Faltam nadadores-salvadores em praias do Algarve

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Abre oficialmente hoje, 1 de junho, a época balnear, que se prolonga até 30 de setembro. Mas há praias nos concelhos de Albufeira, Lagos, Silves e Vila do Bispo ainda sem nadadores-salvadores, com risco para os banhistas, alerta à Algarve Vivo José Viegas, presidente de direção da Associação dos Nadadores-Salvadores do Barlavento. Nova legislação acaba por contribuir para desviar profissionais para piscinas de hotéis e empreendimentos turísticos, onde chegam a trabalhar durante seis meses e ganham mais dinheiro do que nas praias.

José Manuel Oliveira

Faltam nadadores-salvadores em praias do Algarve. O alerta é de José Viegas, presidente de direção da Associação dos Nadadores-Salvadores do Barlavento, quando tem início oficialmente a época balnear. Existe um total de 160 áreas concessionadas nas praias do Algarve, o que implica contar com cerca de 500 nadadores-salvadores nesta altura do ano.

“Não sei quantos nadadores-salvadores ainda faltarão nas praias do Algarve. As informações que me chegaram é que nalgumas zonas dos concelhos de Albufeira, Lagos, Silves e Vila do Bispo existe dificuldade em contratar este tipo de profissionais e, como tal, as concessões nessas praias não poderão entrar em funcionamento. Não há ninguém para vigiar essas áreas”, revela à Algarve Vivo José Viegas.

O problema, explica, “está relacionado com o facto de uma nova legislação – 68/2.014/29 de Agosto – obrigar as piscinas públicas, assim como as de unidades hoteleiras e aldeamentos turísticos, a ter nadadores-salvadores em permanência. Por isso, muitos deles preferem trabalhar nesses espaços e com a possibilidade de terem contratos por seis meses e possivelmente em melhores condições económicas, garantindo o subsídio de desemprego, do que apenas durante quatro meses nas praias, onde podem auferir desde o salário mínimo (505 euros) até 750 euros, além do subsídio de refeição”.

Aquele dirigente exerce a sua atividade na Praia da Rocha, em Portimão, onde é proprietário de uma concessão balnear com toldos e motos de água, em funcionamento diário das 9h30 às 19h00. “Para já, nesta zona do Algarve não há problemas”, nota.

Recorde-se que, normalmente, cada concessão balnear ao longo de cem metros de frente de mar tem dois nadadores-salvadores em permanência e um terceiro de reserva, o que obriga a mais encargos por parte dos concessionários de forma a poderem assegurar as necessárias condições de segurança impostas na legislação.

Por outro lado, José Viegas insiste que “é pertinente relembrar a proposta apresentada aos Grupos Parlamentares pela Federação Portuguesa dos Nadadores Salvadores relativamente à não obrigatoriedade de contratar nadadores-salvadores pelos concessionários. Essa obrigatoriedade deverá estar a cargo do Estado, através das autarquias”. “Sem essa situação resolvida, os concessionários nas praias não terão condições para funcionar e poderão encerrar a sua atividade com o consequente desemprego no sector”, avisa.

Turismo marroquino em Albufeira e preços de alojamento a subir

Na Praia da Oura, em Albufeira, o empresário José Fontainhas, responsável pelo Clube Borda D´ Água, empreendimento turístico de que é responsável, garante que “está tudo a funcionar sem problemas”.

“Não tivemos problemas na contratação de nadadores-salvadores na praia”, assegura José Fontainhas, numa altura em que a ocupação turística prevista durante o mês de Junho “atinge os oitenta por cento”. “O mês de maio foi fraco e tal não se deve aos preços de alojamento, já que os apartamentos situados em pisos superiores, com vista para o mar, foram os que registaram maior ocupação”, refere à Algarve Vivo aquele empresário.

E acrescenta: “já o mês de junho vai animar e para os oitenta por cento de ocupação previstos nas marcações já efetuadas contribuem turistas de um vasto leque de nacionalidades, desde portugueses, muitos espanhóis, nórdicos, franceses, canadianos e marroquinos, a que juntam visitantes da Letónia e da Lituánia. Mais fraco está o marcado holandês, provavelmente devido à concorrência da Grécia, que baixou os preços da hotelaria neste período de crise”.

Ao contrário, no Clube Borda d´Agua, em Albufeira, os preços dos apartamentos, no máximo para quatro pessoas, estão a subir: 100 euros por noite, em junho; 140/150 euros, em julho; e 170 euros em agosto. “Tanto ao nível da ocupação turística como dos preços, temos uma subida na ordem dos 15 a 20 por cento em comparação com o mesmo período do ano de 2014”, observa Fontaínhas.

 

 

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