Opinião: Ao sul …Vou ver o Jogo!

Carlos Gordinho | Professor


Assistir a um jogo presencialmente, quer seja de escalões de formação ou escalão sénior, pode tornar-se tenso, quando se devia procurar o contrário.
Ou estás preparado ou tens que saber estar, senão…

O desporto em si é um mundo de sensações e emoções constante. E cada um de nós vive, vê e sente o espetáculo jogo de forma diferente, embora todos estejamos a ver o mesmo, mas com níveis de racionalidade, inteligência, critério e emocionalmente diferentes.

Viver cada minuto, gritar a cada lance, reclamar a cada decisão do árbitro, aplaudir cada golo, defesa ou bola ganha cria uma atmosfera ruidosa que vai evoluindo e fazendo crescer uma agitação quase global nos diversos agentes envolvidos no jogo. Para muitos, este é o momento alto da semana, do dia, o momento de exaltação, de igualdade, de afirmação, ainda que, por vezes, não se esteja atento a nada do que se está a passar, até porque se estava a ver o telemóvel. Mas grita-se na mesma, barafusta-se e reclama-se, mesmo não percebendo ou que não se esteja contextualizado.
Muitos também são os momentos de sabedoria que ressaltam rapidamente, mesmo não se percebendo muito do que se está a assistir. Mas passando à frente, o importante é estar lá. E é aqui que fico um pouco baralhado, se isto é o desporto que pretendemos ou não!

Somos capazes de correr o risco de vir pior do que lá chegamos e o que trazemos do jogo é algo pouco positivo. Quem define a filosofia de clube, a atitude, a mentalidade e a identidade do clube são os dirigentes, são os técnicos, são os atletas ou são os espetadores?

Penso que, pelo que tenho vindo a assistir e analiso, parece-me haver alguma falta de inteligência emocional e consequentemente competitiva.
Isto trabalha-se? Sim.
Isto vem de onde? Terá a ver com quem lidera, quem dirige, quem comenta. Porque em jogo estão primeiramente seres humanos, a serem educados e a fazer daqui ‘transferes’ para a sociedade civil.

Levar os valores da competição aos extremos, de forma a conduzir à ‘cegueira’ que só o resultado faz sentido e não ter a capacidade de solucionar em tempo útil como se pode chegar ao resultado que se pretende, correndo o risco de hipotecar esse mesmo resultado com atitudes e decisões pouco benéficas ao jogo, só refletidas no momento seguinte, torna, por vezes, o espetáculo e o jogo pouco apelativos e o estímulo passado ao espaço do jogo pode tornar-se pouco saudável.

De uma forma crítica, conseguimos fazer uma análise global da atmosfera criada em redor do jogo e conseguimos ter a capacidade de abstração de não entrar nessa mesma atmosfera, ter a capacidade de não se deixar influenciar pelo contexto, deparamo-nos com um mundo de informação e entramos numa perspetiva de jogo diferente.

Pedagogia talvez também fique um pouco aquém do que se pretende em todos os quadrantes: bancada, banco, retângulo de jogo, estrutura e organização. Desporto amador no seu melhor! No entanto, podemos e devemos ser mais ‘profissionais’, não na dedicação, não no esforço, não na entrega no tempo em prol de, mas noutros aspetos pedagógicos que fazem muita diferença.

Ensinar a ganhar, habituar a ganhar é bom, contudo, não nos podemos esquecer que o ganhar nos pode esconder muita coisa!

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