José Sousa sucede a Richard Marques à frente dos Bombeiros de Portimão

Texto e foto: Jorge Eusébio | in Portimão Jornal nº35


José Sousa é o novo comandante dos Bombeiros Voluntários de Portimão. É um homem da ‘casa’, que começou a sua ‘viagem’ na corporação, há cerca de 30 anos.

Ao contrário do que acontece com muitos bombeiros, não foi influenciado para seguir esta vida por qualquer familiar que tivesse sido ‘soldado da paz’. Na base da sua decisão esteve, em boa medida, o facto de ter gostado do serviço militar e de ter aprendido a apreciar valores que aí encontrou como os da disciplina, espírito de missão e camaradagem, que são também elementos centrais num corpo de bombeiros.

Quando tinha 25 anos entrou nos Bombeiros de Portimão através da Fanfarra, tendo daí, algum tempo depois, transitado para a atividade operacional.

Gostou do que encontrou, ficou, foi subindo na hierarquia e era o nº 2 de Richard Marques aquando da sua nomeação como comandante operacional distrital da Proteção Civil do Algarve, pelo que se tornou a escolha natural para o suceder.
Até 2014, o trabalho na corporação era desenvolvido em paralelo com a sua profissão de instrutor e diretor de uma escola de condução em Armação de Pêra. Até que chegou a um ponto em que não era mais possível compatibilizar essas funções e acabou por optar pela vida de bombeiro a tempo inteiro.

Situação arriscada
Como todos os ‘soldados da paz’, ao longo da sua carreira já passou por muitas missões complicadas e até dramáticas, mas confessa que a que mais o marcou foi o grande incêndio florestal de 2018.

Aí viveu um episódio arriscado, quando o fogo se expandiu para a zona do Alferce, impedindo ou limitando fortemente a passagem dos meios.

Apesar disso, meteu-se num jipe com um colega e “sem quase ver o caminho, arriscando-nos a encontrar algum poste ou árvores caídas na estrada, lá fomos avançando e acabámos por ser dos primeiros a chegar à povoação e a ajudar pessoas que precisavam de ser socorridas”.
A forma como se combate os incêndios evoluiu bastante ao longo do tempo, sendo agora “muito mais profissional e organizada, com um sistema integrado que junta todos os operacionais”.

No entanto, rejeita que haja uma excessiva burocracia no sistema de comando no terreno. Acha, por exemplo, injustas as acusações que, por vezes são feitas, de que, em certas circunstâncias, os bombeiros não atacam um fogo numa habitação porque não receberam ordens para isso. É certo que “esses operacionais têm uma determinada missão a levar a cabo, mas se passarem por um local e virem uma casa a arder, é evidente que vão lá e dão combate ao fogo”, garante.

Mais uma viatura de combate a incêndios
José Sousa mostra-se tranquilo em relação ao exercício do cargo de responsável máximo da corporação e não prevê alterações substanciais na forma como é dirigida.

Lembra que “estamos habituados a trabalhar em equipa, temos elementos de comando e bombeiros de grande qualidade, com boa formação técnica, motivados e uma direção e uma autarquia que nos apoia”, pelo que “vamos continuar a trajetória que tem vindo a ser seguida”.

O novo comandante destaca, igualmente, o facto de “estarmos bem apetrechados de equipamento, ainda recentemente foi comprada mais uma ambulância, com as verbas da exploração de um parque de estacionamento na Praia da Rocha”.

Ainda assim, o processo de modernização e renovação da frota não está concluído. O próximo passo “é a compra, por parte da Câmara, de um veículo de combate a incêndios florestais, para substituir um outro que já tem 30 anos, o que implica um investimento de 220 mil euros”.

Em termos de equipamentos, outra grande prioridade é a compra de uma auto-escada, para suprir as limitações daquela que têm no quartel, sobretudo em termos de altura. Trata-se de um equipamento muito dispendioso, “custa mais de meio milhão de euros”, pelo que para que seja possível a sua aquisição é necessário apoio financeiro por parte da Câmara e, eventualmente, de fundos nacionais disponíveis para o efeito.

Em termos de equipamentos de proteção individual, “temos do melhor que há”, o espaço físico também foi recentemente alvo de uma grande intervenção, que permitiu torná-lo mais funcional e “melhorar as condições do pessoal, em termos de camaratas e balneários”.
Quanto a operacionais, a corporação conta com um total de 130, dos quais cerca de meia centena são assalariados e os restantes voluntários. Estão distribuídos por vários setores e atividades, em função das necessidades.

No Verão, a principal preocupação passa pela prevenção e combate aos incêndios florestais, mas, ao longo de todo o ano, a maior parte das ocorrências a que os bombeiros respondem (cerca de 60%) tem a ver com situações de emergência pré-hospitalar, muitas das quais resultantes de acidentes rodoviários.

Trata-se de um cenário que não deverá ter alterações positivas substanciais nos próximos tempos, uma vez que “este ano temos notado um aumento do número de acidentes”.

Outra atividade muito recorrente é terem de se deslocar a apagar pequenos incêndios urbanos resultantes de simples esquecimento de panelas ao lume ou pequenos incidentes do género. O salvamento de animais também está no lote dos trabalhos a que são chamados a efetuar com grande frequência.

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