Dessalinizadora aproveitará água tratada para rega em Portimão

A pretensão de criar uma dessalinizadora na nova ETAR da Companheira é antiga, mas ainda não tomou forma. No entanto, o projeto já tem bases para ser concretizado pela Empresa Municipal de Águas e Resíduos de Portimão (EMARP) apesar de ter ficado assente que seria uma responsabilidade da Águas da Algarve, conforme apurou a Algarve Vivo.

Esta foi uma empreitada que o recém reformado João Rosa, até setembro diretor-geral da EMARP, sempre defendeu, pois aproveitará água tratada, imprópria para entrar na rede de abastecimento, para a rega de espaços verdes públicos, campos de golfe e particulares com jardins. A reutilização foi, aliás, considerada uma prioridade, aquando uma visita técnica à construção da ETAR, em maio de 2017, mas não chegou a ser concretizada em tempo útil.

A intervenção pode representar um aproveitamento, no limite, de um caudal diário de 47 mil metros cúbicos, para a rega, que servirá, no futuro, os concelhos de Portimão, Monchique e Lagoa.

No entanto, há “vários problemas de intrusão na água que chega à ETAR. Fomos isolando a rede de esgotos, mas ainda chega lá alguma, pois não há sistemas estanques. O teor do mar anda à volta de 30 ou 40 mil miligramas de sal por litro. Lá chega cerca de dez por cento e é preciso retirar esse sal”. É por esta razão que a criação de uma dessalinizadora é fundamental. “Não terá um grau tão apurado como outras, mas a água sairá pura. Em paralelo, avançámos também com uma segunda rede, já feita em grande parte, mas que terá de ser alargada, e que servirá para abastecer essa água a quem tem jardins, vivendas e aos espaços verdes”, explicou João Rosa.

Ou seja, no caso dos particulares, seja campos de golfe ou vivendas com jardins, haverá um segundo contador, bem como uma segunda rede de abastecimento, que funcionará em simultâneo à principal, mas que fornecerá águas diferentes. É que a que é tratada para rega é imprópria para consumo humano.

Nessa visita técnica há quase quatro anos, o vice-presidente da Câmara Municipal de Portimão à data, Joaquim Castelão Rodrigues, alertava para a necessidade desta obra, até porque já estava a ser feito um forte investimento no subsolo, a nível desta rede de rega. Também João Rosa, diretor-geral da empresa municipal à data, sublinhava que, mesmo que o abastecimento tivesse custos para o utilizador final, deveria ser aplicado um tarifário mais barato, uma vez que as pessoas iriam ter acesso a uma água reutilizada, mas que seria uma mais-valia, tendo em conta um futuro que se prevê com escassez deste recurso natural. Ainda para mais, essa água não é valorizada nem aproveitada. É deitada fora. Os custos a aplicar seriam, sobretudo, para pagar a infraestrutura que permitirá reutilizá-la.

Há também alguns campos de golfe do Algarve que foram licenciados nesta perspetiva de utilização, por isso, e visto que estes são grandes consumidores de água, esta seria uma medida muito importante face às alterações climáticas que se estão já a sentir.

A verdade é que, para João Rosa, que esteve cerca de 20 anos à frente da EMARP, as “decisões relacionadas com a água têm que ser tomadas com dez anos de antecedência, porque são obras que demoram muito. A dessalinizadora é um processo caro, mas, depois, a longo prazo, tornar-se-á rentável”.

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