Opinião “VAMELÁVER” (1)

João Reis | Professor, in Lagoa Informa Jornal nº171


(1) Como diz o Tony Coast, quando começa a falar

“Se não penso abster-me de votar, devo, também, assistir aos debates”. Este raciocínio ajudou-me a decidir-me pelos serões frente à tv e ouvi-los. Quando escolhemos um partido político em cujo quadrado riscaremos a nossa cruzinha, consideramos o que conhecemos dos partidos em presença, a nossa identificação com os seus fundamentos filosóficos, sociais, éticos e económicos, o seu desempenho em governos ou na oposição mas, também, a postura, o discurso e as ‘entrelinhas’ desse discurso, por parte dos seus líderes – em comícios, entrevistas, debates. Também o MOMENTO em que as eleições acontecem deve ser tomado em conta.

Nestes 48 anos que levamos de Democracia, já elegemos 14 Assembleias da República que determinaram a formação de 22 Governos que duraram, em média, cerca de 2 anos cada, do que tem resultado um baixo nível de estabilidade – política, social, económica, cultural e por aí afora. Temos, pois, longa experiência; mas – parece – não se aprendeu muito. Ou, melhor, os (chamados) políticos não terão aprendido muito!


Agarrados às pretensas ‘verdades únicas’ dos seus partidos ou, talvez, na mira de um qualquer benefício pessoal, muitos têm vindo a afastar-se do mais comum conceito de POLÍTICA – “a gestão dos diferentes interesses das pessoas que vivem em comunidade e que inclui a ética, o bem comum, a justiça, os direitos e deveres de cada membro dessa sociedade”.

Ora, este conceito deve transparecer também nos debates. Naturalmente, não era de esperar que, em curtos tempos, fossem recitados os ‘cardápios’ de promessas e intenções com que os debatentes anunciaram a ‘bela vida’ que, enfim, iremos ter a partir de 31 de Janeiro. (Temos de manter a esperança, n’é?). Mas contava-se que, minimamente, fossem expressas duas ou três ideias abrangentes, nas quais se fundamentem os programas que defendem. Aí, as minhas expectativas goraram-se. Em vez delas, foram sendo aventadas medidas mais ou menos avulsas; por exemplo, as capações químicas, o SNS veterinário, a proibição das touradas e da caça, as vantagens das alianças das esquerdas ou direitas, a prisão perpétua, o rendimento igual pago a todos, linhas vermelhas…


Guardei interesse e atenção para o debate dos dois líderes dos partidos maiores. Comigo, estiveram quase três milhões e meio de eleitores, o que mostra quão grande é a preocupação e o desassossego pelo momento. Das suas prestações? O que se esperava – Costa, advogado, profissional da palavra fácil e argumento rápido, hábil na oratória e muita ‘lata’ nas suas justificações; Rio, sem ‘culpas’ de governação, economista de formação, conhecedor rigoroso dos números e considerado honesto. ‘Perguntadores’ e ‘perguntadeiras’ incidiram mais nas questões económicas. Delas, saliento o que me pareceu ser a diferença-mor: enquanto Costa pretende, de forma quase assistencial, distribuir a riqueza conseguida pelas obrigações tributárias provenientes do nosso trabalho, Rio prefere apontar e apostar no necessário aumento da produtividade das empresas que, de forma bem planeada, constituirá riqueza que permitirá aumentar salários, empregos e reinvestimentos.

O debate a 9 não trouxe novidades substanciais; alguns inteligentes ‘silêncios d’ouro’ (oportunos), alguma gritaria (dispensável), alguma aproximação à ‘peixeirada’ (inadmissível), demagogia (indesejável). E, de debates, agora… BASTA!!!

Avaliação final (naturalmente, falível) – ninguém abordou (que eu tenha notado) temas que reputo de grande importância, tais como – o MAR e a nossa Zona Económica Exclusiva e Plataforma Continental cuja gestão e exploração de recursos nos pertence; o INTERIOR, pensando na agricultura, ambiente e turismo (antes que seja tarde); EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL com urgente atenção à formação de docentes, às pedagogias modernas e criativas; UNIÃO EUROPEIA a que pertencemos e de que tanto dependemos. E outros, certamente… Ficou, porém, a NÍTIDA PERCEPÇÃO da necessidade de um pragmático ‘Governo de Centro’ (mais que os ‘extremos’ juntos) que trará a querida estabilidade e o querido desenvolvimento.


Até Mário Soares o reconheceu e aplicou, com Mota Pinto e Hernâni Lopes! E RESULTOU!

Votemos, pois, com cuidado, em consciência
E QUE SÃO BENTO NOS VALHA !!

  • Artigo escrito sem a aplicação do novo acordo ortográfico.

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