Tiago Dias destaca-se no futebol universitário americano

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Iniciou-se no Portimonense Sporting Clube com cinco anos, onde se manteve até aos 18, enquanto frequentava o ensino secundário na área de desporto. Tiago Dias terminou, depois, os estudos e ficou um ano a trabalhar e a jogar nos sub-19, até que surgiu uma oportunidade para prosseguir a via académica e, ao mesmo tempo, jogar numa universidade nos Estados Unidos da América.

“Tive o convite de uma agência para ir, com bolsa de estudos, fazer um curso superior e jogar futebol numa universidade americana. Aceitei e eles ajudaram-me com a papelada e a língua”, começa por contar Tiago Dias ao Portimão Jornal.

Com um fraco conhecimento da língua inglesa e sem saber, tão-pouco, cozinhar um prato simples, trocou o aconchego do lar junto dos pais por Coffeyville, uma pequena cidade do estado de Kansas, e pela universidade ‘Coffeyville Community College’, com cerca de 1500 alunos.
“Tive grande dificuldade, inicialmente, tanto nos estudos como nos treinos, porque o meu inglês era apenas o básico. Os primeiros dois ou três meses foram terríveis, com as pessoas a falar comigo e eu sem perceber patavina”, admite.

“Como central, gosto de falar muito, porque acho que a comunicação no jogo é muito importante. E era difícil, porque queria dizer qualquer coisa e não conseguia. Tive pessoas que me ajudaram muito nesse campo, com destaque para o meu treinador. Fiz um grande esforço, dividi o tempo entre os estudos, na área de Gestão de Desporto, e os treinos e jogos na equipa de futebol da universidade, os ‘Red Ravens’”, acrescenta o jovem.

Uma dificuldade acrescida é o facto de o campeonato universitário americano estar ao nível das melhores equipas lusas de sub-23, conforme explica ainda. “Não é tão tático, mas é muito físico. Chego a correr 14 quilómetros por jogo”, compara o atleta.

No entanto, o seu 1,90 metro de altura, aliado a uma boa condição física, garantem-lhe o lugar de defesa central. E permitiram que um estabelecimento de ensino superior com uma equipa de nível mais elevado, a ‘University of Albany’, o recrutasse, ao fim do segundo ano de atividade. Aproveitou e agora veste a camisola dos ‘Great Danes’. Entretanto, mudou também para o curso de economia.

Escolhido pelo talento

No verão, Tiago Dias participa numa liga semiprofissional, a ‘USL2 Soccer’, na equipa Fort Wayne FC, propriedade de DaMarcus Beasley, ex-futebolista profissional que passou pelo PSV e pelo Manchester City. Foi o mais jovem jogador da seleção dos EUA, no Mundial de 2002. A competição, em que cada equipa tem de efetuar 14 jogos, sete em casa e sete fora, destina-se sobretudo a jogadores universitários que pretendem dar o salto para o futebol profissional, dentro ou fora dos Estados Unidos. Pretende mostrar aos olheiros os jovens com talento e foi através desta competição que o atleta portimonense foi recrutado para a ‘University of Albany’, onde se encontra na atualidade. Os participantes têm a oportunidade de competir a um nível mais elevado, sem perder o direito de continuar a alinhar nos campeonatos universitários, até terminarem os cursos.

NA PRIMEIRA PESSOA | Um defesa central goleador

Marcou três golos, esta época, com um total de 12 nas quatro épocas a jogar nos Estados Unidos. Não é normal num defesa central, pois não? 
Comecei no futebol como avançado e só passei a central nos sub-15. Mas ficou-me o faro pelo golo. Gosto de ir para a área e marcar, não só de cabeça, nos cantos, mas também em lançamentos longos.

Ainda falta ano e meio para terminar o curso, mas há que pensar no futuro?
O meu objetivo é o futebol. Sempre foi. E estou preparado para jogar na América, na Europa, ou em qualquer outro local. A preparação física que trago é uma mais-valia para o futebol europeu, principalmente para o nacional. Taticamente, é só adaptação.

E se, eventualmente, não conseguir vingar no futebol, ao nível que deseja?
Estou convencido de que vou conseguir, na Europa ou nos Estados Unidos. Tudo depende de trabalho, mas também de um pouco de sorte. Eu trabalho muito; só necessito de uma oportunidade para mostrar o meu valor. Mas, se não der, terei de focar-me noutra coisa e o meu curso irá servir-me para tal.

Em que aspetos se distingue o futebol nos EUA?
A grande diferença entre o futebol que se pratica nos EUA e em Portugal reside na força física. A minha equipa atual joga em 4-4-2, com dois centrais. No primeiro ano, jogávamos com três. Mas os treinos são muito na base de ginásio e corrida, muita corrida, o que torna os jogos muito rápidos. A parte tática é muito diferente da nossa, pois a velocidade é a base. Estamos menos tempo com bola, porque a pressão chega mais rapidamente.

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