Ginástica P’lo Ar ganhou raízes e continua a apostar na formação

Texto: Hélio Nascimento | Foto: D.R.


A formação gímnica é o primeiro grande objetivo da Ginástica P’lo Ar Associação ESPAA, constituída em novembro de 2010 e que, hoje em dia, continua a ser uma referência no panorama desportivo do concelho de Portimão e de todo o Algarve. Surgiu na sequência de um trabalho iniciado pela professora Armandina Fortes, a nível do desporto escolar, que teve em Pedro Lobato um fiel seguidor.

“A professora Armandina trabalhava no antigo liceu, depois passou para a Escola António Aleixo, tendo sido das primeiras a fazer formação gímnica, sobretudo de rítmica”, conta Pedro Lobato, profundo conhecedor do esforço e dedicação da precursora. “Quando se reformou havia sérios riscos de desaparecer este trabalho e ainda esteve dois anos a apoiar um colega que aceitou ficar responsável pelo cargo, mas era ela que dava as aulas”.

Pedro Lobato, que nasceu em Moçambique, viveu em Vila Real de Santo António e rumou depois a Portimão, não podia ficar indiferente e resolveu prosseguir a iniciativa, fundando com Armandina a Associação sediada na Escola António Aleixo. “Ela aguentou uns anos connosco, era a técnica, mas depois achou por bem parar e nós continuámos”, refere o professor, licenciado em Educação Física e Desporto pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

“Acima de tudo, queremos contribuir para formar atletas no mundo da ginástica”, no caso numa vertente que mistura a rítmica e a acrobática e cuja denominação assenta nas iniciais dos nomes dos fundadores: ‘P’lo’ de Pedro Lobato e ‘Ar’ de Armandina, a que se juntam os termos Associação e ESPAA (Escola Secundária Poeta António Aleixo). “Só funcionamos na António Aleixo, com treinos diários entre as 18h30 e as 20h30”, um horário que, como adiante se verá, é já diminuto para tanta procura.
 
Os saraus e o ponto alto da época
“Nunca entrámos em competição e muita gente até se admira por isso, mas não temos espaço nem horários para treinar mais”. As atletas, todavia, recebem um “docinho a partir de maio, participando em cerca de uma dúzia de saraus espalhados pelo Algarve”. Há dois anos, note-se, a Associação deu mais um passo na sua atividade, federando-se na Ginástica Para Todos, que em Portugal é organizada e promovida pela Federação e que, de resto, é celebrada mundialmente.

“Participamos num evento regional, da Associação do Algarve, e num nacional, o ‘Gym For Life’, que valoriza a participação e espírito de equipa e no qual os grupos recebem menções de ouro, prata e bronze”, explica Pedro Lobato ao Portimão Jornal, repetindo “não dispor de horas de treino para poder entrar em competição”. Paralelamente, há toda a participação nos saraus, como já se disse, bem como nas aberturas de época e fases finais do desporto escolar. E o intercâmbio com os clubes da zona é uma mais-valia – “somos uma família e participamos nas festas uns dos outros”.

A Ginástica P’lo Ar tem dois espetáculos com cunho próprio, um em dezembro, “para comemorar o momento natalício, em que já mostramos algumas coisas”, e depois o sarau anual, “o ponto alto da época”, com os ginastas a exibirem-se a um nível elevado, que faz as delícias de todos, com performances criativas, ritmo contagiante e muito empenho, num momento de alguma solenidade. “Temos feito esta festa no Pavilhão da Boavista, mas às vezes existem dificuldades para reservar o espaço. Já fomos ao Arade, pavilhão que dá um carácter mais de espetáculo e do qual gostámos, e, para este ano, reservámos o da Boavista, para 13 de junho, mas vamos ver”.
 
Lista de espera em todas as classes
Mais de 100 alunos evoluem na Associação, “um número que tem vindo sempre a aumentar e que implica que haja lista de espera em todas as classes, inclusive porque a taxa de abandono é muito baixa”, vinca Pedro Lobato. As classes são seis: a dos minis, dos 3 aos 6 anos, palmo e meio a seguir, formação A e B e mais duas de representação, uma de grupo e outra mais virada para a rítmica. “Tentamos corresponder o nível etário com o nível de prestação da atleta, mas trata-se uma gestão que não é fácil”, reconhece o professor.

A idade das ginastas varia entre os 3 anos e mais de 30, sendo que as ‘menos novas’ estão na classe de rítmica e numa outra que “mistura figuras de acrobática e espaço coreográfico”, tudo graças ao legado de Armandina Fortes, que deixou marcas por todo o lado e tem ‘seguidoras’ em diversas coletividades, como Joana Dias, a diretora técnica da Ginástica P’lo Ar. Além dela e de Pedro Lobato, o corpo técnico integra Débora Duarte, Catarina Falcão (ambas já licenciadas) e Daniela Garcia, todas ex-atletas que quiseram ficar.

 “Por classe temos 28/30 atletas, sempre sob a direção de duas pessoas”, sublinha o único homem da Associação. “Ainda existe o mito que esta ginástica é para raparigas. Já tivemos alguns rapazes, agora não, mas a verdade é que nos faz falta um elemento com força para certos exercícios na acrobática”.

E não se pense que, aludindo à sigla ‘P’lo Ar’, os atletas andem em constantes voos. “De vez em quando andam”, graceja o professor, de 60 anos, com uma vida sempre dedicada ao desporto e que teve no hóquei em patins a sua modalidade de formação. Depois de tirar o curso ficou o bichinho pela ginástica…

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