Há 108 municípios sem Plano Municipal de Ação Climática 

Com seis ondas de calor já enfrentadas este ano, Portugal continua na cauda da Europa na adaptação das cidades face a este risco acrescido: não há nenhum município português a ultrapassar os 15% da sua população com acesso adequado a espaços verdes urbanos.
Nesse sentido, a Quercus destaca a iniciativa ‘Rede de Refúgios Climáticos | Stay Cool’, lançada pelo Turismo de Portugal, à qual as autarquias podem concorrer para criar ou qualificar espaços acessíveis, seguros e termicamente confortáveis durante períodos de calor extremo. Com uma dotação total de um milhão de euros, este apoio destina-se exclusivamente a Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia.

Em comunicado, a Quercus refere que está disponível para colaborar na concretização deste programa, considerando que a sua experiência e know-how em diversos projetos já implementados (como a iniciativa ‘Jardins Públicos Biodiversos’ em Torres Vedras) pode ser uma mais-valia.

Segundo a Quercus, atualmente 108 municípios portugueses não têm um Plano Municipal de Ação Climática. Quanto às Estratégias de Adaptação às Alterações Climáticas, todos apresentam o documento, muito embora grande parte destas estratégias assumam um horizonte temporal de dez ou mais anos.

De acordo com o relatório ‘Lancet Countdown 2026’, as ondas de calor aumentaram 318% nos últimos dez anos. Perante este agravamento, é urgente deixar de encarar os espaços verdes urbanos como um mero elemento paisagístico e sim como uma infraestrutura essencial de adaptação climática, capaz de arrefecer as cidades e proteger a saúde de quem nelas vive.

Um estudo da Comissão Europeia em parceria com a Universidade de Copenhaga, abrangendo 862 cidades europeias, evidenciou que nenhum município português ultrapassa os 15% de população com acesso adequado a espaços verdes urbanos. Coimbra surge como o melhor exemplo nacional, ainda assim entre apenas 8% e 15%, enquanto Porto, Viseu e Paredes se situam num patamar intermédio, entre 4% e 8%.

O panorama agrava-se nas maiores cidades: Lisboa não ultrapassa os 4%, e Setúbal e Faro registam os piores resultados do país, com menos de 2% da população a beneficiar de proximidade adequada à natureza. Estes números colocam Portugal entre os países europeus com pior desempenho neste indicador.

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