Demência: uma ‘pandemia’ muito menos falada

Margarida Ferreira | Núcleo do Algarve da Alzheimer Portugal – Gabinetes de Lagoa e de Portimão

in Jornal Lagoa Informa, nº159


Apesar de não ser uma condição contagiosa, atualmente estima-se que mundialmente as vidas de cerca de 50 milhões de pessoas sejam afectadas pela doença de Alzheimer ou por qualquer outra forma de demência e este número está a aumentar em cerca de 10 milhões por ano, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

Em Portugal, cerca de 200.000 pessoas – mais do dobro de mulheres em relação ao número de homens – têm demência. Este é o último número redondo da organização não governamental sem fins lucrativos Alzheimer Europe.

Este número representa também os cuidadores, familiares e amigos de pessoas com demência cujas vidas são diariamente afetadas, mas de uma forma muito diferente.

A demência é uma síndrome, ou um grupo de sintomas, associados a um declínio contínuo do funcionamento do cérebro que se desenvolve lentamente ao longo dos anos e por vezes sem uma causa imediatamente evidente.

Geralmente os amigos ou familiares próximos apercebem-se dos sintomas, tais como perda de memória, dificuldades de atenção ou outras alterações cognitivas algum tempo depois do seu surgimento, pois assumem que fazem parte do processo normal de envelhecimento, diz a Dra. Margarida Ferreira, psicóloga da associação Alzheimer Portugal.

“É natural ficarmos um pouco mais esquecidos à medida que envelhecemos, mas por norma, após um curto período de tempo ou com a ajuda de uma pista, somos capazes de recuperar a informação. O que se verifica muitas vezes é que estes sinais precoces e discretos são ignorados e só mais tarde, quando algo significativo ou perigoso acontece, os familiares ou amigos próximos consideram que algo possa não estar bem».

A colaboradora do Núcleo do Algarve da Associação Alzheimer Portugal salienta que os cuidadores mais próximos se encontram quase sempre em sobrecarrega com “exaustão física, mental e emocional”.

Em alguns casos, diz ela, “não só pelo facto de estar constantemente a supervisionar a pessoa com demência e a ajudá-la nas suas necessidades sem qualquer formação ou alguém com quem partilhar os cuidados, mas também pela inversão de papéis, como acontece com um filho que cuida um pai ou um companheiro, marido ou esposa, que cuida do outro. Estes fatores podem contribuir para os sentimentos de perda face a alguém que um dia conhecemos de forma diferente”.

A prestação de cuidados pode ser esgotante para o cuidador, assim como a capacidade de manter a calma e ser paciente, especialmente, por exemplo, depois de ouvir repetidamente a mesma pergunta uma e outra vez.

“Esta sobrecarga ocorre frequentemente pelo facto de os cuidadores não terem tempo ou qualquer tipo de apoio para as suas próprias necessidades pessoais, o que inclui a compreensão e aceitação da doença, bem como a gestão dos seus próprios sentimentos e expectativas”, diz a Dra. Margarida.

“Esta ausência de autocuidado e apoio, juntamente com outros fatores, pode em alguns casos levar a problemas de saúde física e mental, tais como ansiedade e depressão”.

Portimão e Lagoa acolhem os dois Gabinetes locais da Associação Alzheimer Portugal no Algarve. É aqui que a Dra. Margarida Ferreira presta informações e apoios específicos a quem necessita, mediante marcação, de acordo com cada situação.

“Em alguns casos, a principal preocupação é a toma da medicação, noutros os cuidados pessoais ou comportamentos específicos”, diz ela.

A Dra. Margarida sugere ainda que os familiares, cuidadores e amigos de pessoas com demência consultem as informações disponíveis para cuidado ao cuidador no website Alzheimer Portugal: www.alzheimerportugal.org

Contactos | Núcleo do Algarve da Alzheimer Portugal
Gabinetes de Lagoa e de Portimão: geral.algarve@alzheimerportugal.org
Tel. 965 276 690

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