Zambujo: “Tenho tudo para fazer uma grande época”

Texto: Rafael Duarte | Fotos: D.R.


Luís Zambujo. Esse mesmo que passou pelo Portimonense e Farense, tendo celebrado subidas de divisão nos escalões nacionais em ambos os clubes, está de volta ao Algarve e engane-se quem pensa que já pendurou as chuteiras. Com os 36 anos acabados de fazer, Zambujo vai representar o Grupo Desportivo de Lagoa na nova temporada e quer ajudar o clube a alcançar o objetivo de ficar entre os seis primeiros classificados na 1ª Divisão Distrital do Algarve. “Estou muito feliz. Regresso ao Algarve para uma divisão onde nunca tinha jogado e estou confiante que tenho tudo para fazer uma grande época”, revela à Algarve Vivo.

Na última época, Zambujo representou o Vitória do Pico, dos Açores, onde fez 18 jogos. Essa aventura fê-lo compreender que a sua condição física até estava “melhor do que pensava” e podia voltar a competir. Por isso, no final da temporada, quando regressou ao Algarve com a intenção de ficar, entendeu que também não era altura para pôr um ponto final na carreira.

“Fui pai e quis ‘assentar arraiais’. Deixei os Açores e vários clubes viram-me de regresso a Portimão, mas pensavam que estava de férias. Quando perceberam que vim para ficar ligaram-me”, lembra o futebolista que decidiu então ouvir a proposta do GD Lagoa. “Fui falar com a direção e o treinador e gostei da conversa. Inclusive já com contrato assinado ligaram-me mais dois clubes que queriam contar comigo e, se calhar, projetos financeiramente mais vantajosos para mim, mas sou um homem de palavra e serei jogador do GD Lagoa na próxima época”, garante.

Esta vai ser uma experiência diferente das outras porque vai ser um três em um. “Para além de jogar, vou estagiar, pois tirei o nível B do curso de treinador, mas preciso do estágio e vou fazê-lo com o mister Toni Seromenho na equipa. Vou também treinar uma equipa das camadas jovens. É um projeto que tem pernas para andar e estou desejoso que comece”.

“O GD Lagoa vai ser uma equipa respeitada”
Enquanto estreante na 1ª Divisão Distrital do Algarve, Luís Zambujo já estudou aquilo que o espera. Nesta época o formato volta a ser como era antes, ou seja, os seis primeiros classificados vão ao ‘play-off’ de subida e os seis últimos ao ‘play-off’ de descida. Por isso, o objetivo do clube está definido.

“Acima de tudo queremos fazer um campeonato melhor que o último e ficar entre os seis primeiros. Assim vamos para o ‘play-off’ de subida e o que vier depois a mais é bom. Há equipas com poder financeiro superior ao do GD Lagoa, mas estamos a construir um plantel muito engraçado, temos uma equipa técnica liderada pelo mister Toni Seromenho com muita qualidade e uma direção que não vai deixar que nos falte nada”, refere o experiente jogador que garante que “as pessoas vão olhar para o GD Lagoa de maneira diferente que têm olhado nos últimos anos por diferentes motivos e vão gostar de ver esta equipa a jogar”.

Os favoritos
E esperam-se jogos difíceis pela frente. Zambujo mostra os seus conhecimentos. “O Louletano é o grande candidato porque desceu e tem força no futebol algarvio. O Quarteirense SAD também está a apostar forte e foi buscar jogadores a vários sítios. E há ainda clubes difíceis de jogar como o Culatrense, o 11 Esperanças em casa, o Silves que é muito difícil e nunca assume uma candidatura para subir, mas está sempre entre os cinco primeiros. Vai ser um campeonato engraçado”, explica.

O peso dos 36 anos
Na preparação para mais uma época competitiva, Luís Zambujo admite que ainda tem o espírito de um jovem atleta e mantêm uma rotina de jogador profissional. “Tenho que treinar pelo menos seis vezes por semana, só não treino aos domingos. Cuido mais da minha alimentação e faço ginásio quatro vezes por semana. Tenho uma genética que também me permite usufruir. Gosto de ir à praia e passear. Para ser sincero, tenho os mesmos cuidados que tinha com 20 anos. Apesar do GD Lagoa não ser um clube profissional eu faço vida de profissional”, garante.

Ainda assim, aos 36 anos e depois de tantas boas recordações em diferentes relvados a sul do país, afinal o que é que ainda faz Luís Zambujo jogar? “Nos Açores era o terceiro jogador mais velho do campeonato e perguntaram-me se era mesmo tão velho. Mas eu sinto-me bem e não me consigo ver sem continuar a jogar futebol. Todas as manhãs acordo e a primeira coisa que faço é ir treinar”. Ainda assim, admite que este pode mesmo ser o ano do adeus.

“Quando me perguntam se é o meu último ano a jogar respondo sempre: jogo mais este ano de certeza, para o outro não sei. Atualmente posso dizer que acho que não vou continuar, mas vamos ver”.

Percurso

Subidas inéditas o Portimonense e Farense

A carreira de Luís Zambujo como futebolista começou em 1996 quando integrou os escalões de formação do Benfica. Por lá ficou até 2006, ano de despedida em que chegou a marcar três golos nos 25 jogos que fez pela equipa B dos encarnados. Assinou depois pelo Olivais e Moscavide, seguindo-se o CD Aves, Atlético, Oriental e Igreja Nova até chegar ao Algarve. Em 2010, assinou pelo Farense e marcou 10 golos em 31 jogos. Números que lhe fazem dar o salto para a Segunda Liga e para Portimão, onde ficou um ano no Portimonense. Saiu para o Belenenses na época seguinte, mas voltou ainda no decorrer da mesma temporada. Nesse regresso ganhou alguma estabilidade e manteve-se ao serviço dos alvinegros entre 2012 e 2016. No ano da despedida ajudou o Portimonense de Vítor Oliveira (com 27 jogos e duas assistências) a alcançar o inédito título da Segunda Liga e consequente subida ao principal escalão do futebol português. Zambujo voltou então para o Farense e festejou mais uma subida. Neste caso do Campeonato de Portugal para a Segunda Liga. Ainda continuou no Algarve para representar o Louletano em 2018/19 e antes de regressar ao sul do país para vestir a camisola do GD Lagoa nesta nova temporada, esteve no GD Portel e Vitória do Pico.

“O melhor ‘sim’ que dei”

No ano passado Luís Zambujo fez as malas para deixar Portugal Continental pela primeira vez enquanto jogador. A viagem não foi tão longa assim pois assinou pelo Vitória do Pico, dos Açores. Um convite que chegou quando menos esperava, enquanto aproveitava umas férias no Algarve. “Ligaram-me para saber o meu futuro. Tinha acabado de tirar o curso de treinador, mas ainda queria jogar. Era para jogar no Guadalupe da Ilha da Graciosa que queria subir de divisão. Estava de férias e não tinha intenção de ir por isso recusei. Depois ligou-me o presidente do Vitória do Pico e gostei mais da conversa dele, apesar do clube não ter a mesma ambição de subir”. No final da experiência faz um balanço bastante positivo. “Ainda ganhámos a Taça Manuel José da Silva e não falharam comigo em nada. Adorei lá viver. Fizemos lá o meu filhote e vou voltar de certeza aos Açores para os visitar. Adorei a gente e o clube”, e admite ainda que “gostava de ficar lá mais um ano, mas sendo pai ficou difícil continuar. Ainda assim posso dizer que foi o melhor ‘sim’ que dei a um clube nos últimos cinco anos”.

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