OPINIÃO: As oportunidades mais relevantes raramente aparecem na agenda

Carla Martins
Empreendedora e CEO BLiSS Image & Life Consulting


Há encontros que parecem casuais, mas podem mudar o rumo de um projeto.

Uma conversa de dez minutos pode abrir uma porta que meses de emails não conseguiram abrir. Uma apresentação pode transformar-se numa parceria. Alguém pode entrar numa sala sem conhecer ninguém e sair com uma ideia, um contacto ou uma oportunidade que não estava prevista. Mas isso raramente acontece apenas por acaso. Exige contexto, intenção e preparação.

É também assim que olho para o meu trabalho.

Durante muito tempo, áreas como a imagem pessoal e profissional, a comunicação de marca pessoal e o bem-estar organizacional foram tratadas como temas separados e, muitas vezes, como acessórios.

Vejo-as de forma integrada, como estratégia pertencentes à mesma caixa de ferramentas. Tudo comunica. A forma como chegamos, como falamos, como ouvimos, como ocupamos um espaço e aquilo que deixamos nos outros depois de sairmos.

A imagem pessoal e profissional começa precisamente aí. Não se resume à roupa ou à aparência. É a coerência entre aquilo que somos, aquilo que fazemos e aquilo que queremos transmitir. A nossa presença fala antes de nós. Pode transmitir confiança, competência, criatividade ou autoridade antes mesmo de explicarmos quem somos.

A comunicação da marca pessoal ou corporativa acrescenta outra dimensão. Porque ser competente não é suficiente se ninguém conseguir perceber onde está o nosso valor. Marca pessoal ou corporativa não é apenas presença nas redes sociais. É perceção. É reputação. É aquilo que as pessoas associam ao nome quando não se está presente.

Há uma terceira ferramenta que não pode continuar a ser encarada como secundária, o bem-estar pessoal e organizacional.

Falamos muito de produtividade, liderança e desempenho, mas nem sempre questionamos as condições que criamos para que tudo isso aconteça. Uma organização não constrói uma cultura forte apenas escrevendo valores numa parede. Constrói-a na forma como as pessoas se sentem, são tratadas, ouvidas e reconhecidas. Por isso, o bem-estar não é um intervalo na nossa vida, nem no local trabalho. É parte integrante da estratégia âmbito pessoal e profissional.

Estas três dimensões encontram-se num ponto comum, as pessoas.

Como aparecemos. Como comunicamos. Como nos relacionamos. Como fazemos os outros se sentir.

É aqui que gosto de pensar no meu trabalho como Arquiteta Humana, com uma caixa de ferramentas estrategicamente humanizada. Não acredito em fórmulas iguais para todos. Prefiro a lógica de um alfaiate, observar primeiro, compreender, medir e só depois construir à medida.

Porque, muitas vezes, aquilo que aparece à superfície não é o verdadeiro desafio.

Uma pessoa pode pensar que precisa de melhorar a imagem quando precisa, sobretudo, de clareza no posicionamento. Pode acreditar que precisa de comunicar mais quando precisa de comunicar melhor.

Uma empresa pode procurar mais uma ação de motivação quando deveria começar por compreender como as suas pessoas se sentem todos os dias.

Ter ferramentas é importante. Saber quando, como e porquê utilizá-las é estratégia humanizada.
É neste cruzamento entre pessoas, comunicação e organizações, e ter o Algarve como contexto e ponto de encontro, um território onde convivem profissionais, empresas, empreendedores e pessoas de diferentes culturas e percursos.

Essa diversidade permite criar ligações, trabalhar realidades distintas e transformar conceitos como imagem, reputação, comunicação e bem-estar em algo concreto.

Porque, no fim de contas, podemos dominar tecnologia, metodologias e tendências. Mas continuamos a estabelecer conexões e negócios com pessoas e para pessoas. A liderar e a comunicar com pessoas. Bem como, querer ser reconhecidos e escolhidos por pessoas. O verdadeiro diferencial é Ser Humano.

Imagem, comunicação e bem-estar deixaram, por isso, de ser acessórios. São ferramentas de posicionamento, confiança e transformação humanizada.

E é precisamente aí que acredito que está o seu verdadeiro valor.

Presença, reputação, confiança e impacto não devem ser meras oportunidades ao acaso. Mas sim, estratégias humanizadas que geram valor acrescentado e sustentável.

  • artigo publicado ao abrigo da parceria entre o Portimão Jornal e a StartUp Portimão

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