Opinião | Ao Sul: Equipas coesas

Carlos Gordinho
Professor, in Lagoa Informa Jornal nº168


Serviços, organizações e estruturas funcionam e produzem tanto mais e melhor, quanto mais coesa e direcionada for a sua equipa de colaboradores.

Observemos os exemplos que o mundo natural nos proporciona e façamos os paralelismos que considerarmos: migrações, lutas, sobrevivência, caçadas, lideranças, entre outros.

A importância da coesão das equipas determina o bom funcionamento e bem-estar das mesmas. Inúmeros são os fatores que determinam esta coesão, desde a individualidade de cada membro que a compõe, até à identidade da própria equipa.

Saber escolher os membros que constituem ou possam vir a constituir a equipa é uma das tarefas e talvez a mais seletiva de todas. Perceber o porquê das escolhas, das opções por ‘A’ ou ‘B’, faz uma diferença enorme, para que a jusante se possa fazer acontecer.
Fazer acontecer é, seguramente, o propósito maior de cada organização ou equipa. Para tal serão necessários todos os alinhamentos, valorização de todos os elementos integrantes da equipa ou organização, como parte pró-ativa do processo, a partilha, valorização, análise e enquadramento de ideias e conceitos para que se possa enriquecer e melhorar a coesão de grupo.

A capacidade de integração de novos elementos, o saber receber bem e ajudar quem de novo integra o processo, faz também uma diferença estrutural positiva, no que considero o agilizar célere da dinâmica da construção do processo equipa.

A escolha pelo perfil, pelo caráter, pelas competências, sejam elas de natureza diversa, assenta também como um fator que pode, de forma positiva, contribuir para a coesão de grupo, cujo reconhecimento e aceitação dessas competências, podem ser ímpares. O próprio grupo deve enaltecer, potenciar a competência de cada membro individualmente, em prol da estrutura coletiva.

A disponibilidade para colaborar, contribuir, auxiliar e operar, perante todo e qualquer que seja o contexto processual, para que o melhor da organização se sobreponha a tudo, é a chave fundamental para o bom funcionamento e valorização do grupo. “Eu ganho, Tu ganhas, mas acima de tudo Nós ganhamos”.

A sensibilidade e inteligência de saber estar e saber ser, aquando a trabalhar de e com ideias e conceitos não nossos, mas do grupo, e perceber que outros caminhos possam ser válidos e que a união da estrutura e o bom funcionamento do mesmo estão na base do farol onde queremos apontar e para nos nortear, é na minha perspetiva determinante para ter um grupo envolvido e imbuído dos mesmos princípios e seguindo o mesmo trilho e percurso, cujo objetivo fundamental é a valorização e bem-estar da estrutura. Se a estrutura está bem, se funciona, é credível, é equilibrada, é forte, consequentemente à sua dimensão, todos os seus elementos gozam dos adjetivos que caraterizam essa estrutura, quer para o bem quer para o mal.

Equipa coesa sabe ser seletiva nas escolhas. Tenta conseguir alinhar objetivos; tem capacidade e facilidade de integração; promove, aproveita e explora competências; está disponível; demonstra sensibilidade e revela inteligência e consequentemente, apresenta método.

Para trabalhar em equipa é preciso saber fazê-lo e isso nem sempre está ao alcance de todos, porque basicamente falta muito pensar como um todo, pensar global.

Somos guiados por equipas desta natureza? Acredito que sim em alguns contextos, noutros tantos duvido!

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