Portimão apela à preservação das cantarias manuelinas no Jardim Gonçalo Ribeiro Telles

A Câmara Municipal de Portimão vai promover uma campanha de sensibilização da população para a importância de preservar as cantarias manuelinas da antiga Quinta dos Morais, visitáveis na sua localização original desde a inauguração do Jardim Ribeiro Telles, um espaço verde público ao ar livre construído junto ao Mercado Municipal de Portimão.
No início do projeto desta área verde, a autarquia definiu que as cantarias, consideradas um relevante património, resistente à passagem dos anos, ficariam instaladas numa estrutura própria, visitável por toda a comunidade, de modo a preservar e a tornar acessível a todos este elemento da memória histórica e arquitetónica de Portimão.
No entanto, nos últimos meses, as estruturas e as cantarias têm sido alvo de sucessivos atos de vandalismo, incluindo inscrições, pichagens, riscos e deposição de resíduos. As ocorrências obrigaram à realização de várias ações de conservação e manutenção destinadas à recuperação das superfícies pétreas e da estrutura metálica envolvente.
Estes trabalhos têm sido efetuados pela equipa de conservação e restauro do Museu de Portimão, nomeadamente por Andreia Romão, sempre que se verificam danos e atos de vandalismo. A monitorização inclui a avaliação do estado de conservação e a realização de testes prévios, sendo depois efetuada a remoção controlada de grafitos e inscrições, a limpeza das superfícies e a aplicação de produto de proteção anti-graffiti.
Utilizando sempre materiais e produtos adequados para não danificar o conjunto expositivo, apesar das intervenções que têm sido efetuadas tenham sempre permitido repor as condições iniciais da estrutura e das janelas manuelinas, novas ocorrências foram registadas pouco tempo depois, o que obriga a novas ações de limpeza e a repetição de todo o processo.
Com vista a evitar estes comportamentos que prejudicam um elemento do património local, exposto ao ar livre e acessível a todos, o Município de Portimão promove agora uma campanha com o objetivo de sensibilizar a população, disponibilizada em diferentes suportes de comunicação. A intenção é apelar para que todos contribuam para a preservação deste importante conjunto.
Na verdade, a proteção deste património depende de quem zela para que o mesmo mantenha a sua integridade. Para além da monitorização da equipa do Museu e das ações de conservação sempre que se revele necessário, manter este património depende também da forma como a comunidade reconhece o valor do espaço e dos elementos, apropriando-se positivamente destes testemunhos do passado e participando ativamente da sua salvaguarda.
Recorde-se, a este propósito, que os elementos em questão remontam ao século XVI, sendo um símbolo arquitetónico daquela época e, em paralelo, da história da cidade. Estas ocorrências, representam uma ameaça à preservação deste conjunto, obrigando ao esforço e gastos financeiros imputados à equipa de conservação e restauro do Museu de Portimão, que poderiam ser direcionados para outras ações de valorização e conservação do património municipal.
Por esta razão e para que este património continue a subsistir na memória de todos, esta ação de sensibilização pretende mostrar à comunidade o valor histórico destes elementos, sobretudo junto das gerações mais jovens, promovendo o conhecimento, a pertença e a responsabilidade partilhada pelo património cultural. São registos de um lugar, de uma época e de um quotidiano diferente do atual. Viver o presente, significa respeitar o passado, deixando um legado para o futuro, sendo, por isso, essencial o contributo de todos.

