“Trabalho para levar Portugal mais longe”

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Sandra Correia conta à ‘Algarve Vivo’ como nasceu a Pelcor, empresa sedeada em São Brás de Alportel que produz acessórios de moda em cortiça. Malas, carteiras e até guarda-chuvas são produzidos por mãos algarvias e estão, desde 2003, a conquistar mercado em países europeus, mas também no Japão e nos EUA.

Texto: Irina Fernandes

A vila algarvia de São Brás de Alportel está a posicionar-se, dia após dia, além-fronteiras. Tudo graças a uma mulher de raízes algarvias: Sandra Correia, presidente executiva da Pelcor. Criada em 2003, a empresa produz e vende acessórios de moda em cortiça. À Algarve Vivo, Sandra Correia, que é hoje uma empresária de sucesso, recorda como e quando nasceu a ideia de investir nesta área de negócio.
“Represento a terceira geração de um negócio de família. Tudo começou com o meu avô, depois passou para o meu pai e, agora, o negócio está comigo. A nossa empresa mãe, que é a Nova Cortiça, faz a produção e preparação de discos da cortiça para as rolhas de champanhe. Esse é o grande negócio da família. Em 1999, como se falava na viragem do Milénio, eles estimavam vender muitas garrafas mas o que aconteceu é que colocaram à venda as garrafas com preços altos e isso fez com que ficássemos com o ‘stock’ em casa. Tivemos que encontrar uma solução e foi assim que nasceu a Pelcor”, conta.
“No fundo, a Pelcor nasceu nessa época como uma resposta a um momento menos bom do setor”, lembra a empresária. “A empresa foi criada nessa altura para podermos utilizar a matéria-prima que tínhamos a mais em casa”, explica.
Sandra Correia, que aproveitou a fábrica de cortiça do pai, admite que a ideia de apostar em acessórios de moda em cortiça não foi a ideia inicial que projetou para a marca. “A Pelcor nasce como uma marca não voltada ainda para os acessórios de moda. Nasceu, sim, para dar a conhecer o que se poderia fazer com cortiça e, sobretudo, como uma marca de artesanato. Ao longo deste período e sobretudo nos últimos 30 anos, crescemos. Criámos um gabinete interno de design, a marca tem vindo a posicionar-se como uma marca ‘premium’ e como uma marca de acessórios de moda e para vingar no mundo”, salienta.

Loja em Lisboa
Com uma loja em São Brás de Alportel e uma em Lisboa, a Pelcor oferece, desde 2003, um catálogo de produtos inovadores para casa, escritório e acessórios de moda, com uma forte ligação ao design e à criatividade. À venda estão malas, carteiras e até guarda-chuvas.
As preferências dos clientes, essas, diz Sandra Correia, são diferenciadoras. “De forma geral, o público português procura as malas e a coleção que designamos por ‘Essentials’ que são os bens essenciais do dia-a-dia. Tem o preço médio na ordem dos 100 euros. Já o público estrangeiro procura os modelos que lançamos por estação seja malas, carteiras, guarda-chuvas. Procuram as cores, os diferentes modelos. O preço médio, aqui, é de 200 euros”, revela.

Estrangeiros são clientes
No que diz respeito ao consumo no Algarve, Sandra Correia conta que o “cliente estrangeiro” é quem mais procura os produtos da Pelcor. “O cliente do Algarve é, sobretudo, um cliente estrangeiro. Se for cliente que mora na região e português, esse enquadra-se nos consumos que tem o público português em geral. Se for um cliente estrangeiro mas que vive no Algarve, esse tem um maior poder de compra e tem o hábito de adquirir peças mais caras e aquelas que estão incluídas nas coleções que apresentamos nas diferentes estações. Nota-se essa diferença. Aqui em São Brás de Alportel, temos muitos turistas e são eles que representam a maioria dos nossos clientes”.

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Internacionalização
O processo de internacionalização da Pelcor – que já criou uma linha exclusiva para Madonna, quando a artista esteve em Portugal em 2008 – teve arranque no ano de nascimento da marca, 2003, mas continua até aos dias de hoje em expansão. “Começámos a exportar logo em 2003. Neste momento, os principais países para onde exportamos são os EUA, o Japão, Alemanha, Suíça, Bélgica, Holanda”, diz para ainda acrescentar que “esporadicamente vendemos para o Brasil para o Dubai, Suécia e Rússia”.
Para Sandra Correia, o sucesso da marca prende-se não só com a aposta na matéria-prima, a cortiça, mas também nos valores representados pela Pelcor. “No início, as pessoas ficavam muito espantadas por termos produtos de cortiça. Mas atualmente, a empresa vende o conceito da marca. As pessoas quando veem os modelos da marca já não compram por ser cortiça mas, sim, por ser um produto diferenciado e que transmite um legado. Isto é, a Pelcor representa um legado histórico ligado à cortiça, é uma empresa geracional, e vende-se por todas as emoções que o produto traz”.

Prémio Melhor Empresária da Europa
Vencedora do Troféu de Melhor Empresária da Europa 2011, atribuído pelo Parlamento Europeu e Conselho Europeu das Mulheres Empresárias, a algarvia garante que não trabalha para ganhar prémios. Aconteceu, fiquei muito contente. Mas apenas trabalho para que a minha marca e a minha empresa tenham sucesso, e para que eu possa contribuir para a sustentabilidade económica da minha região, que é o Algarve, e do meu país, que é Portugal. Trabalho para levar Portugal mais longe. Se, como fruto do meu trabalho e do da minha equipa, tiver esses méritos, fico feliz”.

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Algarve tem a melhor cortiça
O Algarve é, a par do Alentejo, a região do país que apresenta cortiça de qualidade exemplar. “O que distingue a cortiça de São Brás ou da Serra do Caldeirão é a qualidade. A cortiça da Serra do Caldeirão tem mais qualidade. É mais fina e mais delgada. O facto de ser delgada dá-lhe uma qualidade única. É mais limpa. Se for uma cortiça do Alentejo é mais grossa, e tem poros maiores porque é mais grossa de natureza”.

 

Meio milhão de euros de volume de negócios
Com um volume de negócios na ordem de “meio milhão de euros”, a Pelcor prepara-se para apresentar ao público novos produtos. “Vamos lançar já em março a nossa coleção primavera-verão deste ano que será muito baseada nas cores rosa e no azul. E depois estamos a fotografar já a coleção de outono-inverno deste ano, que vai ser apresentada nas feiras internacionais em fevereiro de 2015. São modelos novos e com novas cores e materiais, mas não haverá um modelo novo que sai fora do habitual”, revela Sandra Correia à Algarve Vivo.
Para 2015, a marca tem novas metas empresariais que pretende alcançar. “Neste momento, estamos a investir nos EUA e a desenvolver a Austrália”, diz. “Abrir uma loja nova em Lisboa e abrir uma segunda em Nova Iorque são desejos que vamos concretizar, é aquilo que está definido na nossa estratégia”, sublinha.
Apesar do êxito conquistado no estrangeiro, Sandra Correia assume que não abandonará São Brás de Alportel. “A Pelcor é uma Pequena Média Empresa. Foi aqui que nascemos em São Brás de Alportel e é aqui que pretendemos mantermo-nos”.

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