Alexandre Bernardo é a nova esperança do badminton

in Lagoa Informa Jornal nº168


Tem apenas 13 anos, compete no escalão sub-15 e, às vezes, no sub-17, sendo já uma das revelações da modalidade na ACD Che Lagoense. Foi agora selecionado para integrar a comitiva portuguesa que disputará o ‘Cyprus Youth International 2021’, entre 16 e 19 de dezembro. Em entrevista ao Lagoa Informa, antes do estágio de preparação e desta viagem para o Chipre, confidencia que no horizonte está a participação nos Jogos Olímpicos, onde consiga o feito inédito de ganhar pelo menos um jogo naquele que é o maior evento desportivo do mundo.

Como se sente ao ser escolhido para representar Portugal nesta competição?
Estou entusiasmado, claro! É a primeira vez que represento a seleção nacional fora de Portugal. Já fui a vários internacionais, mas nunca a representá-la. A seleção é algo que todos os outros atletas desejam. Estou num lugar onde muitos queriam estar e é um privilégio.

Disputará vários jogos?
Vou participar nas provas singular homem e par misto. Começamos com um jogo por cada prova e funciona por eliminatórias. Antes desse torneio que decorre em três dias, há sempre um estágio, que serve de preparação, onde se treina sozinho e com o par. Nas provas damos tudo por tudo.

Qual é o seu objetivo neste torneio?
É puxar por mim ao máximo e chegar aos quartos de final pelo menos nas duas provas. Tendo em conta que é um internacional, sei que há jogadores bons, que estão ali com os mesmos objetivos que eu. Se calhar, um deles até quer um primeiro lugar… tenho que ter em conta que há ali jogadores muito bons.

Quais são os seus pontos fortes?
No badminton, em termos técnicos, podemos dizer que é a minha resistência e consistência no jogo. Ou seja, tento não terminar logo a jogada. Como tenho uma boa resistência, consigo mantê-la até que o meu adversário se canse e falhe o volante. Tenho vários tipos de jogo diferente que uso para cada jogador.

Analisa o adversário antes?
Analiso todos os jogos, desde o jogador mais fraco ao mais forte, para ter uma perceção do que fazer contra ele.

E é autocrítico também?
Tento sempre melhorar os meus erros. Também mostro os meus vídeos aos treinadores, onde vemos as falhas, para corrigi-las e tornar-me melhor jogador.

A Che Lagoense é um clube com nome no badminton. Sente-se contente por representá-lo?
Sim. Acho que não podia pedir mais. A Che Lagoense sempre me apoiou, sempre me quis dar as melhores condições para treinar. Não só a mim, mas a todos os atletas. Sinto-me super feliz neste clube.

A participação nos torneios implica treinos e viagens. Como concilia com os estudos?
Neste momento estou no 9º ano e é mais fácil graças ao apoio da Unidade de Alto Rendimento na Escola (UARE) e do professor Rui Ferreira, que sempre me ajudou nestas situações, pedindo para mudar datas de testes ou de trabalhos, sempre que fosse necessário. Antes contava com a ajuda dos meus pais para conciliar a escola com o badminton.

E já escolheu que profissão quer ter?
Escolho continuar no badminton sim, mas não como profissão. Se fosse para isso, não continuava cá em Portugal, porque não há condições [de sustento] para atletas de alto rendimento na modalidade. No 10º ano, quero seguir economia e depois quero ser engenheiro informático, pois desde pequeno que gosto de informática e de ‘mexer’ em computadores.

Então está nos seus objetivos continuar a praticar badminton?
A longo prazo, se Deus quiser e eu continuar a trabalhar assim, tenho objetivos bem longos com o badminton. Não tenciono desistir tão cedo! Tenho uma carreira pela frente. O meu objetivo é ganhar um jogo nos Jogos Olímpicos, para fazer história aqui em Portugal, visto que nunca ninguém ganhou uma partida. É uma meta para o futuro.

Como começou o percurso no badminton?
Foi com as férias desportivas, na Che Lagoense, devia ter sete anos. A modalidade fazia parte das atividades. Na altura, a treinadora era a Dalila. Ela olhou para mim, disse que tinha jeito e convidou-me para o primeiro treino. Correu tudo bem. A partir dai comecei a gostar e acabei por seguir esse caminho.

