Opinião: A ilusão democrática

Pedro Manuel Pereira | Historiador


“Dêem-me o controlo sobre a moeda de uma nação e não terão de se preocupar com os que fazem as suas leis”.
Mayer Amshel Rothschild (1743-1812)

Os verdadeiros donos do mundo, na actualidade, não são os governantes das nações, mas antes, dirigentes de grandes grupos multinacionais industriais (química e farmacêutica, entre outros) e financeiros, bem assim como dirigentes de instituições internacionais opacas, como por exemplo: a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), o GATS (Acordo Geral Sobre Comércio dos Serviços), o AMI (Acordo Económico Internacional, sob a égide da OCDE), a MONSANTO (Propriedade da Bayer) e/ou os bancos centrais, caso da FED (Reserva Federal Americana), do FED (Fundo Europeu de Desenvolvimento), do Banco do Japão, do Tesouro Britânico, do FMI (Fundo Monetário Internacional), do Banco Mundial, e do Banco Central Europeu, entre outros, para além de imensas ONG’s (organizações não governamentais).

O poder destas organizações é exercido à escala planetária, enquanto o poder dos Estados se limita, quando muito, a uma reduzida dimensão nacional.

Desta forma, o poder das sociedades multinacionais através dos seus fluxos financeiros ao longo dos últimos anos, sobretudo a partir dos alvores dos anos 90, tem vindo a ultrapassar o poder dos Estados, dominando-os, tendo como seus «funcionários» os dirigentes políticos das nações, quase todos, previamente inscritos e instruídos no Clube Bilderberg, grupo da elite política e económica internacional nascido em 1954, com a finalidade de “promover o diálogo entre a Europa e a América do Norte”, que uma vez por ano se reúne à porta fechada em locais de países diferentes, em “concílios” secretos, rodeados de brutais aparatos militares e policiais de segurança. Tome-se como exemplo, os dirigentes políticos portugueses que têm participado nesses encontros anuais, cujos nomes (dos que se sabe) o leitor pode encontrar na internet, e que por sua vez estendem os seus dedos às regiões e concelhos mais apetecíveis do país através dos seus homens de mão, cumprindo ordens em cadeia de instituições industriais, económicas e financeiras internacionais.

Invariavelmente, esses líderes políticos quando deixam o poder, quer em Portugal quer um pouco por todo o mundo, vão servir quem já serviram.

De entre os ex e actuais líderes políticos, vários têm sido os que têm participado nos encontros anuais à porta fechada deste clube secreto. Alguns continuam estrelas em ascensão, caso de Durão Barroso, António Guterres, Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, Rui Rio e outras criaturas, outros já se apagaram, porque se finaram ou porque a sua prática de trambiqueiros, indiciados de crimes económicos e fiscais e em alguns casos, cadastrados, se tornaram demasiado incómodos para os outros membros do elitista Clube Bilderberg.

A dimensão tentacular económica das multinacionais mais ricas que a das nações, é por isso o principal recurso de financiamento dos partidos de todas as tendências na maior parte dos países, assumindo, encapotadamente, o verdadeiro poder político nas actuais democracias.

Esta, é uma das razões por que actualmente a democracia, no sentido mais lacto do termo, deixou de constituir uma realidade na maior parte dos países.

Os responsáveis das organizações que exercem o poder real, não são eleitos, nem o povo é informado das suas decisões, é evidente.

Por isso, os dirigentes dos partidos políticos no poder dos Estados, mais não constituem que meros executores dessas organizações.
Acresce que a sua margem de acção, tem vindo aos poucos a ser limitada, face aos acordos económicos internacionais, para os quais os cidadãos não são consultados nem tão pouco informados.

Todos os tratados elaborados nos últimos anos, como o GATT (em português: Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio), a OMC (Organização Mundial do Comércio), e a NAFTA (North American Free Trade Agremeent), por exemplo, visam um único objectivo: a transferência do poder dos Estados para as organizações não eleitas, de acordo com um processo em curso chamado de mundialização ou globalização.

“A democracia é a etapa política que precede imediatamente a oligarquia”.
Aristóteles (384 aC – 322 aC)

A suspensão progressiva das liberdades democráticas como temos vindo a assistir, não é passível no actual contexto, de provocar qualquer revolução, porque os governantes vêm mantendo uma democracia de fachada, iludindo os cidadãos, enquanto deslocam o poder real para novos centros de decisão.

A pretexto da segurança colectiva, instalam câmaras de videovigilância em todos os sítios possíveis, chips electrónicos nos veículos automóveis, implementam cartões de identificação unificados (cartões de cidadãos), controlam as telecomunicações fixas e móveis, incluindo a localização de qualquer telemóvel em tempo real, mesmo que desligado e sem bateria, graças ao IMEI inscrito no microchip nele instalado, alimentado por uma micro bateria, tudo isto rastreado ao segundo através de satélites que permitem obter a localização exacta do indivíduo, podendo, assim, devassar a vida privada de todos e de cada um, entre outras grilhetas menos sofisticadas como a da Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais (SWIFT), consórcio interbancário com sede em Bruxelas, que rastreia centenas de milhares (ou milhões) de transacções financeiras diariamente, quer de empresas, Estados ou de simples cidadãos através dos multibancos e/ou as ATM.

“Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros”.
In Triunfo dos Porcos. George Orwel

Por tudo isto, embora os indivíduos continuem a votar, o seu voto é vazio de conteúdo, porque votam em candidatos políticos que após tomarem posse dos cargos, na verdade não detêm o poder real.

Desta forma perde sentido, face à prática presente dos governos eleitos, que a questão de decidir entre programas políticos ditos de «direita» ou de «esquerda» seja importante, porque mais não constituem do que uma mera formalidade que o cidadão cumpre ao colocar o voto na urna quando há eleições.

Em suma: não podemos escolher o cozinhado, mas podemos escolher o molho. E já agora, porque os rótulos ideológicos cada vez mais não passam disso mesmo: onde começa a chamada “esquerda” e acaba a dita “direita”?

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