Nadadores salvadores de Albufeira já preparam a “exigente” época balnear de 2018

Será montado um dispositivo de segurança para a operação de final do ano, tendo cuidados redobrados essencialmente com a forte rebentação das ondas junto da linha de água na orla marítima.

JOSÉ MANUEL OLIVEIRA

A Associação dos Nadadores Salvadores de Albufeira (ANSA) já está a preparar a época balnear de 2018, de abril a outubro, com a necessária formação, numa altura em que perspetiva o próximo ano como exigente e aponta, de novo, para cerca de uma centena o total de profissionais deste sector em serviço nas praias e piscinas de hotéis e aldeamentos turísticos do concelho.

“2018 será exigente, uma vez que se prevê que o crescimento do turismo registado nos últimos anos se possa manter. Em termos gerais, o número de nadadores deverá ser o mesmo, face ao de concessionários existentes, e na sua maioria portugueses. Os jovens estudantes são uma realidade incontornável e cabe também às associações saber integrá-los dentro de uma dinâmica própria das atividades a que são chamados a desenvolver e sempre mantendo a dignidade da função”, diz à Algarve Vivo Jorge Azevedo, vice-presidente da direção da ANSA.

Nesse sentido, o 4º. Congresso Nacional de Salvamento Aquático e Prevenção de Afogamento, realizado a 1 dezembro por aquela associação, teve como principal objetivo fomentar a troca de informação e de experiências a esse nível e apresentação dos resultados do observatório. Por outro lado, Jorge Azevedo realça “todo o dispositivo de segurança que será montado para a operação de final do ano, tendo cuidados redobrados essencialmente com a forte rebentação das ondas junto da linha de água” na orla marítima de Albufeira. Em princípio, estarão envolvidos cinco ou seis nadadores salvadores coordenados por aquela associação.

AINDA HÁ BANHISTAS

Numa altura em que o bom tempo continua a sentir-se no Algarve, há “ainda alguns nadadores salvadores em diversas praias” do concelho de Albufeira, refere, aproveitando para deixar avisos: “Existem muitos banhistas a aproveitarem o bom tempo que se faz notar e são das mais diversas nacionalidades e de todas as idades. Dado o facto de a maioria das praias ter ficado sem vigilância com o fim da época balnear, não existindo sinalética relativa ao estado do mar e mantendo-se bom tempo com temperaturas elevadas, importa relembrar o aconselhamento da Autoridade Marítima Nacional para todos aqueles que ainda pretendam frequentar as praias a adotar uma cultura de segurança e prevenção redobrando os cuidados junto à linha de água.”

FORMAÇÃO

O afogamento surge como a terceira causa de morte por lesão não intencional, a seguir aos acidentes rodoviários e quedas, segundo a Organização Mundial de Saúde. Por iniciativa da ANSA, realizou-se em Albufeira, de 13 a 21 de novembro, o primeiro Curso de Preparação para Nadadores Salvadores a reciclar e sua admissão ao Exame Especifico Aptidão Técnica (EEAT), o qual contou com a presença recorde de 36 elementos. A equipa de formadores foi constituída por Carlos Vieira, Jorge Pancha e José Ilídio.
“Culminou no dia 22 de novembro com a presença dos examinadores do Instituto de Socorros a Náufragos, após
provas de extrema exigência durante todo o dia (escritas e práticas), nas quais se registou uma taxa de sucesso de aproximadamente 95%, o que nos orgulha e incentiva para procurar fazer cada vez mais e melhor em estreita colaboração com o ISN”, sublinha Jorge Azevedo.

VIGILÂNCIA TODO O ANO

Ao mesmo tempo, a Associação dos Nadadores Salvadores de Albufeira considera fundamental garantir a presença destes elementos em zonas de afluência de banhistas fora da época balnear. Por isso, “já estão projetos pilotos no terreno (Praia da Nazaré e praia do Norte – protocolo de colaboração entre Município e a associação) e existe uma forte vontade política para criar condições para que no curto prazo, o mais tardar início de fevereiro de 2018, possamos não falar em épocas delimitadas no tempo, mas sim numa época coincidente com o ano civil”, revela Jorge Azevedo Para tal, o Município de Albufeira estabeleceu um protocolo com nadadores daquela associação.

MENINOS VÍTIMAS EM PISCINAS E TANQUES

Segundo registos do Instituto Nacional de Socorros a Náufragos, Instituto Nacional de Estatística, da Associação para a Promoção da Segurança Infantil e da comunicação social, “a maioria dos afogamentos em Portugal ocorre em crianças do sexo masculino e em piscinas e tanques.” As maiores ocorrências em adolescentes verificam-se em praias e também em piscinas e tanques, de acordo com a informação oficial.

434 SALVAMENTOS ATÉ 14 DE SETEMBRO

“O afogamento não tem tido consequências mais graves em virtude quer da boa preparação dos nadadores salvadores, os quais garantem uma boa prevenção, assim como da sua garantia através de uma eficaz intervenção em que muitas das vezes colocam a sua vida em perigo para evitar males maiores. Segundo dados da Autoridade Marítima Nacional, até 14 de setembro de 2017, já estavam registados 434 salvamentos. Registaram-se 640 primeiros socorros e ocorreram buscas por crianças 44 vezes”, afirma Jorge Teixeira.

RIOS E BARRAGENS ‘ESCONDEM’ RISCOS

“Em termos de praias fluviais, onde estão inseridos os rios, barragens, etc., apresentam perigos e riscos sob uma superfície aparentemente estável e calma”, alerta o nadador salvador. E acrescenta: “É que nos rios a água corre ininterruptamente, influenciando os leitos, as configurações, o estreitamento das margens e caudais. Há por isso a formação de ondas, remoinhos, retornos, rápidos e contra correntes.”

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