A evolução foi grande, num relativo curto espaço de tempo. Qual é o ponto de situação agora?
Os escalões são subdivididos por anos e o atleta fica dois anos em cada um. Neste caso, tenho 13 anos e faço os 14 este mês, por isso, na próxima época subo aos sub-17. No final de 2022 tenho os 15 anos e, como só se pode integrar os sub-15 até aos 14, subo ao escalão seguinte. Sempre tive a desvantagem de integrar um escalão, tendo menos um ano do que os outros atletas, o que não facilita. Podemos dizer que fica um bocadinho desequilibrado. Já fiz, porém, parte da seleção em sub-17, no último torneio, e agora integro de novo a seleção como sub-15.

Competir um escalão acima é uma das dificuldades?
Sempre me esforcei. Sempre fui treinando para, mesmo não tendo essa idade, tentar chegar a esse nível.

Quantas horas treina por dia?
Tenho treinos diários de duas horas ou bidiários de quatro horas, duas de manhã e duas à tarde, na Escola Básica do Rio Arade e no pavilhão da Che. Durante a semana, treino de segunda a sexta-feira, e, de vez em quando, quando não há torneios, os treinadores marcam treinos para o sábado, sempre de duas horas. O horário só muda, com menos meia hora se for antes dos torneios, para descansar.

Como foi a adaptação à pandemia?
Quando começou, os treinos foram cortados. Fui obrigado a treinar com o meu pai, que também é um excelente treinador, não de badminton, mas de natação, e que me ajudava na componente física. Entrámos na escola online, o que foi difícil devido à carga horária e de trabalhos. O segundo confinamento já foi mais fácil e, apesar dos treinos terem sido cortados de novo, foi por menos tempo. Voltámos aos treinos com testes negativos.

Foto: Duarte João

Sentiu dificuldade na retoma dos treinos?
É totalmente diferente. Na altura, senti que tinha perdido um ‘bocadinho’ de técnica nalgumas partes dos treinos, mas foi uma questão de recuperar e até melhorar, nunca desistindo. Os meus treinadores sempre me ajudaram e estiveram sempre lá para mim.

Padrinho também foi ‘craque’ do badminton

O tio materno, padrinho de Alexandre Bernardo, está no estrangeiro e, muitas vezes, vê os jogos que a Federação Portuguesa transmite online com o atleta. “Seguem os jogos, cada um no seu computador, veem no que esteve bem e menos bem e analisam as falhas dos adversários. O curioso é que o Alexandre não sabia que o meu irmão tinha sido jogador de badminton na ACD e que pertenceu à seleção. Nunca tínhamos falado sobre isso e foi engraçado ele ter optado pela mesma modalidade que o tio e padrinho”, conta Tânia Bernardo, mãe do atleta.

UARE é uma grande vantagem

Alexandre Bernardo é um aluno que, quase sempre, integra o quadro de excelência. Tem capacidade de se organizar para conciliar os estudos com os treinos. Há três anos que integra a Unidade de Alto Rendimento na Escola (UARE), que o ajuda a manter as fasquias altas tanto no desporto como nos estudos. “A Unidade veio ajudar muito, porque os professores estão mais sensibilizados para a situação destes alunos atletas. Não estamos a dizer que são privilegiados, mas que há um adaptar das realidades”, explica Tânia Bernardo. O aluno pode pedir para alterar datas de testes ou de entrega de trabalhos, quando tem uma competição na mesma altura. Até aqui, Alexandre nunca pediu e só o fez este ano, porque esteve em estágio, o que o obrigou a faltar vários dias durante a semana. No próximo sábado segue para uma competição nas Caldas da Rainha, “os colegas da Che voltam, ele fica a fazer o estágio, depois viaja para o Chipre e só volta dia 20 de dezembro”, descreve a mãe, que se considera a maior fã e garante que o atleta tem o apoio incondicional dos pais. Também os treinadores Carlos e Dalila, atual coordenadora de treinadores no clube, têm sido pilares para Alexandre Bernardo. “A Dalila consegue ver o que precisam, adapta e está sempre pronta a ajudar. O clube apoia também como pode, assim como o município, com os pedidos de transporte para as competições. O Alexandre tem ainda um apoio da Forza, marca de equipamento desportivo. Tenho muito orgulho no percurso que ele está a fazer e, acho que, ele consegue muitas coisas porque é muito dedicado e focado”, conclui Tânia Bernardo.

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