Opinião: Estou triste ou estou deprimido (a)?

Sónia Francisca Silva
Psicóloga Clínica (Especialista em Neuropsicologia e Psicogerontologia)
Email: sfspsicologia@sapo.pt, in Lagoa Informa Jornal nº171


É natural que ao longo das nossas vidas possamos sentir-nos tristes, é uma emoção entre tantas outras que podemos experienciar. Respeite e aceite esta emoção, como algo natural e que também nos faz crescer enquanto pessoas. A depressão é muitas vezes associada à tristeza, porque diz-se, erradamente, que quem está triste está deprimido, tomando uma emoção pelo estado geral do indivíduo.

No entanto, podemos estar perante um estado físico e psíquico particular, sendo que a variação do humor, apenas se torna significativa num determinado conjunto de sintomas. Esses sintomas, como irritabilidade, apatia, lentificação do discurso e psicomotora, diminuição da atenção e da memória, fadiga generalizada, baixa auto-estima, isolamento, ao persistirem, clinicamente, no tempo, caracterizam um quadro de depressão.

Sabe-se que embora a depressão possa afetar pessoas de todas as idades e de todas os estratos sociais, o risco de se tornar deprimida aumenta com a pobreza, desemprego, acontecimentos de vida (como a morte de um ente querido ou uma rutura de relacionamento), doenças físicas e problemas causadas pelo uso de álcool e drogas; acresce o contexto pandémico que estamos a viver, que potencia todas as situações anteriores.
A depressão será uma consequência inevitável de um momento em que o comportamento se desorganiza e há uma diminuição do investimento do indivíduo, seja em pensamento ou ação, com o mundo que o rodeia, persistindo até ao momento em que consiga organizar novos padrões de emoções-pensamentos-comportamentos e objetivos. Em situações particulares, como as perdas, o deprimir fará parte do curso natural, pois o indivíduo estará a atravessar um período necessário à sua evolução normal.

Sabe-se que a consequência mais severa da depressão poderá ser o suicídio, mas também, a evolução para possíveis manifestações psicóticas e demências, caso não tratadas.

Existem tratamentos medicamentosos (dependendo da severidade) e psicoterapêuticos para a doença, sendo que a maior parte das pessoas recupera de episódios e períodos depressivos, a depressão não é ‘falta de força de vontade’ ou ‘manha’, é de origem neuropsicológica (orgânica e psicológica).

A forma desvalorizada como se olha para a pessoa com depressão, provoca maior sentimento de culpa e incapacidade na pessoa e contribui para o estigma. “Nunca diria ‘É só um cancro isso passa’, pois não? Então porque o dizemos de alguém que sofre de depressão?” (OPP)
A depressão é classificada pela OMS como o maior contribuinte da incapacidade para a atividade produtiva, com custos elevados para os Estados, em todo o mundo.

Pratique o auto-cuidado e treine a resiliência: uma boa higiene do sono, atividade física, dividir os problemas em pequenas partes pedindo ajuda a amigos para lhe darem uma outra perspetiva do problema e tomar decisões por etapas, assim como estar em contacto com os amigos, descobrir e/ou persistir em atividades que lhe dão prazer previne a situação de doença depressiva.

Consulte o documento:
https://www.ordemdospsicologos.pt/ficheiros/documentos/opp_vamosfalardedepressao_documento.pdf

Peça ajuda junto do seu médico de família ou ligue para a linha de aconselhamento psicológico 808 242424-opção 4.

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