Grupo Amigos de Lagos faz a diferença na comunidade

Texto: Hélio Nascimento | Fotos: D.R.
Fundado em 1993, o Grupo de Amigos de Lagos não tardou a encontrar um espaço de eleição entre a comunidade, quer pelos seus princípios – a defesa e promoção dos valores e interesses dos lacobrigenses – quer, também, pela diversidade das suas atividades, marcadamente culturais e sociais. Sem esquecer o papel determinante dos muitos fundadores (27) e distribuindo méritos por todos os colegas que estão consigo na direção, Carlos Matos, o atual presidente, falou à Algarve Vivo e deixou bem claro que importa pugnar “pelos ideais de um Lagos sempre melhor”. Uma entrevista singular num contexto plural.
Como e quando surgiu o Grupo de Amigos?
A Associação Grupo de Amigos de Lagos (GAL), sem fins lucrativos, foi constituída por escritura pública em 27 de janeiro de 1993, tendo por objetivos a defesa e a promoção dos valores e interesses de Lagos e das suas gentes, através de iniciativas de carácter social, cultural e recreativo. O dia então escolhido, 27 de janeiro, é uma data importante no nosso calendário local, pois é quando comemoramos a elevação de Lagos a cidade, ocorrida no ano de 1573, por decisão do então rei de Portugal D. Sebastião.
Uma iniciativa de cidadãos lacobrigenses?
O GAL nasceu da iniciativa e determinação de um grupo de cidadãos lacobrigenses unidos, no propósito de valorizar e promover os valores da história local, do papel dos muitos cidadãos que ao longo de muitas gerações deram o seu contributo, nas mais variadas áreas, para a construção de uma cidade marcadamente histórica, de trabalho, de cultura e de solidariedade e aberta ao mundo, cosmopolita… Foram cidadãos e cidadãs ativos, intervenientes na vida económica, social, cultural, política da cidade que reconheceram a importância da união, a força do grupo associativo para debate de ideias e produção de projetos e obras ao serviço da sua comunidade.
O que têm privilegiado em termos de eventos culturais? Conferências, apresentação de livros, exposições…
Nós, que fomos eleitos em 2022, com uma assinalável participação feminina, temos mantido o rumo que nos foi legado pelas anteriores direções, de bem servir. Temos seguido o lema de falar ao coração dos nossos associados com particular foco na participação ativa nas áreas do enriquecimento cultural, pela realização de conferências temáticas, apresentação de livros de autores locais e regionais, jantares de debates temáticos em bom convívio. Outra vertente da nossa atividade tem sido a realização de visitas guiadas ao património local, regional e também nacional na descoberta da riqueza patrimonial e ambiental existente no nosso país.
Como é que a comunidade tem respondido?
A comunidade tem respondido bem, com muito interesse e envolvimento, assistindo e participando nas várias atividades que temos realizado. Refiro como exemplo o significativo aumento de número de sócios.
Consideram-se um pouco elitistas, ou nem por isso?
Não, não nos consideramos elitistas nem nós nem os que estiveram antes de nós. O nosso pensamento vai para o direito à igualdade de oportunidades para todos, independentemente da sua origem, formação académica ou atividade profissional. Aqui o que nos une é a consideração pela partilha dos conhecimentos, pela valorização pessoal, pela apresentação de projetos e iniciativas que consideramos úteis para esta comunidade onde vivemos. A porta está aberta a todos.
Há muitos lacobrigenses ‘de peso’ no grupo? Ex-políticos, presidentes de instituições, professores…
Sim, uma das coisas que a idade traz para todos nós é, sem dúvida, o aumento do peso… falando a sério, para nós e como já referi anteriormente, as cidadãs e cidadãos são todos merecedores do mesmo estatuto. Todos iguais!

Fazia falta a Lagos um grupo como o vosso?
Sim, fazia falta… a vida e o tempo assim o têm demonstrado. O GAL foi criado há 33 anos e cá está bem vivo, com muitos associados, cheio de força e projetos. É minha convicção que estamos cá para durar, para o passar às gerações mais novas que continuarão a pugnar pelos mesmos ideais de um Lagos sempre e cada vez melhor.
Neste contexto, há um vazio em outras cidades algarvias?
Não tenho condições nem conhecimentos seguros para responder com rigor à questão. No entanto, penso que as comunidades procuram sempre respostas para as suas inquietações e preocupações comuns, caminhos para a resolução dos seus problemas. E daí acredito que nas cidades e vilas da nossa região tenham surgido, ao longo dos anos, associações e instituições que têm na sua origem pressupostos semelhantes ao GAL.
A nova sede, no edifício da Janela Manuelina, deu um outro ‘ar’, para melhor, ao Grupo de Amigos de Lagos? Porquê?
Sem dúvida! É um espaço com todas as condições para potenciar o trabalho da nossa Associação. É um edifício relativamente pequeno, mas em muito boas condições, numa das praças mais emblemáticas da cidade – a Praça do Infante – e que nos vai permitir realizar os encontros, reuniões de trabalho e até eventos abertos ao público com todas as condições de conforto e segurança. Manifesto aqui o nosso reconhecimento ao município por esta decisão que muito nos orgulhou.
Qual é o vosso tipo de ‘agenda’ e de funcionamento?
Temos um plano de atividades e respetivo orçamento aprovados, dando seguimento às ações que temos vindo a desenvolver. Destaco o retomar da edição de uma coletânea de poesia de vários autores locais, por exemplo. Em 11 de outubro iremos realizar um almoço convívio com a orquestra Algarve Camerata, seguindo-se uma Conferência com a arquiteta Maria José Lains a 24 de outubro sobre o Gótico nas 21 igrejas de Tavira. Continuaremos a promover visitas ao património histórico e ambiental, estando na mira uma visita para novembro à zona Oeste do país.
Que ideias para o futuro?
Continuaremos, com o entusiasmo dos nossos associados, a planear atividades que nos proporcionem bons momentos.





