Opinião: Ao sul … “O bom da derrota!”

Carlos Gordinho | Professor | Lagoa Informa, nº161


A derrota é inevitável em qualquer que seja o processo da vida humana, bem como o ganhar. Existe espaço para ambos e os dois são complemento do ser humano.

Existe uma tendência demasiadamente exagerada de se dar uma conotação negativa e pesada à derrota. A derrota (perder) pode estar associada a inúmeras situações do quotidiano de cada um de nós, nas demais dimensões, pessoais, familiares, profissionais, relacionais, sociais, políticas, culturais, desportivas, entre outras.

Em algumas destas dimensões, a derrota não significa sermos inferiores ou nos diminuirmos. Pode ser um sinal de alerta, de mudança, de melhoria, de motivação, dependendo de como cada um encara ou recebe a derrota ou perda.

Somos confrontados diariamente com ocasiões menos positivas e a tendência é reagir menos bem. Porque não fazer das fraquezas forças? Certamente, depende da dimensão da derrota.
É preciso saber aceitar a derrota e saber perder, tendo a capacidade de análise, do que nos levou a tal estado ou condição.

Facilmente, a argumentação utilizada é a culpabilização do outro ou dos outros, mas felizmente, já vão existindo sinais de que o aceitar a derrota é bem identificada e justificada pelo melhor do outro.

Sem adversário, sem o outro não há “jogo”, sem “jogo” não há vitória ou derrota.

No programa Fronteiras XXI, documentário da RTP 3, cujo tema foi “Os jovens e o Desporto: Das escolas às competições.”, Tomás Morais numa passagem do programa fez a seguinte afirmação: “Os treinadores têm medo de perder!”.

Volto a relembrar, porque já o fiz aqui em outra ocasião, que defendo que há áreas da nossa sociedade civil que deveríamos beber dos valores que o desporto tão bem nos dá e nos ensina.

Vou jogar, vou concorrer, vou candidatar-me, então devo tentar preparar-me da melhor forma ou da forma possível, sabendo que do outro preciso, enquanto amigo, companheiro, colega, guia, treinador, conselheiro ou adversário. Independentemente de qualquer resultado, jamais devemos desprezar e desvalorizar o outro.Quem sabe poderá ser esse, o mesmo que nos alicerça a nossa derrota e nos impulsiona para novo processo de conquista.

Sou seguramente a favor da vitória, do ganhar, embora, saibamos que da mesma forma que traz o melhor de nós, também por vezes esconde e simula algo. Seguindo esta premissa, tenho a capacidade de valorizar a derrota, como fator de um processo importante e fundamental no desenvolvimento humano e da nossa sociedade.

O defender ‘O bom da derrota!’, considero dar os indicadores de:

  • que ainda posso melhorar muito;
  • que posso refletir e avaliar o processo para o corrigir;
  • que tenho a capacidade e humildade de aceitar que o outro foi ou é melhor que eu, neste momento;
  • que posso escolher um caminho diferente para que possa chegar mais forte (diferente);
  • onde é que posso melhorar e ser melhor;
  • onde posso procurar a ajuda e fugir ao egocentrismo;
  • que me posso tornar, ainda mais resiliente, menos conformista;
  • que posso melhorar a minha ‘imunidade’;
  • porque é que somos escolhidos para estar em determinados locais e contextos;
  • que interiormente posso conquistar e valorizar a autoestima, como fator motivacional de melhoria constante.

Vamos então não ter medo de perder, perseguir o que idealizamos como melhor caminho e trilho, que nos sustenta os valores que idealizamos de melhores e praticamos no seio das nossas diferentes sociedades.

Afinal, a derrota dá-nos coisas muito boas e não é assim tão má. Mas façam pela “vitória”.

Façam por ser melhores amanhã, porque ser melhor é …

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