‘Palacete 10’ em Portimão dá oportunidade a artistas de mostrarem talento

Texto: Rafael Duarte, in Portimão Jornal nº37


Exposições de artesanato ou fotografias, apresentações de livros, workshops, tertúlias e reuniões são algumas das atividades preparadas para quem visita o ‘Palacete 10’. Filipa Mimoso e Sérgio Antão são um casal de arquitetos que deu vida a um edifício histórico, situado na Rua do Colégio, no centro de Portimão. Chegou a estar ligado à venda de frutos secos e agora é um novo espaço cultural na cidade.

O edifício tem mais de 100 anos e atravessou várias gerações da família de Filipa Mimoso. Foi construído por Francisco Alvo e chegou à posse do trisneto João Alvo, primo da arquiteta, que foi quem lhe vendeu o espaço.

“A minha ideia, inicialmente, era fazer uma olaria porque estive sempre ligada à arte, mas alguns amigos fizeram-me mudar de ideias. Aconselharam-me a abrir um espaço para exposições onde englobasse vários tipos de arte e assim foi”, confidencia ao Portimão Jornal.

O ‘Palacete 10’ abriu portas no Verão deste ano e o primeiro evento, em agosto, foi o mote para o início desta história. “Correu muito bem e voltámos a organizar uma grande iniciativa pouco tempo depois, em setembro, à qual chamámos ‘Adeus ao Verão’”, diz a arquiteta.

Foi uma estreia positiva, mas que até estava preparada para ser bem antes. “Queríamos abrir portas em 2019. Já tínhamos tudo pronto para fazer o primeiro evento no Natal, mas veio a pandemia e ficámos estes dois anos à espera da melhor oportunidade”, lamenta a responsável pelo projeto.

Promover o artesanato e a cultura portimonense
A recuperação do imóvel está a ser feita aos poucos, pretende respeitar o espaço original e conservar as madeiras, portas, estuques, ferragens e o chão.

“O nosso objetivo é criar um local aberto a todos os que queiram partilhar experiências artísticas e que sintam que o nosso espaço as acolhe”, explica Filipa Mimoso. É isso que tem sido concretizado durante estes curtos meses de existência do projeto, que junta vários artistas portimonenses em eventos pontuais, mas que também tem ‘emprestado o local’ para apresentações de livros, sempre com música ao vivo. “Queremos promover o que se faz em Portimão de artesanato e cultura”, afirma a responsável.

O ‘Palacete 10’ irá começar a cobrar as exposições ou apresentações de livros para também ter uma fonte de rendimento que sustente o espaço. Ainda assim, isso não significa que deixem de conseguir promover a arte portimonense.

“Houve uma pessoa que nos pediu para fazer um workshop, mas explicou que não tinha dinheiro para pagar. Como me disse que era músico, decidimos fazer uma troca: ele tocava numa das nossas exposições e nós abríamos as portas para esse workshop”, explica a arquiteta que, ao cobrar de forma indireta, chega ainda mais depressa ao objetivo do projeto.

“Acima de tudo queremos uma partilha de experiências relacionada com a arte porque sentimos que isso faz falta a Portimão. Não há maneira de uma pessoa na cidade contactar com música e ver uma exposição ao mesmo tempo”, argumenta.

É de pequenino que se torce o pepino e, por isso, o ‘Palacete 10’ também quer fomentar este espírito ligado às artes nos mais novos. “Queremos trabalhar com as escolas locais. Fui professora de educação visual e sei como é importante para os jovens terem um sítio para exporem os seus trabalhos no final do ano letivo”, conta Filipa Mimoso e, nesse sentido, o casal criou uma parceria com o Curso Profissional de Música da Escola da Bemposta.

Uma iniciativa que já tomou forma no último domingo de outubro, dia 31, onde se realizou o terceiro grande evento no edifício, dedicado ao Halloween. “Os jovens da escola tocaram jazz, houve doces alusivos à data, pinturas faciais para os mais novos e exposições de obras de arte”, descreve a arquiteta.

O elo de ligação ao Algarve

Na atualidade, Filipa Mimoso e Sérgio Antão vivem na Maia, no norte do país, mas apesar dos quilómetros que os separam de Portimão, o ‘Palacete 10’ faz a ligação entre os dois pontos. “Este projeto é muito especial para nós, porque está ligado às artes na cidade e engloba todas as suas vertentes. Além do mais, esta iniciativa mantém viva esta nossa ligação forte ao Algarve”, garantiu a arquiteta. Ainda assim, esse acompanhamento por perto torna-se mais difícil e aí entra a ajuda dos amigos que colaboram na organização dos diversos eventos. E por falar em eventos, o projeto já está a preparar algumas novidades, como a ‘Hora do Conto’, que foi lançada há pouco tempo.

“A Beatriz Rosário faz parte do projeto e está relacionada com a vertente literária porque é escritora. Nesta iniciativa, os pais inscrevem os filhos e ela conta uma história todos os sábados de manhã”. Está ainda agendada a apresentação do livro de poesia ‘O Ser Invisível’ da autoria de Beatriz Rosário e João Sena”, cujas ilustrações serviram de inspiração à escritora, “no dia 20 de novembro entre as 17h00 e as 19h00. Já perto do Natal, entre os dias 21 e 23 de dezembro, realiza-se o quarto grande evento no edifício. “Vamos ter várias atividades. Uma delas será um mercadinho com apontamentos musicais. Teremos, em princípio, o lançamento de um livro e workshops de pintura, onde as pessoas vão acompanhando o processo da pintora”, descreve Filipa Mimoso, endereçando o convite a todos os que quiserem passar um momento cultural diferente num imóvel histórico na cidade.

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