Portimão defende construção de nova ponte sobre o Arade

Texto e foto: Jorge Eusébio, in Portimão jornal nº56


Criar condições para permitir que as pessoas possam, em segurança, percorrer a cidade a pé, de bicicleta ou de outras formas de transporte que não apenas a automóvel é o objetivo essencial do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, que foi apresentado no dia 22 de setembro, no auditório do Portimão Arena.

Isso implica a criação de mais ciclovias e ruas de coexistência, onde, em harmonia, todas estas formas de deslocação sejam possíveis.
Para que não haja necessidade da realização de tantas deslocações de automóvel, o documento também defende que se fomente uma cultura de bairro, onde os cidadãos tenham o essencial do que precisam a pouca distância da sua casa, sem precisar de se deslocar com tanta frequência ao hipermercado situado a quilómetros de distância.

A criação de pequenos jardins em muitos pontos da cidade, que tornem a fruição do espaço exterior mais agradável, é outra das ideias apresentadas.

Atravessar o rio de barco
Este é um documento extenso, que abarca um vasto rol de intervenções. Uma das propostas concretas ‘fortes’, apresentada pela responsável máxima da empresa Mobilidade e Planeamento do Território, Paula Teles, que nele tem vindo a trabalhar ao longo dos últimos quatro anos, é a criação de uma nova ponte rodoviária e ferroviária de ligação ao concelho de Lagoa.

Com esta nova infraestrutura, poderá libertar-se a grande carga e pressão que a ponte ‘velha’ tem e retirar muito trânsito do centro da cidade. Aquela via de comunicação poderia continuar a funcionar, mas exclusivamente com “modos sustentáveis de deslocação”, ou seja, nela deverão deixar de passar viaturas automóveis.

Paralelamente, sugeriu o vice-presidente da Câmara, Álvaro Bila, poderá ser fomentada a passagem do rio por barco movido a energia eléctrica.
Outra das sugestões de vulto é a edificação de uma Plataforma Intermodal, que “promova a integração física dos diversos modos de deslocação”, nomeadamente, o ferroviário e o rodoviário.

A principal via de comunicação da cidade, a V6, deve ser objeto de uma grande requalificação. Trata-se de uma estrada que, em muitas alturas do dia, está congestionada e que “divide e separa territórios”. No documento defende-se que nela sejam incorporados mais espaços verdes e que o tráfego rodoviário seja redistribuído para outras estradas que venham a ser criadas.

Se este plano for cumprido, também a Zona Ribeirinha de Portimão irá ser alvo de uma intervenção, com a criação de novos espaços, que atraiam mais cidadãos e turistas.

Escada rolante ou teleférico para a Praia da Rocha
O repensar de “toda a política ligada ao Porto de Portimão”, nomeadamente, “como é que vamos resolver o problema dos navios que ali entram, como é que vamos juntar os cruzeiros com as embarcações de carga e da área comercial” é outra das ideias propostas, tal como a de “unir toda esta frente de rio à Praia da Rocha, através de um elevador, de uma escada rolante ou teleférico e que aquela encosta seja tratada, do ponto de vista paisagística”.

Provavelmente, menos consensual é a sugestão avançada por Paula Teles de, a exemplo do que já fazem outros municípios, “cortar o trânsito automóvel nas ruas das escolas”, para que as crianças possam caminhar e, dessa forma, fazer algum exercício físico, uma lacuna que se verifica cada vez mais e que tem consequências negativas, em termos de saúde.

Álvaro Bila não se comprometeu com a medida, mas lembrou que a Câmara tem vindo a construir parques de estacionamento perto de escolas, o que facilita a vida de quem tem de ir levar e buscar os filhos aos estabelecimentos de ensino.

Recordou que isso foi feito junto ao Centro Escolar do Pontal e também no espaço situado entre o Mercado e a Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes. E, apesar das pessoas se queixarem muito da falta de estacionamento, a verdade é que “esse espaço só à sexta-feira e ao sábado é que tem muitas viaturas, pois nos outros dias está quase vazio”.

Uma outra escola que ficará dotada de uma zona de parqueamento de viatura será a Júdice Fialho, referiu o autarca.
Ainda assim, admite que “vamos ter de fazer muitos outros parques de estacionamento e isso está contemplado neste plano”.

Mudança de mentalidades
Quanto às alterações que se apontam nas ligações com outros concelhos, nomeadamente o de Lagoa, Álvaro Bila, referiu que, nesta fase, ainda não houve negociações ou grandes conversas sobre a matéria, mas isso será feito, até porque, e, provavelmente, recordando-se de alguns atritos do passado, garantiu com alguma ironia que “não queremos problemas com o concelho de Lagoa”, mas sim soluções que sirvam as duas populações.

O vereador responsável por esta área, José Cardoso, referiu que este “é um documento estratégico, uma espécie de Plano Diretor Municipal (PDM) da mobilidade sustentável, que aponta os caminhos que Portimão quer seguir, nesta área”.

O autarca também frisou que o que se pretende é resolver os problemas da mobilidade, mas admitiu que este será um processo complexo e que levará bastante tempo a ser executado.

Isto porque, para além do investimento necessário e da obra física, para ter sucesso precisa que haja uma mudança de mentalidades por parte da população, sobretudo no que diz respeito à utilização do carro, o que não vai acontecer de um momento para o outro.

Embora o trabalho esteja muito avançado, esta ainda não é a versão final do documento, que passa, agora, a estar disponível para receber contributos dos cidadãos até ser aprovado na Câmara e na Assembleia Municipal.

José Cardoso conta que todo o processo fique concluído até ao final do ano, seguindo-se o processo de operacionalização das medidas que venham a ser aprovadas e o lançamento dos respetivos concursos e empreitadas.

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