eclético e um homem do mundo: pintor, cineasta, museólogo e etnólogo.

Identificado com o movimento pós-simbolista, partiu para o estrangeiro após a sua primeira exposição, em 1923. Viajou pelo mundo e fixou-se em Paris, onde trabalhou durante vários anos. Conviveu com a intelectualidade francesa, da qual se destacam o pintor Pablo Picasso e a escritora Simone de Beauvoir.

Em 1939 regressou a Portugal e fixou-se em Faro, onde desenvolveu relevante atividade, para além da pintura. Contribuiu para a criação da Alliance Française e do Círculo Cultural do Algarve. Criou, com muitos anos de labor, o Museu Etnográfico de Faro, para o qual expressamente concebeu os mais belos quadros descritivos dos costumes, dos saberes e das crenças do povo algarvio, de toda a produção pictórica nacional.

Foi diretor do Museu que criou e ao qual deu alma através da sua arte de pintor, da sua fina perspicácia de etnólogo e de um sentido profundo de estética, que muito contribuíram para o excepcional resultado museográfico.

Anos após a sua morte, por decisão bastante controversa, a maioria das obras do pintor foi dispersa por vários concelhos do Algarve. Diligências têm sido feitas para conseguir o regresso das obras, sendo de realçar o empenhamento dos historiadores biógrafos de Carlos Porfírio, Teodomiro Neto e Emmanuel Correia, este com um livro sobre o pintor.

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