Portimão Fight Club em foco com eventos de MMA e jiu-jitsu

Texto: Hélio Nascimento | Fotos: D.R.


O Portimão Fight Club existe desde 2019, fundado por Luís Arez, “fruto de uma paixão de longa data pelas artes marciais e, sobretudo, pelo gosto de ensinar e formar novos atletas, em especial crianças”. Apontando aos desportos de combate, nomeadamente às modalidades de MMA, jiu-jitsu brasileiro, boxe e kickboxing, a coletividade portimonense tem perto de 70 atletas, desde a formação até à competição, divididos por categorias de peso, idade e graduação.

“O trabalho com as crianças é uma das áreas que mais valorizamos. Para mim, em particular, sinto-me imensamente grato em ensinar os mais novos, acompanhar a sua evolução e perceber que, para além de atletas, estamos igualmente a ajudar a formar pessoas”, vinca Luís Arez, que é também o presidente do Portimão Fight Club. E acrescenta uma ‘deliciosa’ curiosidade, com protagonistas especiais: “Tenho ainda o privilégio de treinar e dar aulas aos meus próprios filhos, um casal de gémeos, que praticam jiu-jitsu desde os quatro anos de idade e têm agora oito”.

As aulas e treinos decorrem no pavilhão da Escola José Buisel (onde também funciona a sede da coletividade), cedido pela Câmara, de segunda a sexta feira, com treinos no exterior ao fim de semana, porque “é preciso manter a forma”, sobretudo para os profissionais do MMA, que já lutaram em Inglaterra, Suécia, Finlândia, Espanha, Países Baixos e Dubai.

Luís Arez tem 45 anos, é casado e, como se percebeu, pai de dois filhos. Natural de Portimão, nasceu na Aldeia Nova da Boavista e vive no Porto de Lagos. Em termos profissionais, é jurista, gestor de uma entidade formadora e diretor de segurança. No desporto, define-se como praticante de MMA, treinador e praticante de boxe e treinador e praticante de jiu-jitsu brasileiro, ostentando atualmente a faixa castanha.

Duas jaulas em simultâneo
O Portimão Jornal dá assim a conhecer mais uma associação portimonense e ao mesmo tempo apresenta o seu próximo grande projeto, que se realiza já para a semana, nos dias 24 e 25 de outubro, no Pavilhão da Boavista, numa organização em parceria com a ANAMMDA — Associação Nacional de Artes Marciais Mistas e Disciplinas Associadas, presidida por Joel Magalhães, e que contempla o segundo torneio de MMA e terceiro de jiu-jitsu sob a égide do Fight Club.

“No dia 24 pretendemos realizar a maior prova de MMA alguma vez efetuada em Portugal, com duas jaulas a funcionar em simultâneo e cerca de 100 atletas em prova”, diz Luís Arez, referindo-se ao MMA Algarve Cup, dedicado às Artes Marciais Mistas e integrado na dinamização da modalidade. No dia 25, um domingo, decorrerá a competição de jiu-jitsu, denominada Jiu-Jitsu Algarve Cup, para a qual se estima a presença de, aproximadamente, 200 a 250 participantes.

Os bilhetes são grátis para o torneio de jiu-jitsu e custam 15 euros para o de MMA, com a particularidade de poderem ser também adquiridas mesas (entre 100 e 150 euros), que serão colocadas mesmo junto às duas ‘jaulas’, o nome dado às áreas de luta. Cada atleta fará apenas um combate, porque o objetivo é o de “promover a modalidade e também este tipo de galas para amadores, o que sucede raramente entre nós”. Talvez por isso, Arez fala de uma “adesão espetacular”, traduzida no elevado número de inscrições.

Os combates (num total de 45, segundo as previsões) vão decorrer das 18 às 22 horas, para não saturar o público e ter dinamismo, sem paragens prolongadas e o aproveitamento total do tempo, a exemplo do que sucede nos grandes eventos de MMA a nível internacional. Além de portugueses, competirão espanhóis, italianos, gregos e brasileiros.


Representação em Europeus e Mundiais
No MMA o Portimão Fight Club conta com vários atletas a competir nos circuitos nacional e internacional, tanto a nível amador como profissional. “Um dos maiores motivos de orgulho do clube é termos conseguido levar atletas aos Campeonatos do Mundo e da Europa em representação da Seleção Nacional de MMA Amador, por quatro vezes. Somos, aliás, o único clube algarvio, na história da modalidade, a conseguir esta representação em Europeus e Mundiais”, regozija-se o mentor, dando ênfase a uma modalidade que, garante, é a mais praticada no mundo inteiro em termos de desporto de combate.

“Para nós”, prossegue, “é a demonstração de que é possível formar no Algarve atletas com capacidade para competir ao mais alto nível e representar Portugal internacionalmente”. A este propósito, Luís Arez explica que os seus pupilos são convidados por promotores, cujas propostas merecem a devida avaliação. O ‘cachet’ varia entre os 1000 e os 2500 euros por combate, com hipóteses de bónus. Fazer cinco combates num ano é um registo excelente, porque a recuperação é bastante mais lenta do que noutra especialidade similar.

E será o MMA uma modalidade violenta, como tanto se ouve? Luís Arez sorri e afirma que “depende dos pontos de vista”, traçando depois algumas diferenças com o boxe, nomeadamente o tamanho das luvas, que no MMA são mais pequenas e por isso sente-se mais o impacto. “Existe o estigma da violência, é verdade, mas até aos 18 anos não se pode bater na cara, é uma regra da modalidade. Tenho uma turma de cerca de 30 miúdos que tanto na parte da coordenação motora como na cardiovascular apresentam benefícios”, defende o treinador.

