OPINIÃO | Os Comentadeiros Madurescos

Pedro Manuel Pereira | Historiador
Passados que são dois meses, continuo enjoado de tantos comentadeiros à rédea solta, botando faladura como alimárias em estrebaria alheia, nos mais diversos órgãos de comunicação social. Vira e volta lá vem mais uma bacorada. Refiro “alheia” em concreto, à Venezuela. País mártir de uma ditadura socialista tropical fundada por Chavez, um militar especializado em cocheiras, que nacionalizou empresas petrolíferas espanholas, francesas, americanas, sem as indemnizar, pese embora tivesse firmado acordos na altura com os lesados, que continuam por se cumprir.
Se as primeiras, aparentemente, até hoje, têm comido e calado, as últimas não perdoam o saque feito pelo regime chavista. Depois da parca ter levado consigo para as profundezas da terra, o monstro do Frankestein, sucedeu-lhe um camionista Maduro, que até ser capturado pelas forças dos EUA, exercia o poder desde as grotescas eleições de 2018, de forma ilegítima, de acordo com a oposição interna e a maioria da comunidade internacional, incluindo a União Europeia, em parceria doméstica com a ideóloga do regime, a senhora Florez, com quem se veio a consorciar e que agora com ela compartilha o destino nas choças americanas.
De lamentar, a todos os títulos, é o facto da ditadura Chaves/Maduro, ter conseguido a proeza de expurgar para fora do país ao longo dos anos do seu “maravilhoso regime”, cerca de oito milhões de venezuelanos, de entre os quais, largas centenas de milhar de portugueses e luso descendentes (nossos compatriotas), que se encontram a viver na ilha da Madeira, Açores, Portugal continental (em Portimão tenho conhecido vários vivendo com imensas dificuldades) e outros países, numa diáspora até há pouco sem fim, enquanto que na Venezuela ainda não abrandou o crime desenfreado, a fome e a miséria.
Os assassinatos indiscriminados e as prisões a abarrotar de gente considerada perigosa para o regime (opositores à ditadura) que, só agora, dos que ainda são vivos vão sendo libertados a conta-gotas, fazem parte do panorama aparentemente idealista para os esquerdopatas escribas, nas redes sociais e na comunicação social portuguesa nos dias de correm. Bolsam como grande argumento a ilegalidade cometida pelos americanos, à revelia do direito internacional ao sacarem da cama no remanso da noite o casal Maduro protegido por militares cubanos, propiciando-lhes um destino verde nos EUA.
Pergunto: onde ficam nisto tudo os Direitos Humanos dos cidadãos venezuelanos e dos milhões de foragidos à miséria, fome, repressão e prisão e morte? Vale mais o direito Internacional, protegendo quem se encontra no poder de modo ilegal e ilegítimo – genocidas, salteadores e bandoleiros – espezinhando os mais elementares direitos humanos de um povo?…
Aos comentadeiros portugueses e outros, vesgos, zarolhos, manetas e pernetas que palreiam sobre esta situação, sem ter em conta o sofrimento do povo venezuelano em geral e dos nossos compatriotas em particular, aconselho-os vivamente a pegarem nas suas bagagens e voarem rapidamente para a Venezuela a fim de defenderem o regime podre de Maduro, hoje dirigido por uma serventuária maduresca. Se não houver lugar para todos eles, têm sempre como opção outros países com maravilhosos regimes afins, como Cuba ou a Coreia do Norte, por exemplo.
- Artigo publicado sem a aplicação do novo Acordo Ortográfico





