Quase uma centena de refugiados foram acolhidos no concelho de Lagoa

O concelho de Lagoa recebeu, desde final de fevereiro até à semana passada, 94 ucranianos, que fugiram da guerra naquele país. Representam 39 famílias e têm sido alojados em casas de familiares, amigos ou de lagoenses que se disponibilizaram para recebê-los.
Os números oficiais, relativos aos registos que deram entrada no Centro Local de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM), foram avançados ao Lagoa Informa por Luís Encarnação, presidente da Câmara Municipal, que acredita que mais pessoas possam chegar ao país se o ataque militar da Rússia se mantiver.

O autarca revela que, até à data, ainda não foi necessário utilizar alojamentos protocolados pelo município, mas garante que as camaratas dos ‘Amigos da Mexilhoeira’ poderão ser utilizadas de forma provisória por alguém que chegue e que não tenha qualquer referência de amigos e familiares.

“Temos prestado apoio no transporte, divulgação, na alimentação, no registo dos cidadãos ucranianos, no acesso aos serviços de saúde, na ponte com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, na integração nas escolas”, enumera Luís Encarnação.

Esta última tem sido, aliás, uma das prioridades, porque, na opinião do autarca, o mais novos têm direito a continuar os estudos. “Algumas crianças são acompanhadas por colegas, de nacionalidade ucraniana de preferência, mas também russa, que dominem o idioma. Há ainda cursos de línguas para os adultos”, reforça.

No total, no concelho, dez jovens frequentam o secundário, 25 estão distribuídos pelos três ciclos do ensino básico e nove estão no infantário e no pré-escolar.

No que diz respeito aos adultos, a linguagem é uma grande barreira, por isso, a autarquia e o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), abriu inscrições para os refugiados que queiram aprender português para poderem trabalhar. Assim que houver entre 20 a 25 pessoas os cursos iniciam-se.

Apoio ao emprego
“O Balcão do Empreendedor da Câmara Municipal, que funciona no secretariado do Parque de Feiras e Exposições (FATACIL), recebe pedidos de ofertas das empresas do concelho e regista pedidos de trabalho por parte dos cidadãos. Assim que o processo de regularização dos cidadãos ucranianos estiver terminado, articulamos com a ação social para inscrevê-los e, quando houver ofertas coincidentes com a procura, são encaminhados. Não podemos esquecer que continuamos a viver um problema grande de falta de mão de obra”, acrescentou o autarca.

Ainda assim Luís Encarnação destaca que o registo à chegada está a ser ágil. “Não é uma cobertura no país a cem por cento, mas tendo em conta a situação que se vive os números são animadores e significam que, muito em breve, estarão todos regularizados”, elogia.


Prestação de cuidados de saúde
Alguns dos refugiados que estão a chegar ao concelho integram as faixas etárias mais vulneráveis o que leva a que seja necessária uma maior atenção às questões da saúde. Segundo Maria João Santos, responsável pelo movimento ‘Mais Lagoa’, estas situações estão a ser acompanhadas no Centro de Saúde local, sendo que os casos mais graves já foram encaminhados para as unidades do Centro Hospitalar Universitário do Algarve e daí para Lisboa. Numa emergência há ainda o auxílio da Clínica Particular de Lagoa.

É exemplo uma criança de pouco mais de dois anos com problemas cardíacos, acompanhada pela mãe e pelo pai, que em regime de exceção foi autorizado a sair do país devido à condição da menor, e que já está a trabalhar.

Há ainda o caso de um homem que será seguido pelo serviço de neurocirurgia em Faro, pois tinha sido operado a um aneurisma antes de chegar a Portugal ou até de uma mulher com mais de 70 anos com valores dos diabetes desregulados que já está a ser seguida no Centro de Saúde.

Envio de medicamentos
Uma das últimas iniciativas que a Câmara promoveu foi o envio para Siret, na Roménia, de uma carrinha da autarquia, cedida à Junta de Freguesia de Ferragudo, cheia de medicamentos, materiais cirúrgicos e médico doados.

“Levou também um kit de tratamento oncológico para uma criança em concreto que sofre de leucemia. A Maria João Santos, que está no terreno em articulação com a ação social, disse-me que a entrega e a viagem tinham corrido bem”, revelou ainda o autarca.

Na maioria das caixas que são enviadas, incluindo nesta última remessa, quando os bens são embalados, são colocados bilhetes com mensagens de força e os contactos do movimento ‘Mais Lagoa’. “Costumam telefonar ou enviar fotos. Ainda ontem recebemos uma fotografia de um senhor com as caixas que mandámos. A medicação foi enviada para o hospital de Chernivtsi, perto de Kiev”, conta Maria João dos Santos, responsável por este grupo informal que tem estado a trabalhar no terreno em articulação com a autarquia.
E é um trabalho já reconhecido pelas entidades, como foi o caso da Assembleia Municipal de Lagoa, que emitiu um voto de louvor na última sessão, no dia 13 de abril, que Maria João dos Santos agradece. “Estamos a trabalhar bem e só isso importa”, justifica.

Histórias que marcam
As pessoas que estão a chegar mostram-se traumatizadas, pois estão a fugir de uma guerra. “Temos os nossos técnicos que estão disponíveis para prestar todo o apoio que seja necessário, incluindo o psicológico.

A partida da marcha solidária, no domingo, dia 10 de abril, “foi um momento marcante, porque as pessoas que vieram perderam tudo. Temos aqui um caso de uma família que tinha terminado de construir a sua casa e ia começar a habitá-la, mas foi completamente destruída pelas bombas. Noutra situação, levámos um autocarro a Elvas para ir buscar nove pessoas. Chegámos lá e eram 19 e um cão. À pergunta sobre o que se faz, a resposta foi venham todos, porque isto trata-se de um ato humanitário e temos que apoiar todos aqueles que precisam”, conclui.

Ainda são necessários donativos
A solidariedade tem sido constante, mas continuam a existir apelos aos donativos de alimentos frescos e de bens de higiene para os ucranianos que foram acolhidos no concelho.

A população juntou-se em massa e respondeu com diversas ofertas. “Estou muito orgulhoso. Os lagoenses foram muito solidários de todas as formas, quer disponibilizando habitação, quer dando sugestões, ideias, entregando todo o tipo de material, por isso é que já fizemos uma série de carregamentos para a Associação de Ucranianos do Algarve, em Faro, e agora fomos à Roménia”, acrescentou. A autarquia também já foi buscar refugiados a diversos pontos do país.

Alunos da EB Rio Arade largam ‘Pombas pela Paz’

Foto: Filipa Ferreira

A comunidade da Escola Básica 2,3 Rio Arade realizou uma largada de pombos em sinal de solidariedade para com o povo ucraniano e na defesa da paz no mundo, no final do segundo período. A ação partiu da iniciativa do professor Marco Floro e contou com a colaboração das docentes Susana Tendinha e Daniela Vidal. Para a concretização da atividade foi solicitada a colaboração da Associação Columbófila de Lagoa, que de imediato se disponibilizou para participar e transportou mais de uma centena de pombos até ao recinto do estabelecimento escolar. Neste gesto de solidariedade participaram onze turmas do 5º ao 9º ano, bem como da turma do Curso de Educação e Formação (CEF) de Restauração e Bar, tendo os alunos formado um cordão humano no momento da largada de pombos. Foram ainda realizados e expostos trabalhos, sobre a paz, da autoria dos alunos das turmas B do 8º ano e CEF. A atividade teve grande adesão por parte da comunidade escolar, sobretudo por parte dos alunos.

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