Acordo Estratégico para novo Hospital Central do Algarve já foi assinado

O Acordo Estratégico para o novo Hospital Central do Algarve foi celebrado na segunda-feira, dia 26 de janeiro, numa sessão no Parque das Cidades que contou com a participação de Ana Paula Martins, ministra da Saúde.
A governante presidiu à assinatura deste documento, bem como de um outro que permitirá o acompanhamento do processo por parte da Universidade do Algarve, e visitou o terreno onde irá nascer este “hospital de ponta”.
“Depois de em 2008 ter sido lançada a primeira pedra do edifício, durante perto de 20 anos esta obra estruturante continua a ser uma antiga aspiração – talvez a maior de todas – para os algarvios, até porque os Hospitais de Faro e Portimão deixaram há muito de conseguir dar resposta às necessidades do Algarve. Uma região que, a par da pressão turística, tem assistido a um crescimento demográfico acentuado nos últimos anos”, refere a Câmara Municipal de Loulé em nota de imprensa.
Durante a apresentação, Tiago Botelho, presidente da Unidade Local de Saúde do Algarve, explicou que este será “um hospital moderno, pensado para o futuro, com uma dimensão e uma ambição à altura da região que serve”. Integrará 742 camas, 18 salas de bloco operatório, 74 gabinetes de consulta, 10 salas de partos e 80 postos de hospital de dia, além dos equipamentos de TAC, ressonâncias magnéticas nucleares, aceleradores lineares, entre outros, abrangendo várias especialidades médicas.
“Trará uma componente ao nível da resposta oncológica, nomeadamente os primeiros equipamentos públicos de radioterapia do Algarve e todo o diagnóstico e tratamento, incluindo o PET-TAC que irá juntar-se ao que está previsto para Loulé (financiado no âmbito do PRR e com o apoio da autarquia). O hospital agregará ainda cuidados paliativos, psiquiatria para adultos e psiquiatria na infância e na adolescência”, descreveu.
No dia em que foi também celebrado um protocolo com a Universidade do Algarve para acompanhamento da obra e implementação, a ministra da Saúde enfatizou a importância da vertente universitária deste equipamento. “Vai centralizar e reforçar os cuidados de saúde especializados no Algarve, mas é também um hospital necessário ao desenvolvimento e sustentabilidade do curso de medicina e dos diversos cursos de ciências da saúde que aqui se ministram. Por isso mesmo, precisamos de um hospital que tenha complexidade e diferenciação. Porque o Algarve é uma região universitária, e tem todas as condições para aprofundar as suas fileiras de investigação, inovação e desenvolvimento”, afirmou a responsável.
Por sua vez, Alexandra Teodósio, a nova reitora da UALG, falou do plano existente para deslocalizar parte da sua oferta formativa, criando aqui um ‘campus da saúde’, agregando a Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas e a Escola Superior de Saúde, melhorando o desenvolvimento da formação e investigação desta estrutura. Para tal, existe um acordo prévio, desenvolvido com as autarquias de Loulé e Faro, mas que “precisa ser revisitado” à luz do novo contexto.
A conceção, projeto, construção, financiamento, conservação e manutenção do Hospital Central do Algarve será realizada em regime de parceria público-privada. O concurso está a ser preparado pela Administração Central do Sistema de Saúde e será “lançado muito em breve”, anunciou ainda a ministra.
Segunda a autarquia, a previsão é que o equipamento entre em funcionamento num prazo de quatro a cinco anos, considerando um a dois anos para a escolha do parceiro privado, e dois a três anos para a fase de construção. O valor da empreitada corresponde a 420,6 milhões de euros.
“Depois de 20 anos, vai finalmente avançar a construção do Hospital Central do Algarve. Esta é uma decisão histórica para os algarvios, para o Algarve e para o país”, destacou Ana Paula Martins, recordando que a construção desta infraestrutura hospitalar é uma prioridade sinalizada desde 2006, na altura “o segundo mais prioritário”, depois do Hospital de Todos os Santos, em Lisboa, cuja obra arrancou recentemente. Em maio de 2008, foi lançado um concurso público internacional para uma PPP para a gestão deste hospital, mas, com a entrada da Troika em Portugal, acabou por não se efetivar.
A construção do Hospital Central do Algarve “tem um potencial significativo de otimização para o Estado português e para o SNS”, pois, a par da melhoria de qualidade assistencial, será também um “motivo de atração e retenção de talentos na área da saúde”, notou a ministra.
Os dois autarcas signatários do acordo com o Ministério da Saúde relevaram a importância do investimento. “Acredito que este é um momento muito especial. Estamos todos alinhados para que este projeto seja uma realidade. Somos visitados por milhões, deixamos também milhões nos cofres do Estado. Temos que ter coragem para priorizar a região, para respeitar os compromissos e a justiça, e o Hospital Central faz parte dessa resposta que a região necessita. Esta iniciativa vai fazer a diferença e constitui a maior ação em décadas na região”, sublinhou.
“O Serviço Nacional de Saúde não se faz apenas de paredes, faz-se também de profissionais”, afirmou António Pina, frisando a colaboração da Universidade do Algarve na formação de médicos e outros profissionais de saúde. E enquanto não está concluído, o autarca farense lembra que, “nos próximos seis a sete anos, é preciso continuar a trabalhar para resolver alguns desafios”.





