As palavras mágicas que varrem tristezas e más memórias 

Texto e foto: Jorge Eusébio


A Biblioteca Municipal Manuel Teixeira Gomes foi palco, no dia 12 de novembro, da apresentação dos livros ‘As Jóias Mágicas: O Início’ e ‘As Jóias Mágicas: Revelações’, de Bruno Correia.

O autor, de 26 anos, diz ter encontrado na escrita uma forma de ultrapassar situações muito dolorosas, como o bullying e um cancro. O percurso que levou à edição destas obras começou quando ainda andava na escola, um período da sua vida de que não guarda boas recordações.

Para combater a solidão e o isolamento, começou a escrever e foi nessa altura que nasceram os primeiros capítulos dos livros. No 8º ano, no âmbito de um projeto de Português, lembra, “apresentei-os à turma e não correu bem, os colegas gozaram comigo durante bastante tempo”.

O texto continuou gravado no computador. “Pensei que, se já estava escrito, não ia apagá-lo”, mas, por outro lado, sempre que o abria para continuar a história vinham ao de cima as memórias más vividas na escola e desligava o computador.

Até que resolveu seguir um conselho que lhe deram: apagar o que tinha escrito e escrever tudo de início, sentindo, a partir daí, motivação para continuar a desenvolver a história, pois as tais memórias tristes acabaram por ir para o lixo juntamente com o texto original.

Uma amiga ia lendo o trabalho à medida que avançava, dando-lhe as suas opiniões e inclusivamente ajudando-o nas revisões finais, o que contribuiu, ainda mais, para manter o rumo e conseguir escrever o primeiro volume.

Livro é editado e ganha prémio
Mas escrever é uma coisa e publicá-lo é outra completamente diferente. Bruno Correia confessa que, apesar de ter esperança que alguma editora desse um passo em frente, nunca se mentalizou a sério que isso iria acontecer.

Por essa razão, ainda pensou numa solução de recurso que seria assumir uma edição de autor, financiando do seu próprio bolso a publicação de uns poucos exemplares para familiares e amigos.

Até que, depois de várias tentativas, em dezembro de 2019, recebeu um email da parte da editora Cordel D’Prata, a dizer que tinham gostado do seu trabalho e que o iriam publicar. Ficou de tal forma feliz que “naquela noite não comi nada, só ‘jantei’ o email”.

“Foi uma emoção incrível receber tal notícia, é surreal que quando a pessoa está a tentar atingir os seus sonhos ao longo de vários anos e finalmente consegue-o, é algo que nos deixa sem saber o que dizer, parece que é mentira, irreal, ficamos à espera de acordar”, admite.

Afinal, era mesmo realidade, a obra acabou por ser editada, mais tarde participou na Gala de Autores da editora e saiu de lá com o ‘Prémio de Melhor Livro’ na categoria de ‘Fantasia’.

Depois do primeiro, surgiu o segundo, e agora para concluir a saga ainda tem mais três volumes por concluir. Garante que já sabe como é que esta história de lendas, magia e alguns demónios vai acabar, mas o que tem de ir descobrindo é o caminho para chegar a esse desfecho.

E, entretanto, ir cuidando dos personagens, que, com humor, apelida de “putos”, para que não vão fazendo muitas traquinices e fugindo ao plano que tem delineado para eles.

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