Os amadores lutam com caneleiras e há a proibição de dar cotoveladas ou joelhadas na cara. “Um dos meus atletas tem 67 anos e uma prótese numa anca”, assinala Luís Arez, determinado em desmistificar a tal ideia da violência gratuita. “Vamos levar quatro atletas em estreia à competição de dia 24”, diz ainda, projetando a gala que cria enormes expetativas.

A arte da suavidade
“No jiu-jitsu temos desenvolvido um forte trabalho de formação, particularmente junto das crianças, tendo o clube conquistado já vários títulos em Portugal e Espanha, em diferentes categorias”. O principal responsável pelos resultados da equipa infantil tem sido Luís Palmeiro, treinador principal, que desenvolve com Arez este projeto de formação, enquanto, nos adultos, “contamos com o treinador Liu Carmo, que recentemente se sagrou campeão europeu na sua categoria”.

Para os menos conhecedores, o jiu-jitsu tem origem japonesa e é uma arte marcial e um desporto de combate que privilegia a técnica, o equilíbrio e o uso de alavancas em detrimento da força bruta. A luta é efetuada sobretudo no chão, não existindo pontapés, socos ou joelhadas. Rezam as crónicas que foi criada pelos samurais como um recurso de defesa pessoal, e, numa tradução o mais livre possível, significa ‘arte da suavidade’. Dominando as técnicas corretas, permite que uma pessoa mais leve, de 60 quilos por exemplo, controle e derrote um adversário com o dobro do peso.

O jiu-jitsu contempla todas as idades (no MMA só dos 14 em diante) e o Fight Club tem uma turma de 20 praticantes entre os seis e os 11 anos. Em Portugal, o jiu-jitsu e modalidades associadas estão organizados de forma autónoma através de entidades próprias. Já o MMA integra a Federação Portuguesa de Lutas Amadoras.

“Queremos primar por uma boa organização, para mostrar credenciais e repetir para o ano”, sublinha o responsável. “Os portimonenses têm aderido e acredito que vamos lotar o Pavilhão da Boavista, que dispõe de magníficas condições”.

Os apoios e as mensagens
Arez aproveita para deixar claro que “os apoios locais têm sido determinantes e tudo aquilo que vimos desenvolvendo conta com o apoio da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia de Portimão”, destacando o incentivo da Divisão de Desporto da Câmara. “Estamos muito gratos por essa confiança e queremos continuar a desenvolver projetos em benefício do desporto e do bem-estar físico das crianças, jovens e adultos do concelho”.

As mensagens não ficam por aqui. “Queremos também contribuir para mudar a forma como os desportos de combate são vistos. Ainda existe um forte estigma que associa estas modalidades à violência, quando os valores que procuramos transmitir diariamente são precisamente outros: disciplina, respeito, superação, lealdade, companheirismo e amizade”.

Incentivar mais pessoas a praticar desporto e, sobretudo, levar as crianças e os jovens a saírem de casa, passando menos tempo com os telemóveis e descobrindo benefícios físicos, sociais e pessoais da prática desportiva, são outras metas do Fight Club.

“Nem todas as crianças precisam de ser campeãs. Se através do desporto conseguirmos ajudá-las a ser mais ativas, disciplinadas, confiantes, saudáveis e preparadas para superar dificuldades, já estamos a cumprir uma parte fundamental da nossa missão”, conclui Luís Arez. “O nosso objetivo é continuar a formar atletas, formar pessoas e levar o nome de Portimão e do Algarve cada vez mais longe”.

Um Campeonato do Mundo em Portimão

Um dos grandes objetivos do Fight Club a médio prazo é conseguir trazer um Campeonato do Mundo de MMA para Portimão, algo que seria inédito em Portugal. “Acreditamos que Portimão reúne todas as condições para receber uma competição internacional desta dimensão, já que a cidade e o concelho dispõem de infraestruturas, capacidade de acolhimento, clima excelente e experiência na organização de grandes eventos”. Luís Arez salienta ainda que “seria uma oportunidade extraordinária, não apenas para o MMA português, mas, também, para promover Portimão e o Algarve internacionalmente”.

As Artes Marciais Mistas

As Artes Marciais Mistas, conhecidas pela sigla MMA (em inglês, ‘mixed martial arts’), são um desporto de combate que combina técnicas de combate em pé e técnicas de luta no solo e que permitem que os atletas tenham plena liberdade para utilizar uma ampla variedade de técnicas comuns das artes marciais, como golpes com os punhos, pés, cotovelos e joelhos. Além disso, as quedas, projeções, alavancas e finalizações, incluindo chaves de braço e estrangulamentos, poderão ser determinantes para que um competidor leve a melhor sobre o outro e seja declarado vencedor. As lutas são realizadas numa arena, ou jaula, ou ainda num ringue tradicional de cordas. Embora tenham existido diversos estilos de artes marciais híbridas, o MMA moderno teve origem na convergência de dois movimentos distintos: o ‘vale-tudo’ brasileiro (contacto pleno e relativamente poucas regras) e a luta livre profissional japonesa. De um modo geral, o combate acaba por KO, KO técnico (quando o árbitro interrompe ao perceber que um atleta não consegue defender-se), submissão (o lutador desiste, batendo no adversário ou no chão) ou decisão dos juízes.

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