Cartas da população de Sagres vão encher caixa de correio da Infraestruturas de Portugal

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Para já, chegaram mais de 500 cartas à Junta de Freguesia de Sagres para serem enviadas àquela empresa pública, com sede em Almada. Está em causa o estado completamente degradado da EN 268, entre o cruzamento para a Praia do Martinhal e a rotunda das Quatro Estradas, em Sagres. Autarca Luís Paixão admite ao site da revista Algarve Vivo marcha lenta naquela via.

José Manuel Oliveira

“A população da vila de Sagres manifesta junto de V.Exª. o descontentamento pelo estado deplorável em que se encontra a estrada nacional 268 entre o cruzamento para a praia do Martinhal e a rotunda das Quatro Estradas, em Sagres”. Assim começa a minuta da missiva, a que a Algarve Vivo teve acesso, a dirigir ao presidente do conselho de administração da empresa pública Infraestruturas de Portugal, com sede na Praça da Portagem, em Almada, e que promete, a partir da adesão dos cidadãos daquela freguesia do concelho de Vila do Bispo, “inundar” até ao final do ano a secretária do principal responsável desse organismo com cartas a protestar pela situação da estrada.

Depois de referir que a via “é o cartão-de-visita de uma das vilas mais visitadas de Portugal, recebendo anualmente mais de 500 mil visitantes”, destacando a projeção turística de Sagres a nível mundial e a pretensão de continuar a afirmar-se como destino de excelência, a carta sublinha que a Estrada Nacional 268, “da responsabilidade das Infraestruturas de Portugal, não tem as mínimas condições de segurança para peões e automobilistas. Esta falta de segurança está bem patente nas bermas da estrada, que obrigam os peões a circular na faixa de rodagem, aumentando o perigo aquando do cruzamento entre veículos”.

“Apesar desta via ser a espinha dorsal de Sagres e a que mais precisa de uma intervenção, devido ao facto de não pertencer ao domínio da Câmara Municipal, não acompanhou a requalificação urbana que a autarquia, com um enorme esforço financeiro, efetuou na Vila de Sagres”, acrescenta.

EN 268 sem passeios nem rede de drenagem de águas pluviais, apresenta pavimento em mau estado e sinalização deficiente

Ao reforçar o alerta para a degradação daquela via – como de resto o tem feito, também, o presidente da Junta de Freguesia de Sagres, Luís Paixão – a carta salienta que “há vários anos que esta via não tem manutenção. Não tem passeios, o pavimento está em mau estado, não tem rede de drenagem das águas pluviais, tem a sinalização vertical danificada, a sinalização horizontal é escassa e a que existe está apagada”. E adianta: “Esta é uma via que, além de ser a entrada de Sagres, dá acesso a uma superfície comercial e à escola primária, onde transitam idosos, crianças e centenas de automobilistas diariamente. Felizmente, só por milagre, ainda não aconteceu nenhum acidente considerado grave”.

A missiva termina, deixando um aviso: “A falta de sensibilidade do organismo que V.Exª. dirige está a fazer com que a nossa paciência esteja a atingir o limite do razoável. Esperamos que esta missiva obtenha uma resposta de V. Exas que vá ao encontro das nossas expectativas o mais breve possível. Partiremos para outras formas de protesto, que podem pôr em causa a normal circulação rodoviária, caso não obtenhamos uma resposta satisfatória da vossa parte “.

Recebidas mais de 500 cartas na Junta de Freguesia de Sagres

Numa freguesia com cerca de 1.500 eleitores, já foram recebidas na Junta “mais de 500 cartas”, afirmou o presidente, Luís Paixão, à Algarve Vivo, para serem remetidas ao conselho de administração da Infraestruras de Portugal. A pedido de muitos populares, o prazo de receção acabou por ser alargado, para já sem data limite, pela Junta de Freguesia de Sagres. Posteriormente, “as cartas serão todas enviadas no mesmo dia ou de forma repartida até final deste ano”, observou.

Se não houver reação por parte do presidente da Infraestruturas de Portugal, a população de Sagres ameaça adotar medidas no terreno. “A população é que decidirá o que fazer. Uma marcha lenta na EN 268 poderá ser uma das formas de luta”, admitiu o autarca, lamentando o facto de a última intervenção nesta via ter ocorrido “em 2003/4, com um tapete”. De então para cá, “nada mais foi feito e a degradação e o perigo para viaturas e peões aumentam de dia para dia”.

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