Algarve com mais ocupação turística em agosto

agosto
Numa altura em que o Verão está a meio, o presidente da Direção da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, Elidérico Viegas, faz um primeiro balanço sobre a atividade no sector, no qual o mercado britânico continua a crescer. Agosto está com mais ocupação turística face a 2015 e também setembro vai registar aumento de dormidas.

José Manuel Oliveira

O Algarve regista uma ocupação turística no mês de Agosto a rondar os 95 por cento, devido aos mercados nacional, britânico, alemão, holandês e irlandês, numa altura em que os preços nas unidades hoteleiras também subiram, atingindo, em média, mais de 200 euros por dia.

“Agosto é, desde sempre, o mês por excelência do turismo do Algarve. Este ano não foge à regra, com taxas de ocupação a rondar os 95 por cento, uma subida ligeira relativamente ao ano anterior de cerca de 2 por cento. Os portugueses são, historicamente, os turistas mais numerosos durante este mês, representando cerca de 40 por cento das dormidas totais, seguidos dos britânicos (30%), alemães (9%), holandeses (7%) e Irlandeses (5%), para mencionar apenas os mais importantes. Quando a procura é muito elevada, como é o caso, quer as unidades hoteleiras quer as várias zonas geográficas apresentam valores muito idênticos nas suas médias de ocupação. Os preços subiram em média 6,5 por cento face ao ano passado. As receitas registaram uma subida superior (16%), atendendo a que a procura também subiu, (8.5%), induzindo em erro alguns agentes políticos e económicos menos informados e conhecedores, mais preocupados em exagerar sucessos do que em assumir as realidades”, afirma ao ‘site’ da revista Algarve Vivo, Elidérico Viegas, presidente da Direção da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA).

O mês de Setembro também registará mais um crescimento na taxa de ocupação turística no Algarve, de acordo com aquele dirigente associativo. “Na linha do que vem acontecendo desde o início do ano, especialmente nos meses da chamada estação média, vai registar uma subida que podemos estimar à volta dos 5 por cento. Assim sendo, as nossas previsões apontam para uma ocupação média em todo o espaço regional de 87 por cento”, perspetiva.

Imigrantes regressam para trabalhar no turismo

Um dos principais problemas que os empresários do sector enfrentam é a escassez de mão-de-obra. Aquele dirigente explica o que se passa: “O recrutamento e gestão de recursos humanos na hotelaria é, de facto, nos tempos que correm, uma das questões mais sensíveis com que as nossas empresas se vêm confrontando. Apesar do aumento da procura turística estar a provocar o regresso de mão-de-obra imigrante, designadamente oriunda dos países do leste europeu, isso não tem sido suficiente para responder às necessidades empresariais decorrentes desse aumento da procura. A crise de 2008 contribuiu para que muitos dos nossos trabalhadores tivessem emigrado para países terceiros e muitos imigrantes regressado aos seus países de origem, reduzindo a mão-de-obra disponível e provocando um défice laboral que ainda não foi possível resolver.”

Estas insuficiências, esclarece Elidérico Viegas, “vêm sendo colmatadas através do recurso à contratação de mão-de-obra ocasional e temporária, muita dela em aldeias e vilas alentejanas mais próximas do Algarve, através do recurso a esquemas alternativos, incluindo transporte diário em carrinhas, uma vez que não é previsível a resolução dos atuais estrangulamentos existentes em matéria de mobilidade sustentada entre as zonas de maior concentração de trabalhadores e os respetivos locais de trabalho.”
E acrescenta: “Apesar de termos consciência que a existência de equipas estáveis na hotelaria ao longo do ano contribuiria, decisivamente, para melhorar os níveis de produtividade e garantir uma maior qualidade dos serviços prestados, também sabemos que a rendibilidade das empresas não comporta nem permite esforços financeiros desta natureza e dimensão, sendo uma parte significativa da mão-de-obra contratada a termo certo, contratos de pouca duração e outras formas ditas atípicas. Esta é uma das áreas onde o estabelecimento de parcerias ativas entre o sector público e o sector privado exige maior concertação e entendimento. Haja discernimento e vontade política para aceitar e implementar as propostas da AHETA sobre esta matéria.”

Julho também  cresceu

Relativamente ao mês de Julho, Elidérico Viegas lembra que registou uma taxa de ocupação média de 87,6 por cento, ou seja, mais 2,3 por cento do que no período homólogo. Já o mercado nacional devido à crise económica assinala, neste ano, “uma quebra generalizada na procura de férias, quer para o Algarve quer para o exterior.” “Em termos gerais, o número de portugueses a fazer férias fora da sua residência habitual baixou 16 por cento, enquanto a descida para o Algarve é da ordem dos 7 por cento. A estagnação da economia portuguesa é, certamente, uma das principais razões que justificam esta realidade, traduzidas em uma diminuição generalizada do poder de compra dos cidadãos em geral”, justifica o presidente da AHETA, notando que “o crescimento dos mercados externos, com especial destaque para o nosso principal fornecedor de turistas – o Reino Unido – explica as subidas verificadas.”

Se o clima, a simpatia e a segurança continuam a merecer elogios por parte dos turistas, as portagens na A22/Via do Infante e as obras na Estradas Nacional 125 mantém-se no topo das queixas. “O Algarve é, cada vez mais, um destino turístico perfeitamente consolidado no contexto internacional. O clima, as belezas naturais, com relevo especial e particular para as nossas praias, a hospitalidade, a qualidade do serviço, a simpatia da população e a qualidade dos nossos hotéis e empreendimentos turísticos, encontram-se entre os aspetos que mais contribuem para a satisfação dos turistas que nos visitam. A segurança e a chamada envolvente, designadamente no que se refere à qualidade dos serviços de apoio, incluindo aspetos relacionados com a higiene e limpeza, serviços de saúde, comunicações, etc. vêm-se assumindo como fatores diferenciadores e competitivos face a outros destinos concorrentes”, reconhece Elidérico Viegas.

 

 

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