Opinião: No pântano ou em areias movediças?

Pedro Manuel Pereira | Historiador, in Portimão Jornal nº55


  1. Aqui há uns anos atrás, porque não sabia nadar, o senhor engenheiro Guterres, no pleno gozo das suas faculdades governativas (que outras não sei se as teria…) tomou conta dos microfones e holofotes das câmaras das têvês, a fim de botar faladura em tom lamuriento, bufando que ia dar de frosques porque afinal não vivia num país, mas «num pântano». Palavras do senhor.

Dito isto, «por aqui me vou e ala que se faz tarde». Pegou na valise de papelon e deixou os seus acólitos bufarinheiros desempregados e o Zé pagode a coçar a tola de binóculos em riste à procura do tal de pântano.

Seguiram-se os governos dos dois estarolas.

  1. O primeiro, o «carapau de corrida», perdão, o «cherne» dito durão. Então 1º ministro português, foi até aos Açores lambuzar as botas do analfabeto funcional que é o rapazola Busch filho, que era então presidente dos EUA e, daí a poucos meses o tal de durão foi nomeado presidente da Comissão Europeia. Mas caganda coincidência, porra! E não é inginheiro!…

Como é muito inteligente (não fazer confusão com o senhor que toca a corneta nas toiradas) acabou reconduzido no cargo depois de ouvidas as populações dos países que compunham a CEE.

  • O quê? Estão-me aqui a soprar ao ouvido que a populaça não foi ouvida! Não quero crer! Mas então que raio de democracia existe lá por Bruxelas em que o presidente, o todo-o-poderoso não foi eleito? Mas camerda é esta, em que quem decide os destinos dos europeus comunitários não são eleitos? Caporra de democracia é esta? Devem andar a gozar com a minha cara, quer-me parecer…
  1. Como o cherne foi navegar para águas turvas, ascendeu ao pódio o Santana, moçoilo virtuoso, de fino trato, dedicado aos lavores femininos e langeries rústicas das senhoras da linha de Cascais. Mais por amor ao engenho que por mor das artes.

Por cavalgar débeis alimárias e por empatia com estas, encetou a cair frequentemente nos quartos traseiros, lançando a confusão nas suas hostes bafientas – salvo os que usavam naftalina – irritando o olfato e a vista do povoléu.

Atento ao descontentamento da plebe, o venerando chefe do estado por pouco mais tempo arrastou os seus pés chatos entre o jardim e as restantes dependências do palácio, até tomar a decisão de demitir o primeiro-ministro, que se diga em abono da verdade, era um esbelto mocetão que povoava os sonhos húmidos das balzaquianas deste país e do outro.

  1. Feitas eleições, eis que começou a cavalgar – salvo seja! – no poder, outro senhor inginheiro. Rapaz de nariz rubicundo, muito dado às malas-artes mágicas.

E governou… governou… governou… O quê? – Ah pois! Estão aqui a dizer-me que governar tem que se lhe diga. Pois… compreendo… tem mesmo que se lhe diga, senão éramos todos governantes! Pois… é muito inteligente o senhor. Não confundir com o das toiradas!…

Durante o seu mandato o país deu um grande salto em frente. Tão grande que ficámos todos sues habitantes, mesmo à beirinha do mar, prestes a despencar-nos. Estava o país falido. E o pior é que a maior parte da populaça não sabe nadar. O quê? Chiça! Estão outra vez aqui a soprar-me ao ouvido que quem não souber nadar que se lixe. No meu modesto entender, não é bem assim! Então que se lixe?… É?… – Era o que faltava! Coitadinhas das pessoas…

  1. Quando o senhor inginheiro teve de interromper o seu mandato e mandar vir um bando de agiotas tomar conta dos negócios do país, houve que fazer novas eleições para um novo governo. Mas que chatice! Porque é que tem de haver eleições de quatro em quatro anos? Não seria melhor que fosse de dez em dez anos? Ou de vinte em vinte anos? Ou até de quarenta e oito em quarenta e oito anos?… Mas cagaita!

Estranhamente o povoléu quis dar votos a todos os partidos políticos para que os profissionais da política ficassem felizes e contentes. E não é que ficaram!… Só o senhor inginheiro é que ficou triste e com razão, porque perdeu e teve de que ir procurar outro emprego.
A arraia miúda é muito ingrata!…

  1. Eleito um novo governo e nomeado um outro 1º ministro que teve de governar à compita com os agiotas herdados do senhor inginheiro, o povo teve de apertar o cinto.

Até que mais quatro anos passados e tendo sido reeleito à justa, o 1º Coelho viu o seu programa de governo liquidado na AR e, tomou conta do país um novo 1º ministro, que associado a outros partidos que o transportaram num andor, graças aos truques de magia, esconjuros e propaganda barata, até acabou por ser reeleito para o cargo. Tem governado tão bem e com tanta categoria, tal como um elefante a passear numa loja de porcelanas, que o país está quase às avessas em todos os sectores e de novo à beira do pântano.

  • O quê? Estão aqui a bufar-me à orelha que já não vivemos no pântano, mas em areias movediças. – Mas que exagero! Se estivéssemos a viver em areias movediças estávamos-mos a afundar. – O quê? Estamo-nos a afundar?… Pois é… olhando bem, já não consigo ver os meus pés!…

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