Quercus apresenta dez medidas para reduzir as perdas de água

Portugal continua a enfrentar um problema estrutural que exige uma resposta urgente: as perdas de água nas redes de abastecimento e os elevados níveis de consumo. Os dados mais recentes do Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos em Portugal (RASARP 2025) demonstram que continuam a existir entidades gestoras com níveis elevados de perdas reais de água, evidenciando que a eficiência da gestão deste recurso está ainda longe do desejável.

A dimensão deste desperdício é preocupante. Em 2024, o regulador do setor estimava que 187,3 milhões de metros cúbicos de água tenham sido perdidos nas redes de abastecimento, antes de chegarem aos consumidores. Este volume corresponde ao equivalente a 8,7 piscinas olímpicas desperdiçadas por hora, um custo estimado em 158 milhões de euros.

Também os dados divulgados pela Agência Portuguesa do Ambiente revelam que o consumo médio de água em algumas zonas do país atinge cerca de 300 litros por habitante por dia, podendo mesmo ultrapassar os 400, valores superiores à média nacional, situada nos 180 litros.

Segundo a Quercus, “a resposta não pode passar apenas por procurar novas origens de água ou aumentar a capacidade de armazenamento. É indispensável reduzir primeiro o desperdício e tornar mais eficiente toda a cadeia de abastecimento”.

Neste contexto, a associação ambiental, sugere várias medidas estruturais, como a construção de reservatórios municipais para garantir pelo menos 24 horas de abastecimento, a criação e reforço de equipas municipais e regionais especializadas na deteção e reparação de fugas e reforçar o papel da ERSAR na fiscalização da renovação das redes de abastecimento, garantindo que todos os municípios cumprem as metas.

Medidas propostas:

  1. Tornar obrigatória a construção de reservatórios municipais de água para garantir pelo menos 24 horas de abastecimento.
  2. Tornar obrigatória a monitorização online das redes públicas de abastecimento de água, permitindo uma deteção mais rápida de perdas e anomalia
  3. Criar e reforçar equipas municipais e regionais especializadas na deteção e reparação de fugas.
  4. Promover a utilização de água reutilizada proveniente das ETAR na rega de jardins, espaços verdes e outros usos compatíveis.
  5. Criação e requalificação de espaços verdes com espécies e plantas autóctones de reduzido consumo hídrico.
  6. Instalar sistemas de telemetria nos grandes consumidores de água, permitindo a monitorização permanente dos consumos e a deteção precoce de desperdícios.
  7. Desenvolver um estudo nacional que avalie a implementação de um tarifário sazonal para o consumo de água, aplicável durante o verão e em períodos de seca extrema, incentivando uma utilização mais eficiente do recurso.
  8. Reforçar o papel da ERSAR na fiscalização da renovação das redes de abastecimento, garantindo que todos os municípios cumprem as metas recomendadas para substituição das infraestruturas.
  9. Combater as ligações de água ilegais com penalizações significativas a quem as praticar, medida esta que deve ser revista na legislação.
  10. Apostar em campanhas de sensibilização ambiental relativamente à redução de consumos e poupança de água tal como foi feito recentemente na produção de resíduos.

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