Vespa asiática ameaça mel algarvio

O mel algarvio tem fama de ser um dos melhores do mundo. Na região existem perto de mil apicultores registados e cerca de 100 mil colmeias. É esta importante indústria regional que está agora ameaçada por um inseto que veio de longe.

NUNO COUTINHO

A vespa asiática, também chamada de vespa velutina, é uma espécie originária das regiões montanhosas do norte da Índia, Butão, China e Indonésia. Semelhante à sua parente europeia, apresenta algumas diferenças de coloração (tem as patas amarelas) e é um pouco maior, podendo chegar até aos 3,5 cm.

Foi pela primeira vez detetada na Europa no ano de 2004 em França (desconfia-se que vieram num carregamento de bonsai proveniente da China) e desde aí o seu avanço tem sido imparável. Entrou em Portugal em 2011 pela região norte e só nos últimos três anos foram identificados perto de 10 mil ninhos, espalhados por 12 distritos. Face a esta expansão, os especialistas dizem que é uma questão de tempo até chegar ao Algarve.

Um dos principais problemas desta vespa é o seu apetite voraz por abelhas, que captura em voo quando estas chegam à colmeia. Estudos efetuados demonstraram que basta o ataque sistemático de duas vespas a uma colmeia para que o enxame fique bastante reduzido e enfraquecido no espaço de duas semanas, o que favorece o aparecimento de doenças. Nessa altura, as vespas conseguem penetrar na própria colmeia para se alimentarem da criação e do mel.

Assim, quanto maior for o número de vespas numa determinada região menor será a população de abelhas, o que prejudica não só a produção de mel mas também toda a atividade agrícola que esteja dependente da polinização, como por exemplo a dos citrinos.

COMBATE

Portugal tem um plano de combate à vespa asiática desde 2012, que identificou como medida mais eficaz a remoção e queima dos ninhos por pessoal especializado, especialmente durante a Primavera e o Verão. Por essa razão, é muito importante a participação da população na deteção dos ninhos e no alerta das autoridades.

No entanto, apesar de todos os esforços, o próprio ministro da Agricultura Capoulas Santos reconheceu há dias estar “impressionado” com a expansão da vespa velutina em território nacional e declarou estar a estudar mais medidas de combate. Assim, tudo leva a crer que brevemente teremos mais um turista na região, mas este não é seguramente bem-vindo. Resta saber se teremos capacidade de o deter.

O Algarve ainda nem se recompôs dos estragos provoca dos pela praga do escaravelho das palmeiras, que praticamente eliminou da nossa paisagem estas magníficas árvores, e está já sob a ameaça de mais um invasor, a vespa asiática.

INVASORES EXÓTICOS

As espécies exóticas invasoras são um problema grave e crescente em todo o mundo. Segundo a Comissão Europeia, são uma das principais causas da perda de biodiversidade, infligindo danos económicos e sociais que custam à economia europeia mais de 12 mil milhões de euros por ano. Para combater este flagelo, a União Europeia identificou 37 espécies que podem ser de tal forma prejudiciais que justificam um combate especial. Esta lista negra inclui animais e plantas que já se instalaram no nosso país, como o lagostim-vermelho, a mimosa, o jacinto-de-água e a vespa asiática.

O QUE DEVE FAZER SE DETETAR UM NINHO DE VESPA ASIÁTICA

Esta vespa faz ninhos de grandes dimensões (1 metro de altura e 80 cm de diâmetro), esféricos ou em forma de pera com uma abertura lateral, estando geralmente localizados no topo de árvores de grande porte. Cada ninho pode albergar cerca de 2 000 indivíduos, que no ano seguinte poderão vir a criar pelo menos mais seis ninhos. Se avistar algum ninho deverá informar as autoridades através da linha SOS AMBIENTE (808 200 520) ou do portal www.sosvespa.pt. Não tente destruir o ninho sozinho porque estas vespas reagem de forma agressiva a ameaças, sendo a sua picada muito dolorosa. Também não utilize armas de fogo, pois este método só provoca a destruição parcial do ninho e contribui para a dispersão e disseminação da vespa asiática por constituição de novos ninhos.

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