‘Apagão’ e tempestades recordam importância das emissoras locais

Foi em abril do ano passado que um ‘apagão’ fez disparar todos os alarmes na consciência de responsáveis políticos e técnicos para as debilidades de Portugal a vários níveis, depois de o país ter ficado sem eletricidade e comunicações durante cerca de dez horas. Sem luz, nem rede móvel, também a voz das rádios foi ‘apagada’, exceto a das nacionais que dispõem de geradores.

A nível local e regional, faltou comunicação das autoridades que, rapidamente, perceberam a importância de equipar as rádios com geradores, que permitam a continuidade da emissão em situações de emergência ou catástrofe, de modo a que possam ser comunicados conselhos e alertas às populações.

No nosso concelho, a Rádio Lagoa também ficou sem ‘pio’, mas essa será uma situação que está a ser resolvida pela Câmara Municipal, que prometeu, na altura, apoiar a emissora com os geradores necessários. As tempestades registadas nos últimos dias, vieram despertar para a necessidade de manter em aberto vários canais de comunicação das autoridades e prevenir situações mais extremas, como a registada a 28 de abril de 2025.

“No apagão, a Rádio Lagoa foi uma das muitas que, em todo o país, ficou privada de emitir. Mesmo após o restabelecimento da energia elétrica e apesar de termos tomado todas as precauções no retorno da energia, tivemos alguns problemas a nível informático e, só ao fim de alguns dias, é que foi possível estabilizar a situação”, recorda ao Lagoa Informa António Batista, responsável e sócio gerente da emissora.

“No dia do apagão, recebemos a visita do presidente da Câmara Luís Encarnação, que se inteirou da inviabilidade de podermos emitir comunicados e orientações à população. Nessa altura, o presidente ficou sensibilizado para a necessidade de, em parceria com a Proteção Civil local, criar condições para que a emissão não parasse, adquirindo para o efeito os indispensáveis geradores. Ficou acordado que um técnico da Câmara iria deslocar-se às instalações da rádio para se inteirar das condições necessárias para se implementar o processo de aquisição e instalação dos geradores”, explica.

“Estamos a aguardar que um técnico designado pela Câmara se desloque à rádio para fazer o levantamento das necessidades e que o processo de aquisição avance”, refere.

Com as tempestades dos últimos dias, que tiveram também algumas consequências no concelho e provocaram danos, este será um tema, entre outros, que voltará a estar em cima da mesa.

Obrigação do Estado
Ao Lagoa Informa, António Batista recorda ainda que 1999 esta questão dos geradores esteve na agenda do Governo de então. “O Estado Português iniciou nesse ano, em conjunto com a Associação Portuguesa de Radiofusão, um programa com o objetivo de comparticipar a aquisição de geradores para as Rádios locais, reconhecendo o seu papel estratégico no sistema de Proteção Civil, mas tudo foi interrompido no ano 2000.

Os últimos contactos com o Governo sobre estas matérias decorreram no final de 2022, com a Secretaria de Estado da Proteção Civil, mas, apesar de ter sido esboçado em novo protocolo, infelizmente, acabou por não ter sido fechado. Recentemente, em setembro, a APR contactou as rádios para saber as localizações dos emissores e estúdios para fazer um levantamento das necessidades para alegadamente voltar a colocar novamente esta questão ao Governo. Mas até hoje nada aconteceu”, lamenta.

“Gostaria de recordar aquilo que já foi sobejamente referido, que o apagão do ano passado, ocorrido em Portugal e Espanha, veio demonstrar que o meio de comunicação rádio ainda é o mais eficaz para chegar junto das populações, quando o fornecimento da energia elétrica entra em colapso”, afirma António Batista.

Certo é que, à semelhança de outras áreas de intervenção relevantes, terão de ser as Câmaras Municipais a assumirem este compromisso dos geradores, sob pena de, num futuro acontecimento, voltarmos a viver os mesmos dramas ao nível da comunicação.

Dificuldades aumentam
As rádios locais e regionais continuam a desaparecer e um dos exemplos mais emblemáticos foi o fim da Rádio Fóia. Com o avançar do tempo, as dificuldades aumentam também em Lagoa. “Tal como as restantes rádios locais, as principais dificuldades com que nos debatemos, estão relacionadas com a falta de publicidade, único meio de subsistência, seja de privados, seja de publicidade institucional.

Para minimizar a situação, uma intervenção do Estado seria necessária através “da atribuição equitativa da publicidade institucional às rádios locais e o reconhecimento do serviço público que as mesmas prestam diariamente às populações onde estão inseridas, como por exemplo no apoio às fundações, associações e instituições locais”, explica, acrescentando também que não compreende “porque razão as rádios locais ainda estão excluídas dos tempos de antena para as eleições legislativas, presidenciais e europeias”.

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