Pedro Pinheiro: “Há muito talento e potencial para crescer no Lagoa Académico Clube”

Depois de dez anos a treinar seleções femininas de andebol, Pedro Pinheiro trabalhou durante cinco anos como técnico nas equipas de juniores e B do Benfica. Formado em Educação Física, com a vertente de treinador da modalidade, foi também atleta, tendo iniciado o seu percurso no Passos Manuel, em Lisboa. Aceitou há um ano o desafio de coordenar o andebol de formação do LAC e treinar a equipa sénior. Faz agora um balanço positivo, elogia clube, dirigentes, técnicos e atletas e olha já, com ambição, para a próxima época.

Chegou no início da época passada. O que lhe pediu a Direção?
Os objetivos que me foram propostos passavam por consolidar tecnicamente o clube e por assegurar que os seniores não desciam de divisão. Que aumentássemos o número de praticantes e também que se desse um ‘refresh’ a tudo o que eram questões técnicas.

O que encontrou, tendo em conta experiências anteriores que teve?
O clube tem condições únicas. Não há muitos em Portugal que as tenham e, quando falo disto, refiro-me a pavilhões, transportes disponibilizados pela Câmara Municipal e apoio logístico, o que é uma mais valia. Já passei por vários pontos do país, nomeadamente quando treinava nas seleções nacionais, e nunca vi um apoio como o que esta autarquia dá. Se houvesse mais a fazer o mesmo, este desporto estaria muito melhor. Também já existe uma grande organização, o que me surpreendeu pela positiva, tanto a nível diretivo como nos vários escalões, o que possibilita que o LAC esteja mais à frente do que os restantes clubes da região. Depois há uma parte menos positiva.

Que é?
É que ainda temos muito que caminhar do ponto de vista técnico. E já estamos a conseguir combater essa vertente, tanto que os resultados deste ano falam por si. Acho que tivemos um bom início e ótimos indicadores do que poderemos vir a fazer no futuro, que é melhorar os nossos conhecimentos, aprendermos com os melhores e, ao mesmo tempo, deixar a nossa marca pessoal. É juntar estes três aspetos e essa é parte onde estou a dar maior ênfase.

O que tem sido feito nessa vertente?
Realizámos várias reuniões coletivas em que abordámos diferentes temas sobre o que se deve fazer nos treinos nas suas devidas fases. Há um acompanhamento das equipas em que se aborda os temas individualmente com cada técnico. Por outro lado, incentivámos uma série de jovens a fazer o curso de primeiro grau de treinador, à responsabilidade do clube. Temos quatro que são atletas e que estão a tirar o curso de técnico da Federação de Andebol. E isso vai ser continuado. Ao mesmo tempo, organizámos um seminário formativo em que foram convidados todos os treinadores do Algarve, de onde resultou mais um momento de aprendizagem e partilha de conhecimento. Penso que a minha chegada ajudou a conciliar aquilo que se estava a fazer bem, com aquilo que ainda se podia fazer melhor.

Que balanço faz da época do LAC nos vários escalões?
Vou começar pela parte menos boa, mas que não foi má. Os escalões femininos, apesar de não terem sido um insucesso, não tiveram uma época tão boa. Ainda assim, conseguimos ter as nossas juniores na fase complementar e as juvenis também. As nossas infantis e minis apresentaram uma grande dinâmica e são um bom grupo que já demonstra muita qualidade. Não acho que foi uma época de insucesso, pois fomos competitivos e esteve dentro do que era possível. Mas a nossa ideia é transportar a ambição que temos nos masculinos para os femininos e isso vai exigir mais de todos.

E nos masculinos?
Penso que tivemos surpresas muito agradáveis quase transversalmente a todos os escalões. Os seniores conseguiram, ao contrário de épocas anteriores, a manutenção na 2ª Divisão Nacional muito cedo. Apesar de não termos feito uma fase complementar perfeita, em dez fomos a segunda melhor equipa, portanto conseguimos ter resultados muito interessantes.

Os sub-18 obtiveram um feito inédito…
Sim e acho que beneficiaram muito do trabalho com os seniores, pois houve uma grande interligação entre os dois escalões. Alcançaram um feito único, mais do que justo. Mostraram que o lugar deles era ali e ficar nos quatro primeiros na fase final é algo de extraordinário para um clube como o LAC.

Os sub-16 também brilharam?
Sim, sabíamos que os nossos iniciados (sub-16) tinham muita qualidade, foram surpreendendo ao longo da época e evoluíram bastante. E terem chegado também à fase final e ficado nos quatro primeiros, entre 16 equipas nacionais, é extraordinário. Tenho de destacar também os sub-14, que já mostram talento e fizeram uma ótima época. Isso faz com que nos sintamos confiantes com o futuro, pois temos três gerações seguidas com imensa qualidade, que nos podem dar alento e estar seguros de que o caminho está a ser bem feito. Nos restantes escalões, dos mais pequeninos, está a ser feito um ótimo trabalho. Há muita qualidade técnica e quantidade de atletas que nos garantem a continuidade neste nível elevado. Hoje o LAC conta com cerca de 200 praticantes no andebol.

Quais são as suas perspetivas para a próxima época?
São animadoras e ambiciosas, mas temos agora o patamar mais alto, devidos aos resultados obtidos na temporada que há pouco terminou. Queremos estar, pelo menos, ao mesmo nível, mas se possível fazer melhor. Acho que temos capacidade para isso. Os juvenis vão ter uma equipa extraordinária e os iniciados também. Nos seniores, o objetivo é sempre a manutenção, mas estar a disputar os lugares de cima da tabela. Nos restantes escalões estaremos sempre a lutar pelos títulos regionais. Há muito talento e potencial para crescer no LAC.

Sente que há andebolistas no clube com potencial para outros patamares?
Temos sempre atletas em cada escalão com esse potencial. Se depois se vai concretizar, isso vai depender da sua evolução. Nos seniores, contamos com uma série de jogadores que teriam condições para jogar num nível mais acima. Mas esse nível, nós vamos também procurar assegurar aqui no clube.

Encontra alguma diferença entre o andebolista algarvio e o de outras zonas do país?
Posso dizer que a melhor descrição do jogador algarvio é que tecnicamente está bem preparado, mas fisicamente. Isso tem a ver com vários fatores, mas principalmente com a qualidade do trabalho diário.

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