Miguel Oliveira e Superbikes elevam o património de Alvor

Texto: Hélio Nascimento | Foto: Portimão Jornal
“Esta vai para o meu museu. Que grande satisfação!”, exclama Diogo Santana, durante a curta conversa que teve com o Portimão Jornal, exibindo a tampa do depósito da sua moto que Miguel Oliveira acabara de autografar, em plena zona ribeirinha de Alvor, no decorrer de uma jornada de convívio da população local, nomeadamente dos pescadores, com alguns pilotos das Superbikes.
Adepto de Miguel Oliveira e das motos, Diogo, que é funcionário da Santa Casa da Misericórdia de Alvor, já tinha no bolso o bilhete para o paddock do Autódromo Internacional do Algarve, para assistir à corrida do Mundial de Superbikes.
“Também acompanhei sempre as corridas de Moto GP. Sou um entusiasta pelo motociclismo e tenho uma BMW S 1000 RR, precisamente igual à do Miguel Oliveira”, adianta, feliz da vida e de novo a olhar, encantado, para o autógrafo do piloto português, algo que, garantiu, vai ficar guardado para sempre na sua memória.
Esta e outras histórias alimentaram a manhã de 26 de março, nas vésperas das máquinas começarem a acelerar no Autódromo, com Miguel Oliveira, naturalmente, a concentrar todas as atenções. Acompanhado pelo compatriota Tomás Alonso (Yamaha), piloto da ‘Miguel Oliveira Team’ que disputa a categoria Sportbike, e dos italianos Yari Montella e Lorenzo Baldassarri, ambos da Ducati, o mais aclamado de sempre dos motociclistas portugueses tirou fotos e selfies com o público, cumprimentou empregados dos restaurantes, distribuiu autógrafos, ouviu as explicações sobre os costumes da freguesia e ainda teve tempo para prestar algumas declarações aos jornalistas.
“Gosto de todo o peixe. O português tem boa boca, não é?”, gracejou Miguel Oliveira ao nosso jornal, na zona dos armazéns onde labutam os homens do mar, junto à sede da Associação de Pescadores Profissionais de Alvor. Mais a sério, destacou a importância de “contactar com a comunidade local e de perceber o que está por detrás da montra de peixe”, aludindo às técnicas de pesca. “Já conhecia Alvor, faço férias na região e até posso dizer que nos arredores de Portimão conheço quase tudo, mas para os outros pilotos é uma experiência muito gira”.
Aprender com a doceira e colocar a ‘mão na massa’…
A iniciativa, da Câmara de Portimão e do Autódromo, permitiu perceber a ligação histórica da freguesia de Alvor à pesca, bem como as técnicas e tradições associadas à faina marítima, seja através do ‘aparelho’ ou dos ‘cofres’, como Nelson Caracol, vice-presidente da Associação de Pescadores, tão bem resumiu aos presentes. Sempre atentos e curiosos, os pilotos e restante comitiva das Superbikes deslocaram-se depois ao Centro Interpretativo do Salva-Vidas de Alvor, onde ouviram explicações sobre o apoio a naufrágios na região.
“Tudo isto é muito importante para o turismo local e para a valorização do pescado. Vem muita gente de fora ver a competição e há mais procura nos restaurantes”, assume Nelson Caracol, natural da vila e pescador de toda uma vida.
“Gosto muito de motos e fiquei ainda mais ligado à modalidade a partir do momento em que o Miguel Oliveira entrou no Moto GP”, adianta, traçando então um paralelismo curioso – tal como nas corridas, o barco de pesca também quer ser o primeiro, neste caso a chegar a terra, para que o seu pescado seja o mais valorizado na lota.
A visita terminou, precisamente, na antiga lota, onde o destaque começou por ser o doce fino. Sob o mote ‘As mãos que moldam a tradição’, os pilotos foram mesmo convidados pela doceira de serviço a colocar a ‘mão na massa’, literalmente, algo que os italianos Montella e Baldassarri fizeram com prazer. Miguel e Tomás também provaram a iguaria e depois passaram à secção de outras especialidades, em que a ostra da Ria de Alvor teve papel principal, numa mostra a cargo da Escola de Hotelaria e Turismo de Portimão.
Miguel Oliveira revelou mais uma vez ser um verdadeiro e digno embaixador do país, e, neste caso, do Algarve e de Portimão, ajudando a divulgar e elevar o património de uma vila agora mais do que nunca ligada ao espetáculo das duas rodas. Em ‘troca’, aumentou a motivação rumo a um fantástico fim de semana em pista, com o terceiro lugar nas corridas e a subida ao pódio!
Também presente no evento, Álvaro Bila, presidente da Câmara, mostrou orgulho em “vermos de novo as Superbikes na nossa grande pista”, confessando ao Portimão Jornal ter um gosto particular pelas motos, algo que vem desde os 16 anos, quando teve a primeira motorizada. Depois, com a vida de casado, mudou naturalmente de meio de transporte. Sobre esta manhã no Alvor, a satisfação manteve-se.
“É importante que os pilotos e a imprensa conheçam estas tradições, que saibam o que é feito pelo povo de Portimão”, referiu, convicto de que a mensagem vai continuar a passar, mundo fora.





