Talentos de palmo e meio à solta no Auditório Municipal de Albufeira

Público rendido aos jovens artistas, que tiveram desempenho global de elevada qualidade.

Texto: FERNANDO MANUEL VIEIRA / Fotos: EDUARDO JACINTO

A dança e o acordeão estiveram em destaque no passado dia 17 de março, por ocasião da final relativa à 16ª edição do Festival de Artes Infantil e Juvenil de Albufeira.

Apesar da tarde chuvosa, o Auditório Municipal foi pequeno para acolher todos os que fizeram questão de vir apoiar os jovens talentos algarvios, por entre familiares e amigos, na derradeira etapa da competição.

As cerca de duas centenas de concorrentes, de barlavento a sotavento, protagonizaram momentos de pura magia em ponto pequeno. Os três primeiros classificados de cada vertente receberam prémios monetários, respetivamente, de 500, 300 e 200 euros, tendo todos os concorrentes sido contemplados com certificados de participação e lembranças.

No final, o presidente da Câmara de Albufeira, José Manuel Rolo, não escondia a sensação de dever cumprido. “Posso afirmar sem a menor margem para dúvidas que foi, novamente, uma aposta ganha. O facto de já termos organizado 16 edições consecutivas diz muito sobre o impacto do evento na própria região algarvia. Acreditamos muito neste tipo de espetáculos e na promoção, no fundo, daquilo que é a cultura, através das mais diversas expressões artísticas, porque os jovens merecem da nossa parte uma atenção especial, o mesmo sucedendo na educação e no desporto”, declarou à Algarve Vivo, ao garantir ser esta “uma aposta para continuar, porque o Algarve tem tantos e tantos talentos!”

“Considero fundamental que as famílias acompanhem os jovens, para que se sintam mais apoiados e não se deixem enveredar por caminhos menos bons”, disse-nos ainda o autarca, visivelmente agradado pela entusiástica moldura humana que preencheu todos os espaços disponíveis no Auditório Municipal.

A PALAVRA AOS VENCEDORES

Na vertente dos 6 aos 11 anos, o primeiro prémio desta 16ª edição do Festival de Artes ficou em casa, com a Fuete – Academia de Dança de Albufeira a arrecadar o lugar mais cobiçado. Também pela dança se destacou a dupla classificada em segundo lugar, a cargo das pequenas Lara Leal e Leonor Santos, representando a Classical Academy of Ballet, de Lagoa. O terceiro lugar coube a Margarida Espanhol, de Olhão, que se apresentou ao piano.

Em breve conversa com a Algarve Vivo, o ‘marujo’ João e as seis meninas da Fuete, todos entre os 7 e os 9 anos, garantiram que ensaiaram muitas horas: “Correu tudo tão bem que merecemos o primeiro lugar. Queremos ser bailarinos e sabemos que vai ser muito difícil. Nunca devemos esquecer a escola e os estudos.”

Na vertente dos mais crescidos, entre os 12 e os 17 anos, o acordeonista João Campos Palma, de Loulé, arrebatou o primeiro lugar, enquanto no mesmo instrumento se destacou o Duo Black and White, de Albufeira, tendo finalizado o pódio, em ex-áqueo, a pianista Inês Leite, de Portimão, e Luís Miguel Mira, de Lagoa, outro acordeonista.

Para João Palma, de 17 anos, “foi um triunfo bastante importante, pois este festival tem uma mística muito própria e valoriza o currículo dos vencedores.” Pela segunda vez presente, “na estreia fiquei em segundo e fui um pouco traído pelos nervos, mas agora reconheço que tenho mais maturidade”, confessou este admirador de jazz, antes de garantir que pretende abraçar a carreira de acordeonista, pelo que pretende seguir música em Lisboa já para o próximo ano.

 

CORPO DE JURADOS

O júri da final foi constituído por Helena Carmo, professora de música, membro do grupo de música tradicional portuguesa Entretenga e dirigente associativa, Nilsen Jorge, professora de música e diretora artística da Dancenema, Tiffanie Millenka, bailarina, coreografa e artista de aéreos, Daniela Tomaz, arquiteta, música e gestora cultural e Daniel Pina, jornalista, diretor e editor da revista Algarve Informativo.

“EXPERIÊNCIA BOA DE MAIS”

Há muitos anos uma espécie de ex-libris do certame, Álvaro Antunes distribuiu carinho e simpatia por todos os participantes. “É uma imensa honra e privilégio continuar a ser convidado para esta grande festa. Ano após ano tem subido o nível, o que cada vez mais dificulta a missão dos nossos jurados. Trata-se de uma experiência boa de mais. Para mim, é muito grato saber que jovens que por cá passaram em pequeninos depois singram nesta área artística e se transformam em talentos. Do meu ponto de vista, todos são vencedores”, realçou o apresentador do festival.

TESTEMUNHOS:

“INCENTIVA AS CRIANÇAS”

“Foi a primeira vez que vim assistir, porque a minha filha participou como bailarina. Gostei imenso porque o festival está muito bem organizado e é um grande incentivo para as crianças demonstrarem os seus talentos e o que estão a aprender. Registei o facto de haver vários estilos, como os instrumentos, a dança e o canto, avaliados pelo júri, mas também pelo público.” – Julia Bykadorova

“FANTÁSTICA INICIATIVA”

“Considero esta uma fantástica iniciativa, com excelentes pergaminhos. Por isso tenho assistido praticamente todos os anos e até tive aqui um filho a atuar em várias edições, com um segundo e dois primeiros lugares. Neste momento é professor de música, dando aulas no Conservatório Nacional, em Lisboa, e só não está na plateia por incompatibilidades de datas.” – Adélia Mota

“DINAMIZA JUVENTUDE”

“Venho acompanhar a minha filha, que já participou em alguns concursos, embora esta seja a sua estreia em Albufeira. Penso que se trata de um certame muito positivo pelo que traz de dinamização para a juventude, revelando muitos artistas em potência. A Câmara que promove este evento regional está de parabéns pelo papel que desempenha.” – Daniel Freitas

“IMPRESSIONADA PELA QUALIDADE”

“É muito bom ver jovens dos 6 aos 17 anos interessados por outras atividades que não sejam o futebol ou as redes sociais e ocupem o seu tempo em práticas saudáveis. Fiquei impressionada pela qualidade média de todos eles, pois nota-se as muitas e muitas horas de trabalho que dedicam, para atingirem este nível. Fiquei fã e haverei de voltar.” – Graça Fernandes

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