Algarvia é a única instrutora portuguesa de aerobicamente

Texto: Lélia Madeira


C om origem nos Estados Unidos da América, a aerobicamente é ainda desconhecida em Portugal, havendo, até ao momento, apenas uma pessoa com esta formação. Trata-se de Filipa Neves, de Silves, que colocou uma pausa na sua carreira na Guarda Nacional Republicana (GNR), para se dedicar a cem por cento a esta modalidade e também ao yoga e ao yoga suspenso.

Quando entrevistámos Filipa Neves, o Governo tinha acabado de anunciar que o país ia entrar num novo confinamento, devido à pandemia provocada pela covid-19. As aulas presenciais de aerobicamente que Filipa estava a lecionar teriam agora de passar para o online.

Aliás, foi dessa forma que a silvense deu as suas primeiras aulas desta modalidade, em agosto de 2020, após ter sido a pioneira em Portugal e das primeiras na Europa a concluir a formação nesta prática. Filipa aprendeu com norte-americana Patrícia Moreno, criadora da aerobicamente, que conjuga yoga com dança e artes marciais.

“A Patrícia era instrutora de fitness e sentiu falta da parte espiritual. Por isso, decidiu criar esta vertente, juntando afirmações positivas, de motivação. Faz lembrar as aulas de aeróbica, mas tem uma dinâmica muito mais profunda. É um trabalho mais holístico, pois trabalha o corpo em vários aspetos: energético, mental e emocional”, explica Filipa.

A formação durou um ano. “Houve uma preparação das práticas e também do nosso ‘intensati leader’, que consiste em aprender técnicas, o que fazer numa aula em concreto, e o trabalho a nível da liderança, para darmos o nosso melhor à pessoa que nos procura”.

Primeiro aluna, depois instrutora
O yoga e yoga suspenso são outras das modalidades de que Filipa é instrutora. Mas antes de o ser instrutora, começou por ser aluna. “Comecei a praticar yoga em 2004 ou 2005, na Quinta dos Avós, no Algoz, porque tinha curiosidade. Só aí é que me apercebi do quanto estava a precisar. Na altura, não conseguia sentar-me com as costas direitas”, lembra.

“Também não sabia respirar, tinha uma respiração muito curta, o que leva as pessoas a estados de tensão. Depois, passei a sentir-me muito bem”, recorda.

A instrutora salienta que os benefícios do yoga não são só físicos. “Quando praticamos yoga, ficamos com um sentimento de pertencer a uma comunidade, a um grupo. Isso é das coisas que mais motiva o ser humano”, explica.

Alguns anos depois de se ter iniciado no yoga, enquanto aluna, Filipa decidiu fazer uma formação já com intenção de se tornar instrutora, pois, nessa altura, sentia que o seu futuro, a nível profissional, não passava por continuar na GNR, onde iniciou carreira, em 2002, como guarda principal.

Em 2012, tomou contacto pela primeira vez com outra prática também pouca divulgada em Portugal: o yoga suspenso, ou aeroyoga. Esta consiste em fazer exercícios do yoga, mas com a ajuda de panos. “Quando experimentei, pensei: isto é mesmo bom!”, recorda entusiasmada.
“Eu sempre gostei de baloiços. Quando via um parque infantil, ia logo a correr para ele. O meu pai é carpinteiro e pedia-lhe muitas vezes para me construir um, mas como trabalhava muito, nunca tinha tempo para essas coisas. Agora, já tenho baloiços com fartura e foi o meu pai que montou as vigas para eu pendurar os panos”, ri-se.

Além de ser divertido, o yoga suspenso “é excelente para quem tem problemas nas articulações e não pode fazer exercícios de grande impacto”, explica Filipa, dando como exemplo “duas alunas com 60 anos que o fazem muito bem e que executam as posturas quase todas. Uma delas já foi operada a hérnias e melhorou muito. Está muito contente”.

Enquanto não for possível retomar as aulas presenciais, no espaço que tem preparado para o efeito no Algoz, no concelho de Silves, Filipa vai continuar a dinamizar aulas online e a divulgar as suas atividades no Facebook, através da página ‘Yoga Sala Invicta’.
Os interessados em obter mais informações, poderão contactá-la por e-mail (filipa@aerobicamente.pt).

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